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11.6.08

Descobrimento

a beleza nos carros de passeio
e a falta de inspiração
me atormentam nesta tarde fria

minha bochecha esquerda dói
eu tenho torradas para comer
e amanhã verei quem desejo

as buzinas e sirenes de bombeiro gritam do asfalto
minha barriga ronca
minhas costa doem
e eu preciso dormir para acordar amanhã,
mas não posso, pois estou presa entre paredes cercadas de ar condicionados e janelas

faz frio. muito frio por aqui e o meu casaco não é suficiente.

meu telefone não se mexe
meus lábios querem beijos
meus braços; você.

eu aqui - nada de mim mesma- a me movimentar e inventar loucuras. espero que o tempo passe e que isso seja logo. os ponteiros do relógio devem executar sua dança logo.
logo.
rápido, mais rápido!
tão rápido até que as molas se soltem e se percam da engrenagem.


eu aqui presa a sentir dor nas bochechas
a pressa lá
eu apressada querendo. querendo. pedindo. desejando.

eu parada a movimentar loucuras no cérebro e o dia a passar lento
a noite não mostra a beleza nos carros de passeio e o barulho das sirenes de polícia é mais alto

ao acordar o dia se faz mais bonito.

jorro


era tarde
debruçada na janela
lágrimas a vazar nos passantes

torradas espatifavam-se nas mandíbulas
o farelo a dissolver na língua falava verdades

ela não tinha fome; porque então comia

ela tinha medo; de que?
ah! De tanta coisa que era até difícil separar as pedras do dominó.

ela sentia-se amada e amava. uma dádiva pensariam uns. um tormento outros.

a desilusão estava perto ou era incerta? inevitável talvez. impossível, ela diria.

ela não desejava, mas tinha medo e queria ter todas as certezas em todas as horas. ela queria perguntar se ele estava ocupado e ouvir um: não! tenho todo tempo do mundo para você. ela tinha medo de telefonemas sem eu te amo. ela pensava que talvez estivesse ligando demais para ele, mas ela não conseguia respirar sem escutar aquela voz ao menos 2 vezes por dia e ela queria dormir junto todas as noites e não podia, pois ele estava longe.

a noite longa.
fazia-se tarde.
contemplando a paisagem; ela.
farelo de torrada a cair na calçada.
lágrimas atiravam-se nos transeuntes.