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29.7.08

declaração

eu adoro surpresas. eu adoro me surpreender. eu adoro você quando você é a surpresa. eu adoro você quando você me surpreende. eu adoro você sempre... meu... sempre meu... amor.

eu adoro quando você me toca e nossas pernas se enlaçam num abraço apertado até a manhã seguinte. e eu adoro quando eu respiro o que você respira e a gente acorda no meio da noite sufocado porque o ar ficou pouco para nossa respiração. eu eu acho gostoso demais quando você se mexe e sussurra palavras que eu nunca entendo e quando você entende que meus gemidos são a melhor resposta para suas perguntas. e quando seu braço é o travesseiro mais fofinho e o cafuné que eu te faço é a maior delícia e a gente dorme e respira e se enrosca e se ama e acorda e se toca e se olha e se lambe se sente se toca se beija se deixa levar. eu amo você e tudo o que amar você soma na minha vida.

eu adoro quando você me surpreende e me acende e me faz a mulher mais feliz do mundo. eu adoro o agora com você o ontem o amanhã e o sempre.

15.7.08

Medo do escuro

Quando as luzes se apagam
Ouço você chamar: saudade.
Olhe para o céu e ao invés de estrelas; veja margaridas. Elas são meu sorriso.

Quando sinto sua falta olho para o céu e imagino que estrelas são pássaros e eles são beijos.

É quase como brincar de adivinhação.

Agulhas de língua num beijo apaixonado.

(olhares.com)


Na esquina com a arma; um coração. Mira certeira – sabe quem acertar. O tiro quente no corpo gelado - cicatriz.

Ele tinha certezas. Certezas mesmas de quem amarra uma fita do Senhor do Bonfim no pulso e acredita que quando a fita arrebentar; todos os pedidos serão realizados.

Certezas estas que mesmo sabendo que não vai ter comemoração - ao abrir a porta- festa surpresa!

Pode ser também que de repente o maior urso de pelúcia da loja apareça no seu quarto ou até talvez o riso histérico de quebrar uma cama durante o amor selvagem venha te desopilar o fígado ou você nunca esqueça de ler as letrinhas miúdas no fim do contrato.

Eu sempre soube que o amor um dia ia chegar e sorrir.

Meu coração antes metralhado – agora goza ter sido costurado com uma bala açucarada de 38.

17.6.08

Paladar

os chocolates não têm mais gosto.
minha língua sente apenas sua pele. único alimento. gosto. fonte exclusiva de prazer salgado.
suor com partículas; nós.
fragmentos, cheiros, perplexidades.

sua companhia é tudo o que importa. seu braço travesseiro é só o que não me afasta da vida.
aliás- sim! me afasta dos outros e de todos os perigos.
de tudo o que não desejo enfrentar.
me aproxima de tudo que válido pode ser vivido ao seu lado; sentir.

dormir com você e não querer acordar, levantar, afastar-me de ti. o seu cheiro que embriaga e faz com que todos os outros cheiros não me dêem prazer.
até o seu "mau-humor" é música.
as broncas que fazem chorar me aquecem no entardecer mesmo quando o meu ciúme é a única coisa que atrapalha.

estamos conectados, apaixonados, enlouquecidos e livres, mesmo que algemados; presos.

eu tenho medo de você solto nessa cidade e eu queria "ter uma bomba (...) paralisante qualquer" para matar todas que você já possuiu e deu prazer. todas que nunca foram tuas porquê você não as quis com seriedade. eu queria matar todas elas que olham torto para nós e desejam amarrar meu nome na boca do sapo para que eu te perca ou me perca de você. todas as que desejam pular a janela da sua casa, entrar no nosso quarto e roubar fotos e cuecas suas para fazer mandinga. todas que beijaram o pé do Santo Antônio pedindo um você para casar... eu tenho um verdadeiro desejo terrorista de exterminar com elas que passam por nós rebolando e soltando gritinhos histéricos e risinhos infantis.

eu sei que tudo isso não deveria importar, mas eu sou ciumenta demais. eu te amo demais. eu quero dormir com você para nunca mais acordar. os chocolates não tem mais gosto. só a sua pele me alimenta.

eu eu você. lençois. um travesseiro. um colchão. uma janela e estamos preparados para a guerra. vamos hibernar. não precisamos de nada. só de alimento. alimentarmo-nos um do outro. sorver o suco um do outro. lambidas e pedaços de respiração "me interessam" e sim... somos um clichê de nós mesmos, mas o amor é isso e nós não temos como fugir do aquilo.

isso é destino e tudo começou naquele beijo roubado na porta do banheiro. eu estava com gosto de cerveja e chocolate na boca. na mesma hora, tudo perdeu o sentido para sentir você. seu gosto. seu beijo. sua língua. seu braço. seu sopro.

tudo passou a fazer sentido e tudo passou a existir em mim.
você e eu; nosso jardim de maravilhas num quarto fechado, com sorrisos e brigas e línguas e barulhos e vento.
nada tem mais gosto para mim.
os chocolates perderam o sabor.

derretendo na língua - só o seu corpo.

10.6.08

Valentines Day - I wish

acabei de ler na Bia Provasi- amiga e parceira (numa noite qualquer) o que ela acha do dia dos namorados e todas as vezes que ela já viveu esse dia, e como queria viver e passar esse dia, e como vai passar. eu acabei me lembrando dos meus, de alguns meus a tô achando a maior graça até agora.

quando eu era adolescente eu tinha uma amiga e ela vivia solteira. eu às vezes tava acompanhada, mas quando as duas estavam solteiras e gente combinava e mandava buquê de flores no dia dos namorados uma para a outra, com um cartão escrito: blábláblá do seu admirador secreto... – e a gente ficava muito feliz nos enganando.

a gente sabia que aquele “admirador” era alguém que não existia; um amigo imaginário que estava no imaginário da amiga e não no nosso, mas a gente não ligava. a gente, se divertia e se sentia amada, querida... sei lá o que devia se passar na nossa cabeça de adolescente naquela época. *rsrsrs*

depois, a gente cresceu e esqueceu dessa bobagem. eu namorei e me casei e passei a comemorar dia dos namorados com ele. foram 8 anos e era como se a gente escapasse da vida de casado, dos compromissos... era dia de sermos namorados, de agirmos como namorados.

trocar presentes, comer fondue, tomar vinho e acabar a noite de preferência em alguma cama impessoal longe de casa. longe do nosso quarto que tinha um filtro dos sonhos pendurado atrás da cama. longe das nossas máscaras árabes de couro.

aqueles dias 12 eram o tomar banho num banheiro de granito e o enxugar com toalhas finas e já usadas por muitas pessoas. eram dias de não estar cansados com dor de cabeça. eram o não colocar os pés no sofá e grudar na televisão. eles demonstravam que mesmo que por inúmeras vezes tivéssemos brigado por motivos fúteis e reclamado um do outro sem parar, existia ali, naquela relação uma esperança, existia amor e fantasia. era bacana.

o último dia dos namorados que passei com ele – lembro que a gente tava meio brigado, a gente trocou presentes, mas ficou em casa e pediu uma pizza. sim, o casamento tinha acabado assim como o amor, o mistério, as fantasias.

não falamos sobre isso naquele dia e nem nos meses que se passaram. veio 2005 e dia 25 de janeiro nos vimos pela última vez e falamos tchau. um tchau sem beijo no rosto, sem aperto de mão. apenas um tchau. sem palavras doces, sem desejos de felicidade.

um tchau seco seguido de lágrimas e desesperança. esse tchau depois ficou cheio de raiva, depois cheio de orgulho e depois desapareceu. esse tchau virou uma parede branca de onde não consigo retirar nenhum sentimento. esse tchau simplesmente morreu, assim como todos os o “ois”, e os “sins” e os “eu te amo”.

em 2005 eu tava no dia 12 de junho numa relação fadada ao insucesso, [mas sabendo disso], com um cara mais velho que não me assumia. na verdade, nem era uma relação, segundo minhas amigas, e minha terapeuta na época. na verdade, eu só reparei isso depois que passou, mas reconheço que o estar com esse cara me fez descobrir o “ser mulher”, me ajudou a liberar a mulher em mim, e isso foi bom. eu dei para ele de presente de dia dos namorados um bolo nega maluca que eu fiz e isso foi divertido! a gente ficou junto 7 meses e acabou.

em 2006, um mês antes dessa data, comecei a namorar um megalomainíaco que era metido a cantor e pianista. ele era engraçado, me fazia rir, agradava todas as minhas amigas, mas não me fazia feliz. dei para ele um poema e uma almofada da Audrey Hepburn. ele me deu uma caneta Cartier (da sua coleção particular), um cartão e uma música de Chopin (no piano tocada por ele). foi tudo muito bonito, mas era tudo fantasia. não tinha verdade e nem sentimento naquilo. era um total "forçar a barra". eu desiludida, ele desiludido. um tentando ver nos olhos do outro aquele outro e nada. ficamos juntos 2 meses. foi ruim, mas foi bom.

em 2007 eu tava mesmo sozinha e não tinha mais a amiga que me mandaria flores e um cartão de mentirinha. então eu comprei uma garrafa de vinho, um maço de Marlboros, me tranquei no quarto e comecei a ler Bukowski bem alto. minha mãe e meu irmão estavam viajando e eu fiquei sozinha ouvindo punk rock e recitando Bukowski. dançando, fumando e tomando vinho. eu dormi feliz aquela noite e o ato todo em si, mesmo sem planejamento, foi libertador. tão libertador que virou um poema e está no meu livro. uma noite que tinha tudo para ser triste e solitária foi cheia de poesia e revelçaões. foi uma noite diferente e feliz.

esse ano passarei acompanhada. estou há 7 meses já acompanhada e feliz, muito feliz. já dei o presente dele antecipado e dele não espero e nem quero ganhar nada, pois só o estar do lado, o ouvir a voz, o sentir as mãos, o cafuné já são presentes valiosos demais. o "eu te amo". o "a água do chuveiro ainda não tá quente o suficiente para você tomar banho". o "eu te quero". o "você me fez descobrir a minha capacidade de amar"; já são o suficiente. até mais que isso.

eu de verdade quero ficar com ele para sempre, mas não quero fazer dos dias dos namorados uma válvula de escape das insatisfações no casamento e nem despejar nele as infelicidades e frustrações do dia a dia. eu com ele vivo num eterno dia dos namorados e que esse e todos os outros sejam para nós (eu e ele) no nosso “seja infinito enquanto dure” dias normais, comuns, divertidos, sensuais e felizes.

Feliz dia dos namorados para todos!!!

6.6.08

speak low


fale devagar. sussure suas belas palavras no meu ouvido.
faça do meu corpo girassol.
sou escrava do amor. do seu amor.
nada nem ninguém tira essas vontades, esse prazer de estar com você - de mim.
nada nem ninguém seca o lago que você fez nascer em mim; nem o pior desatre ecológico e nem os fenômenos climáticos.
el ninõ; sou sua ninã.
você - meu menino, meu dono, meu desejo e meu desespero.

a cabeça que não pára de girar, de pensar, de querer estar com você.
eu só faço planos para você e eu.
eu só tenho planos para mim e você.
eu só quero saber do que pode acontecer em nós.
do que posso sentir de nós.
do que podemos constriur, fazer, sentir, sorrir.
eu só quero saber de você em mim.
eu só quero você.

5.6.08

...

tava hoje conversando com um amigo e chegamos à conclusão de que valem mais pequenos gestos do que grandes presentes como jóias, carros, manolo´s, gucci´s, prada´s, vuittons...

eu sempre ganhei jóias do meu ex-marido. eu tive um ex que me deu uma caneta cartir de ouro com safiras. nenhuma dessas relações deu certo. de nenhuma delas resgatei o prazer de me encontrar e me sentir fazendo parte. em nenhuma delas eu tive o que eu tenho hoje e nunca nenhum deles se preocupou se o meu banho tava quente o suficiente, se tinha papel higiênico no banheiro, se eu ia acordar cedo no dia seguinte, se eu tava com fome... nenhum deles me dizia dormindo: me abraça?! - regularmente.

nenhum deles me deu parabéns no dia das mães dizendo que eu merecia parabésn, pois ia ser futuramente mãe de um filho seu. nenhum deles ficou feliz por ter falado com a minha tia no telefone. nenhum deles nunca se preocupou se a obra do banheiro lá de casa tinha acabado. nenhum deles se preocupou quando eu bebia demais e nem porque eu fumava demais.

por isso, por esse, pelo meu hoje: eu parei de fumar e só quero pequenos singelos grades gestos na minha vida, no meu dia-a-dia, porque aprendi que o mundo é construído de pequenas delicadezas e só assim ele vai para a frente.

2.6.08

Teletransporte

(olhares.com)
às vezes eu queria morar num balão de gás, ter asas ou turbinas. queria ter o poder de me "teletransportar" para algum lugar que fosse perto de você; porque eu longe, sou preenchida por faltas. falta-me você.
e eu não posso voar, fico sozinha, fatalmente cheia de saudade e com vontade de chorar.
sem querer estar em mais lugar nenhum, longe de você; sem que seu calor e seus abraços sejam meus.
eu queria ter asas, para voar até você e hibernar todas as noites na sua caverna (como fizemos no fim-de –semana passado).
eu queria ter asas e uma varinha de condão para tirar você da mente daquelas que não te tiveram e invejam o meu ter você. elas me incomodam profundamente, por mais que eu saiba que eu sou tua e você meu e que o que gente tem é forte, é de verdade, é duradouro e será para sempre, eu queria que essas (p...) se esquecessem de você e tirassem os olhos de nós, porque eu nunca gostei de ser observada e isso me incomoda.
só que na realidade, eu queria mesmo ter asas, turbinas, morar num balão de gás para sempre estar perto de você.
eu só enxergo quando te vejo. só me acalmo quando te beijo. só me aqueço quando te abraço. só fico feliz quando durmo em teus braços, ouço seu respirar e me teletransporto para algum outro lugar num mundo só nosso.

27.5.08

"oh yeah, wait a minute, Mr. Postman"

Cartões postais que a gente recebe com o texto espremido ou palavras soltas falando de como a praia está boa e você deveria estar aqui porquê afinal, só falta você - são bons de receber; assim como aqueles em que vem escrito: (continua...) e a continuação nunca chega. Tem outros que você recebe num envelope, sem nada escrito mesmo, só para que você veja a paisagem.

Eu sempre tive mania de mandar cartão-postal, mas nunca soube escrevê-los. Sempre faltava cartão e a letra espremia-se pelas beiradas ou subia pelas bordas e eu nunca consegui dizer o que queria ou devia. Nunca consegui expressar o que sentia. Eu sempre senti muito e escrevi muito e fui prolixa ao extremo. Eu sempre escrevia muito ou minha letra era grande.

Cartões postais nunca foram suficientes ou a minha pseudo-auto-suficiência me fazia acreditar que nada bastava e eu nem ficava tonta naquela época e hoje, nem sempre eu fico, tonta, mas algumas vezes, em sua maioria aliás, eu tenho tentado fazer com que isso não aconteça mais.

Eu ando tão feliz que nem sei sobre o que escrever, mas sei que se ficar melhor estraga, aliás, tudo fica melhor a cada dia que passa, mas a distância, a saudade aumenta e isso é o que ajuda e atrapalha ao mesmo tempo; porque a saudade é tanta que eu vivo com lágrimas nos olhos e saudade e eu escuto uma música e lembro dele e choro e eu lembro de uma coisa que aconteceu e lembro dele e choro e falo com ele no tel e ouço a voz dele e choro e eu preciso dele do meu lado e não adianta eu mandar um cartão postal nessa época de e-mail, eu queria ser capaz de me postar no correio. Colar selos em mim e num piscar de olhos estar lá. Ser sempre a formiguinha, o mosquitinho, o grão de areia que gruda no chinelo, as gotas de chuva, o vento, o calor, o sabonete, a pasta de dente... eu queria ser a toalha e estar sempre com ele, secando e cuidando dele, daquele corpo que sinto meu quando perto. Uma parte, uma extensão de mim que eu sinto e ouço e quero e gosto e amo e sinto saudade.

Eu descobri que essa noite a gente dormiu e acordou insone as 3 da manhã e descobri também que a gente ficou pensando um no outro até dormir de novo e a gente dormiu e acordou e não parou de pensar, um no outro. A gente não pára de pensar um no outro e a gente tá longe, mas tá perto, conectado e, a gente se absorve e um quer ser só do outro e é. E eu imagino a carinha da minha filha com ele e a nossa casinha montada, os vasinhos de planta na janela, a luz do sol entrando pelas cortinas e a mesa da sala posta e o café da manhã ali suculento e colorido e a cena eternizada num cartão postal e a gente ali sentado lendo jornal e discutindo as notícias do dia e o beijo de até breve quando ele sair pra trabalhar e naquele dia eu tô de folga e vou escrever um pouco pela manhã e à tarde, limpar e arrumar a casa, preparar o prato preferido dele, tomar banho, me perfumar, encher de velas e cheirinhos o quarto, esperar ele em cima da cama de cinta-liga, babydoll... Jantar? Só depois, só depois...

Minha vida com ele eternizada num postal dentro de uma gaveta cheia de surpresas felizes.