
há trinta e um anos atrás...
nada que se pegue nas mãos, mas muito que carrego nos ombros, na mente, no coração. fragmentos.
sou um pedaço de quebra-cabeça ainda; uma peça - às vezes perdida ou encontrada.
muitas vezes me perco, me acho, me colo com "araldite", "superbonder" e até cola "polar" - sim! cola plástica, de colégio mesmo.
há muito e muito procuro. deparo-me com surpresas pelo caminho - algumas agradáveis, mágicas, sem explicação... outras... ah! outras tão esquisitas e desnecessárias.
muitas vezes a peça que tenho nas mãos para "me montar" não é a peça certa, mas tenho amigos, sabe?! eles me fazem perceber que nem tudo está perdido e que existe esperança para continuar, mas - continuar o que?
a busca, oras!
por entendimento - ser entendida e entender. viver, sentir, perceber. compreender. segurar nas mãos algumas certezas e até àquele primeiro raio de sol da manhã e olha que tem sempre um amigo me dando um papel "kleenex" para assoar o nariz, pois sempre acordo alérgica.
eu nasci há trinta e um anos atrás e continuo tendo um ano de idade quando se trata do meu aniversário. é sempre uma data especial, sempre me surpreendo com o carinho das pessoas comigo; pessoas digo; amigos - de onde acho que nem tanto carinho assim tem, acabo recebendo um caminhão de afeto e beijos e abraços e palavras belas e verdadeiras.
sei reconhecer quando estão sendo falsos comigo - os amigos não; as pessoas - pois parte-se sempre do pressuposto que amigos são amigos e ponto final. e sim, sabe... tenho amigos... e tão de verdade... que posso pegá-los nas mãos e carregar no colo.
amigos, como já disse em um poema anterior - são as figurinhas do meu albúm - amigos são as peças do quebra-cabeça que procuro. amigos são o melhor pedaço de bolo, o chocolate mais macio, o poema mais perfeito e tudo de melhor que o mundo, a vida podem oferecer... a existência.
amigos, meus amigos são a minha experiência e a minha razão de existir e viver. só estou aqui pelos amigos - só caminho para frente e continuo a minha busca, porque tenho amigos e sempre por perto. antigos, novos, no meio do caminho... amigos.
sempre - meus amigos - me salvam do abismo, do poço, das coisas ruins... das núvens negras. - mas não os tenho; cultivo, só por isso...
e sim porque gosto de celebrar, de sorrir, falar bobagens, ler junto, escrever junto, tomar cerveja, falar poemas, discutir literatura, filosofia, relacionamentos amorosos com eles. gosto de estar com eles e gargalhar. gosto quando eles "pisam nos meus calos" e brincam comigo. gosto de ser criança com eles... e adolescente, adulta também.
gosto de crescer com eles. e entender, descobrir o mundo ao lado deles... explorar, reconhecer território, partilhar descobertas. gosto de viajar para a lua com eles, sair por aí na calda de algum cometa e procurar o fim do arco-íris.
gosto de pisar no chão com eles e até das asas que eles desenham nas minhas costas.
*mamãe e celinho e papai (onde você estiver)


