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16.3.10

E daí que acaba? (Marcelo Rubens Paiva)

Saiu no Estadão:

"Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.

São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, as estrelas estavam próximas, em que nasceram um para o outro e morreriam grudados, na alegria e na doença.

Aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e mergulharam no tombo da separação, em que a decepção troca de lugar com o amor, e o futuro vira pó.

Eu não aguento mais replicar: "Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele."

Para aquelas que dizem não acreditar mais no amor, proponho então experimentarem outros e apostarem nesse bilhete só de ida.

Uma noite de prazer acaba. Um banquete acaba. Uma viagem inesquecível acaba. O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira acabam. Não por isso, evitamos outros.

Ah, foi o dia internacional delas, que amamos tanto, que nos deram à luz, intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passavam despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, abafar a vergonha e nos inspiraram música, poesia, até guerras.

Mas sua descrença com os novos tempos e o velho homem nos deixa desesperados, órfãos. Nostradamus previu isso? Está escrito nos céus?

Se vocês não acreditam mais, quem acreditará? Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo: "Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais."

Trégua. Que venham os clichês. Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada. Quer que eu apague a luz na enxaqueca? Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras, COR, vencem por 2 X 1 as três letras PAL.

Fique na cama na TPM. Trarei uma bolsa de água quente e o jantar. Sim, vamos comprar sapatos. Eu espero. Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.

Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo. Batom vermelho te deixa mais bonita. Não, a calcinha não está marcando. Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido. Não, o sutiã não está aparecendo.

Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.

Cuido de você na velhice, não te trocarei por uma adolescente que cheira a tutti frutti, nem pela secretária vulgar da firma, amarei a sua pele um pouco mais flácida, seus seios naturalmente instáveis, seu corpo maduro, seus joelhos frágeis. E tomaremos vinho tinto todas as noites. Prefere branco? Que celulite?

Porém, a maioria de vocês conhece agora as teclas atalhos, a pressão nos pneus, sabem chamar o seguro, para uma pane elétrica, e que carrinho por trás dá cartão vermelho. Tornam-se independentes.

Pesquisa da Serasa Experian até mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do País - segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo dos mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres "ricas" somam cerca de 1 milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.

Foi uma semana cheia de dados e números sobre elas, vocês. E nós. Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou, enquanto o de casamentos formais, de papel passado, caiu 12%.

O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman? "Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?", pergunta.

Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo, a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.

Desistimos da sede pelo amor? Não, mulher não é o apêndice do homem, mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser. Não nos deixem desamparados. E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.

Amar ainda é a única maneira de convivermos com a sua delicadeza e alimentar nossa vocação de proteger e cuidar. Não façam do homem uma noite sem vento, um mundo sem gravidade. Parecemos tolos e infantis, controladores e insensíveis. Mas as amamos tanto...

Acaba mesmo? Comece outro. Antes que a amargura substitua o brilho dos seus olhos. E a pieguice, a rima e as metáforas sejam extintas."

8.12.09




aí vai uma coisa que
gosto em mim:
a capacidade de
ser cruel.


e uma coisa que
não gosto em mim:
é que quando
sou cruel com os outros
acabo sendo
cruel comigo.

Luiz Felipe Leprevost em notas para um livro bonito

4.12.09

Beautiful Black Men by Nikki Giovanni





(With compliments and apologies to all not mentioned by name)
 
i wanta say just gotta say something
bout those beautiful beautiful beautiful outasight
black men
with they afros
walking down the street
is the same ol danger
but a brand new pleasure

sitting on stoops, in bars, going to offices
running numbers, watching for their whores
preaching in churches, driving their hogs
walking their dogs, winking at me
in their fire red, lime green, burnt orange
royal blue tight tight pants that hug
what i like to hug

jerry butler, wilson pickett, the impressions
temptations, mighty mighty sly
don't have to do anything but walk
on stage
and i scream and stamp and shout
see new breed men in breed alls
dashiki suits with shirts that match
the lining that compliments the ties
that smile at the sandals
where dirty toes peek at me
and i scream and stamp and shout
for more beautiful beautiful beautiful
black men with outasight afros


Nikki Giovanni, “Beautiful Black Men” from The Selected Poems of Nikki Giovanni.

Copyright © 1996 by Nikki Giovanni.

Reprinted with the permission of HarperCollins Publishers, Inc.

19.10.09

Além do ponto - Caio F. Abreu

"...não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era."




"... decidi na minha cabeça que depois de abrir a porta ele diria qualquer coisa tipo mas como você está molhado, sem nenhum espanto, porque ele me esperava, ele me chamava, eu só ia indo porque ele me chamava, eu me atrevia, eu ia além daquele ponto de estar parado, agora pelo caminho de árvores sem folhas e a rua interrompida que eu revia daquele jeito estranho de já ter estado lá sem nunca ter, hesitava mas ia indo, no meio da cidade como um invisível fio saindo da cabeça dele até a minha, quem me via assim molhado não via nosso segredo, via apenas um sujeito molhado sem capa nem guarda-chuva, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito. "

"... pensei na lama que ele limparia terno, porque era a mim que ele chamava, porque era a mim que ele escolhia, porque era para mim e só para mim que ele abriria a sua porta."

"...Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora."




"... eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca."


*pq este texto é lindo!!!

25.9.09

Alfonsina Storni





RAZONES Y PAISAJES DE AMOR



I

AMOR:


Baja del cielo la endiablada punta
con que carne mortal hieres y engañas.
Untada viene de divinas mañas
y cielo y tierra su veneno junta.

La sangre de hombre que en la herida apunta
florece en selvas: sus crecidas cañas
de sombras de oro, hienden las entrañas
del cielo prieto, y su ascender pregunta.

En un vano aguardar de la respuesta
las cañas doblan la empinada testa.
Flamea el cielo sus azules gasas.

Vientos negros, detrás de los cristales
de las estrellas, mueven grandes asas
de mundos muertos, por sus arrabales.


II

OBRA DE AMOR:


Rosas y lirios ves en el espino;
juegas a ser: te cabe en una mano,
esmeralda pequeña, el océano;
hablas sin lengua, enredas el destino.

Plantas la testa en el azul divino
y antípodas, tus pies, en el lejano
revés del mundo; y te haces soberano,
y desatas al sol de tu camino.

Miras el horizonte y tu mirada
hace nacer en noche la alborada;
sueñas, y crean hueso tus ficciones.

Muda la mano que te alzaba en vuelo,
y a tus pies cae, cristal roto, el cielo,
y polvo y sombra levan sus talones.


III

PAISAJE DE AMOR MUERTO:


Ya te hundes, sol; mis aguas se coloran
de llamaradas por morir; ya cae
mi corazón desenhebrado, y trae,
la noche, filos que en el viento lloran.

Ya en opacas orillas se avizoran
manadas negras; ya mi lengua atrae
betún de muerte; y ya no se distrae
de mí, la espina; y sombras me devoran.

Pellejo muerto, el sol, se tumba al cabo.
Como un perro girando sobre el rabo,
la tierra se echa a descansar, cansada.

Mano huesosa apaga los luceros:
Chirrían, pedregosos sus senderos,
con la pupila negra y descarnada.

Alfonsina Storni





Soy un alma desnuda en estos versos,
Alma desnuda que angustiada y sola
Va dejando sus pétalos dispersos.

Alma que puede ser una amapola,
Que puede ser un lirio, una violeta,
Un peñasco, una selva y una ola.

Alma que como el viento vaga inquieta
Y ruge cuando está sobre los mares,
Y duerme dulcemente en una grieta.

Alma que adora sobre sus altares,
Dioses que no se bajan a cegarla;
Alma que no conoce valladares.

Alma que fuera fácil dominarla
Con sólo un corazón que se partiera
Para en su sangre cálida regarla.

Alma que cuando está en la primavera
Dice al invierno que demora: vuelve,
Caiga tu nieve sobre la pradera.

Alma que cuando nieva se disuelve
En tristezas, clamando por las rosas
con que la primavera nos envuelve.

Alma que a ratos suelta mariposas
A campo abierto, sin fijar distancia,
Y les dice: libad sobre las cosas.

Alma que ha de morir de una fragancia
De un suspiro, de un verso en que se ruega,
Sin perder, a poderlo, su elegancia.

Alma que nada sabe y todo niega
Y negando lo bueno el bien propicia
Porque es negando como más se entrega.

Alma que suele haber como delicia
Palpar las almas, despreciar la huella,
Y sentir en la mano una caricia.

Alma que siempre disconforme de ella,
Como los vientos vaga, corre y gira;
Alma que sangra y sin cesar delira
Por ser el buque en marcha de la estrella.

14.9.09

Alfonsina Storni




Diante do mar

Tradução de José Agostinho Baptista


Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.

Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
"Piedade, piedade para o que mais ofenda".

Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.

Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.

Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.


Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...
Ah, eu sonhava ser como tu és.

Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.

Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.

E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!

Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.


Alfonsina Storni



Biografia

Nascida na Suiça, emigrou com os seus pais para a província de San Juan, na Argentina em 1896, Em1901, muda-se para Rosário, (Santa Fé), onde tem uma vida com muitas dificuldades financeiras. Trabalhou para o sustento da família como costureira, operária,atriz e professora.
Descobre-se portadora de cancro no seio em 1935. O suicídio de um amigo, o também escritor Horácio Quiroga, em 1937, abala-a profundamente.
Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia de um hotel de Mar del Plata para um jornal, o soneto “Voy a Dormir”. Consta que suicidou-se andando para dentro do mar — o que foi poeticamente registrado na canção "Alfonsina y el mar", gravada por Mercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de Outubro de 1938. Alfonsina tinha 46 anos.

2.9.09

"... Os meus contemporâneos dizem quase sempre que não são moralistas, e é por isso que forçam toda a gente, mesmo quem não quer, a ser livre, saudável e feliz: proíbem o tabaco e o açúcar e se por vezes sofrem, tomam comprimidos porque a alegria é uma questão de química e convém tê-la a horas certas, como o prazer vigiado por preservativos e outros sempre obrigatórios cintos de segurança, pra que um dia possam sentir que morrem cheios de saúde. "

Fernando Pinto do Amaral
in, Colecção “Poesia e Prosa”
Ed. Publicações Dom Quixote,
Visão, Lisboa 2009

CEP 19 ANOS / NA CONTRAMÃO DO DESACONTECIMENTO / SOB O OLHAR CÚMPLICE DO CARLUXO CARA FEIA


por Chacal

O CEP fez 19 anos na quinta passada. Não foi aquela hecatombe de público que comparecia ao Sérgio Porto nos anos 90. Mas, para quem estava indo pela primeira vez, decerto saiu estarrecido. O espaço é muito bom e confortável. Cervejinha accessível. E a programação é um chuá.

...

Sair à noite para ir a algum evento é que são elas. Culpa do CEP ? Não muita. A noite do Rio em particular e do país como um todo, virou uma ficção.

...

Adeus Boemia. Mas o CEP resiste. E lá estavam os guerreiros: Pedro Lage que disparou um poema belíssimo, uma cantiga de escárnio. Alberto Pucheu fez a sala ir ao delírio, com seus jabs e uppercuts, um direto no queijo da letargia. Éber é a quintessência do nada. Tirou seus verbetes esporrantes, suas pílulas do riso da algibeira de uma caixa da sapato. Piriquitinho da sorte. É um deus. As Doidivinas não tem pra ninguém. São musas, entidades supremas. Cantem o que cantarem, eu despenco e saio dançando. Tavinho Paes anunciou alguns megainventos mas fez foi falar um poema em homenagem. Tavinho Gracias aos Céus devia ser tombado. Um herói do lumpesinato poético dessa cidade. Juju Hollanda mandou um texto certeiro em homenagem ao CEP. Outra dama das noites exíguas da antiga maravilha de cidade. Os 7Novos continuam imbatíveis. Mandam vídeos estapafúrdios sobre a vida e a morte de Michael Jack. Depois andam pra trás e cospem pra cima. Augusto imitando Steve Wonder é o que há. Grato muito a Mariano e Domingos, parceiros de sempre, que vestem a camisa e se divertem muito.

...

E teve mais muito mais. Um gringo carioca, Marco, que ficou vidrado com a cena. O Ricardo Rodrigues, um ceguinho elegante. O Pedro Henrique, a Renata e sua mãe que vieram de Floripa para conhecer, saíram felizes. Eram elas, o público.

Enfim, mais um CEP. Dezenove anos de insubordinação. Carregando nas costas o peso pesado da instituição, da burocracia, esgrimando com brigas internas. Assim caminha o Centro de Experimentação Poética. Até quando ? Se Deus quiser, pelom menos, até chegar aos vinte anos. São Paulo já se movimenta para comemorar. Vamos a ver.

14.8.09

Recebi hoje do Alex Hamburguer ...

... e a cada dia mais percebo que SIM!
A vida vale à pena!

Obrigada, Alex.
Sua amizade e carinho
para mim
são motivo de orgulho
e felicidade.
Muito orgulho
e muita
felicidade.





Querida Juju Sachêt,

Acabo de ler 'acordei num iceberg', e fiquei com ótima impressão, embora uma primeira leitura nunca seja suficiente para emitirmos juízos de valor. No entanto, parece-me que nesse seu painel você oferece a nós, vorazes e hipócritas leitores, uma profusão de imagens e sinestesias como raramente pode-se deparar, principalmente em jovens poetas.

Embora não me utilize da palavra como meio de expressão exclusivo, por considerar que ela sofreu um grande desgaste ao longo dos tempos, além da adição de inúmeros outros meios e recursos ao alcance dos praticantes de delírios, sei reconhecer quando ela é utilizada de forma aguda e reveladora de novas instâncias, anáguas e combinações, jogo de palavras que seu próprio
'iceberg caliente' inspirou...

Fiquei também bastante lisongeado com as referências e dedicatórias que fui alvo, e fique na certeza que com essa sua incursão nem a carta de Rilke à um jovem poeta iria resistir em aceitar sua coleta com prazer e fruíção.

Que os deuses do olimpo continuem soprando a seu favor, são os meus melhores desejos.

bjks&kpbs

alex ham

31.7.09

+ + + Leprevost

Especulações sobre o amor simples

eu já tinha aprendido que
não se pode ser sincero com as
mulheres quando você está
completamente de quatro por elas
então resolvi mentir
menti menti menti menti
menti durante umas duas horas
até que passamos para ação
e por causa de tal ação era eu o
inoportuno que dormiria na
casa dela naquela noite
no outro dia pela manhã ela
pensasse o que fazer a meu respeito
por enquanto apenas
daríamos uma boa... você sabe
tão boa que a confundiríamos com amor
não é esse afinal um dos
dilemazinhos seriíssimos
da humanidade, quando o
sexo é muito bom a gente
acabar confundindo com amor?

Luiz Felipe Leprevost

*Sabem que eu concordo?!


...

Fuck you, fuck you
Very, very much
Cause your words
Don't translate
And it's getting
Quite late
So please
Don't stay in touch

*Pq eu amo essa música!!!!

28.7.09

Da Fadinha da poesia...

hipocrisia causa

azia

!

vou tomar um

antiácido

para

suportar a

histeria de

sua

hipocrisia estampada na

fotografia e

ficar de

bem com a

vida

(

o Ministério da Saúde

adverte

:

afetação de virtude causa

danos à

alma

)

!

- Graça Carpes

Daqui.

*100% apoiado, amiga!

27.7.09

"Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair"

(Caio Fernando Abreu)

24.7.09

Instalações - Paulo Sandrini

Tenho quatro asas.
E uma vontade imensa de voar.
Mesmo se me cortarem duas asas, posso voar com as outras duas.
E certamente o farão.
Duas asas já seriam de se estranhar.
Imagine quatro.
Nesta comunidade as pessoas não possuem nem mais as pernas.
Quem dirá asas.
Voar é uma dádiva.
Voar com quatro asas seria pra lá de uma dádiva.
Nesta comunidade as pessoas não podem caminhar.
Por isso cortaram minhas asas.
Duas asas.
Mas me sobraram duas.
Quando eu tinha quatro pernas também me cortaram um par.
E quando cortaram, logo me cresceram as duas primeiras asas.
Depois cortaram as outras duas pernas e me crescerem mais duas asas.
Preocupados com as pernas, esqueceram-se de me cortar as asas.
Levaram um tempo cortando apenas as minhas pernas.
Quando perceberam, eu tinha uma dúzia de par de asas.
Foi nesse período que as pernas pararam de crescer.
De tanto serem cortadas, desistiram.
Aí fiquei igual a todos os membros de nossa comunidade.
A não ser pelas asas.
De quatro pernas, fiquei sem nenhuma.
Mas com uma dúzia de asas.Que passaram a ser cortadas, pois minhas pernas já não eram o problema.
Tiraram onze pares de uma vez.
Me sobrou um par.
Acharam que por inaptidão eu não saberia usá-lo para o voo.
Apenas um par de asas, pensaram que era só um problema estético a resolver.
Ou deixar de resolver.
Com o tempo, acreditavam, as asas cairiam por falta de uso.
Eu pensei o mesmo.
Foquei minha atenção no uso dos dois braços a mais que cresceram em mim.
Fiquei com quatro.
Dois pares.
Duas mãos
Vinte dedos.
Quando me cortaram o primeiro par de braços, mais um par de asas surgiu em mim.
Quando cortaram meus últimos dois braços, mais um par de asas.
Fiquei com seis.
Três pares.
Muitas penas.
Nesta comunidade andamos de braços dados com a inveja.
Mas as pessoas desta comunidade não possuem braços.
Por problemas de ordem estética, disseram, foi que cortaram dois pares de asas.
Novamente fiquei com duas.
E poucas penas.
Suficientes para alçar voo.
Mas por falta de confiança permaneci no solo.
As asas ficando pesadas.
Quando as movimentei pela primeira vez, após muitos dias de esforço intenso,
toda a comunidade parou.
Estavam estupefatos.
Como castigo, arrancaram-me as penas, só as penas.
Depois de terem me arrancado braços e asas e pernas.
Só as penas.
Me tornei um espetáculo estético.
Um homem alado com asas sem penas e que não podia voar.
Eu era como uma instalação artística.
Me puseram na praça central e todos me observavam dia e noite como
sendo a obra artística chamada de “Asas inúteis”.
Gente do mundo todo veio ver a instalação que eu havia me tornado.
Acharam até um artista conceitual da comunidade para assinar a obra.
Mas ele não pôde.
Não possuía braços.
Ficou com raiva de não poder assinar e quis acabar a pontapés com a instalação.
Pena: não possuía pernas.
Então chamaram um artista estrangeiro muito conceituado para assinar a obra de arte em praça pública.
Ele veio.
Tinha pernas e braços.
E também asas.
A comunidade o detestou e cortou suas pernas e braços.
Arrancaram-lhe as penas às asas e o colocaram ao meu lado, na praça pública, como se fosse ele também uma instalação.
“Asas inúteis II”, o nome.
Então decidiram que a própria comunidade assinaria as obras de arte.
Seria uma obra coletiva.
Com uma função social.
Com uma função estética.
Com uma função humorística.
Com uma função, talvez a mais celebrada, sádica.
Mas acho mesmo que com uma função masoquista.
A comunidade toda não possuía mãos para assinar.
Decidiram, então, que não seríamos mais, eu e o artista estrangeiro, obras de arte.
Seríamos só, somente, apenas e tão-somente, duas figuras aladas.
Mas sem penas nas asas.
Serviríamos como exemplos para a comunidade toda.
Ficaríamos ali, na praça central, como seres impotentes.
Alados mas sem poder de voo.
Sem pernas.
Sem braços.
Sem penas nas asas.
Impotentes.
Servindo de exemplo para quem pensasse em criar asas.
Para quem pensasse em voar.
No céu, Pegasus passou sobrevoando a nossa comunidade.
Ele até gostaria de descer e beber água no chafariz aqui da praça central.
Acontece que ele não gostava de arte.
Execrava as instalações.
As obras individuais.
(As dos outros).
E sobretudo as coletivas.
Mas, não, ele não era um crítico de arte.
Ele era um escritor.
Um escritor do nosso tempo.
Sim, do nosso tempo.
E ele permaneceria olhando a nossa comunidade sempre do alto.

texto inédito

daqui.


*LINDO LINDO LINDOOOOOOOOO!!!

23.7.09

Eu Não Existo Sem Você - Maysa


Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste

Por isto, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim e eu não existo sem você
Composição: A. C. Jobim / Vinícius de Moraes

17.7.09

Rodrigo de Souza Leão (2 poemas)


UM POEMA


Amar não é só o começo
É o fim

Amar é um final que começa com um
Sim

15.7.09

esse "poetinho" Curitibano me MATA!!!!!


especulações sobre o amor simples

se você já se arvorou a
perfurar a crosta terrestre
a mover lavas e cinzas
então saberá a que me refiro.
antes você não tinha medo de
funduras, não é mesmo?
e teu esforço para que
vocês gozassem ao mesmo tempo se
assemelhava a capacidade que
alguns têm de escalar montanhas
pela parte de dentro
sem necessitar equipamento de
segurança. daí vai que
aquela pessoa por algum tempo
era uma espécie de túnel e
tudo que você mais desejava era
nunca encontrar a saída.
até o dia em que você
começou a percebe que
vinha se transformando
num claustrofóbico, mas isso só
aconteceu quando já
era tarde demais e você
estava completamete soterrado
por tantos escombros.

Luiz Felipe Leprevost em : notasparaumlivrobonito.blogspot.com

13.7.09

+ especulações sobre o amor simples


petrificado por quais razões
estarei disposto a abrir meu
busto inteiro feito abrisse um zíper?
e é claro que haverá fartura de mel.
mas também é óbvio assim
que o amor seja algo de
difícil mastigação feito
um punhado de abelhas iradas por
terem presenciado sua colméia ser
aniquilada sem piedade.

Luiz Felipe Leprevost