8.5.07

pena assim coisas devam ser
longe
logo a dor perto
sentir
sorriso apaga aqui

ciúmes e brigas
deixados de lado
disputa? não há
amor? inexiste

tem outras coisas entre nós
além do efêmero
a carne trava um diálogo com o desejo
o olhar é mais lascívia
que ternura
e é engraçada
uma história que volta
sem voltar
um desejo que sempre esteve presente
o carinho maior
que o carinho

compromisso não faz me pensar sobre o que é amor
senão uma roda gigante patética
girando através dos anos sem saída,
sem escape
tonta
girando desvairada
centrifugando vontades animais
desejos de caça
instinto de macho e fêmea

pluralidade no enlaçar de mãos
no roçar dos corpos
no suor misturado no lençol

basta um suspiro,
um gemido
uma sensação de leveza para saber
que a conexão se estabeleceu

os olhos se abrem
salivas conversam os lábios
um beijo
foi assim que tudo começou.
Tenho tentado não pensar.
Tenho tentado desfalar.
Tenho querido des-sentir.

Ando precisando me pensar.

4.5.07

dunno how to swim

a luz da ilusão chega agora
não sei
a voz da solidão se perpetua
talvez

antes pensa
contabiliza durante
chora depois

faz o que quer
não pode

deve sempre escorregar solfejos de querer
deixar sair para que uma hora se quebre
a escada de pássaros desafinados
e se transforme em voz
de pensamento
fazendo a foz do esquecer
imersa em folhas
afogar

desafalecer no mar salgado em bolhas tristes
para brincar de verdes pétalas
último suspiro na concha das árvores

1.5.07

"engano é quando tudo parece que vai e, sem mais nem porquê, fica"
janelas embaçadas
como ruas cobertas de gelo

pneus escorregadios de carros com tração nas 4 rodas

quatro voltas no entorno confuso de uma mente
que não mais vê estrelas e borboletas
somente martelos e passarinhos
mãos finas como asas de pássaro
levantar vôo em direção ao ponto mais alto da cidade
desconhecidos caminhos do vento
paisagem nunca vista

são assim as sensações
quando me tocas
são assim as rebelidias quendo
com lágrimas nos olhos
me levas
porque se foi.
duas da manhã
o sono não vem
o sonho não se permite chegar
estrelas choram no céu
carros passam na rua
olhos se fecham
e é impossível adormecer quando
a única imagem que vejo é você
é difícil viver fugindo do que não posso ver em mim
pensando em correr para seus braços
fugindo da escuridão
inundando as madrugadas sem sentir
o hálito fresco das manhãs
em que eu me alimentava de ilusões

o esperar que não vem
do seu gosto de floco de neve
que queima a língua
faz o coração ofegante
uma overdose nicotínica
preenche as veias
tenta suprir a fome que meu corpo tem de você
sei que estou me matando acelerada
e deliberada e indiscriminadamente
destemida
delinquente cometo crimes de amor

furto palavras por dizer
frases ditas sem saber
noite que não devia ter fim
assassino desejos
esfaqueio vontades
estrangulo o amor
a paixão...
quero estar ao seu lado, mas...

suicida que sou fujo de mim
penso em você
fecho os olhos
esqueço
adormeço
não penso

minha carcaça é formada por ossos
que nem na escola merecem ser estudados.
adoro torturas
torturas emocionais
o quebra-cabeças de você é uma tortura
e eu devia odiar isso, mas...
adoro!
adoro criar na minha mente maneiras de te montar
quebra-cabeça é um jogo solitário
e não tem como trapacear
se eu monto, vejo a figura
se falta uma peça fica incompleto
o tempo depende de mim
é uma tirtura montar quebra-cabeças
sem você
não adianta usarmos as mesmas cores sem saber
a madrugada é fria mesmo assim
sem sabermos verde que nos enche de esperança o dia
a noite esmaece

descordena a órbita dos acontecimentos
desaparece num piscar de olhois
enquanto beijas outra
olhas para mim
sonhei que chovia
ainda triste me pus a observar o céu
alguém chorava acima da nuvens
o aguaceiro era formado por lágrimas contidas em mim todo esse tempo

inclinei a cabeça para ver mais de perto achuva
gotas no rosto ensaiavam o choro tímido que não saia de mim

e na chuva
eu já não sabia se era água ou poça ou eu

a chuva era forte
e eu pensava em você
tive febre
delirei ainda viva
na sombra do quarto
esperei o tempo passar
e te ví tão perto

achei que seia possível tocá-lo
em meu delírios
relutei levantar para alcançar-te
em meio à chuva fria

mergulhada em delírios
era fácil te encontrar ao lado
as possibilidades ventavam a minha frente
tudo era sonho
ei alguém me tira dessa jaula! preciso respirar dessa mentira.
é você! vem cá! me tira daqui! essas grades me tiram a visão do mundo!!! não consigo ver a floresta. eu tô claustrofóbica e histérica! eu não sou má! nem perigosa! não ameaço ninguém!!! me solta! senão vou continuar gritando!!! daqui a pouco vai escurecer e esfriar. aqui não tem comida nem cobertor. não vou poder evr o noticiário sanguinolento na tv e nem ouvir o tic-toc do salto da vizinha no andar de cima. eu não vou poder saber a que horas você chegou e nem quando vais dormir.
me tira dessa jaula. por favor!!! alguém... ei! você!!! tá ouvindo? oi! vem cá! você tem a cheve...me solta! vem! ei! sim!! me deixa livre!!! assim vou me matar sozinha! eu não aguento mais!!!!
não decifro a voz
da solidão.
a voz da solidão pronuncia palavras difíceis de compreender
em aramaico poesia não flui
distribuída em desenhos rocócós pelo papel
letras atropelam-se nos ouvidos
o sangue fervendo arrepia os pêlos do braço
por instantes a pele se solta
e eu não sei mais
quem sou
em minha veias
as frases longas
não compreendo
acho que de repente...
emburreci

a solidão me causa confusão mental e amnésia
e eu não entendo mais o mundo
as palavras
nem você

acho que me perdi.

short ones

sorte grande
loteria
acertar teu coração
eu queria

=^..^=

tanto quis
o pó de giz
ser poesia
que alergia

=^..^=

foda querer ser fada
fácil bruxa ser
varinha de condão roubam
vassouras não!

=^..^=

vale uma viagem para Paris
escapei por um triz
daquela queda de avião

=^..^=

unha róídas
meus caminhos são
sem saída

=^..^=

equi-li-bris
estão
colibrís.

=^..^=

corda bamba
tênis sujo
escorreguei
saí.

=^..^=

café forte
ver a sorte no fundo da caneca
borra?
pois é!

calor

o coração se aquece de mágoas e necessita de água para equilibrar a temperatura enquanto ainda é dia

as nuvens se escondem do sol. já estão queimadas demais.

seria verdade a ilusão se não fosse a chaleira na tarde clara entes do sol esconder-se.

o sol nunca foi presente entre nós
mesmo quando sorrisos eram maiores que lágrimas
e a chuva nem pensava em escorregar do céu

meu corpo era lua
o seu tempestade
o inimigo estava próximo
prenúncio de frente fria.

será?

que existe remédio para a doença que é você em mim?
tem remédio para desintoxicar de meu corpo você?
e para a dor de cabeça que é você?
e para a depressão que é não ter você?

tem algum tarja preta com fórmula mágica para curar a dor de um amor?

eu duvido.
eu duvido.

how to

como editar um livro
sem falar de você
das horas reais e das imaginadas ao seu lado

como escrever poemas
sem fantasiar o lado bom do passado
e incerto do futuro sóbrio
e o presente que não evolui?

é obsessão

eu já gritei e já chorei e já briguei tanto para dizer que te queria...
eu briguei tanto para fingir que não sofria...
tudo era simples assim

o amor era realidade batendo em meu peito
que achava até que ele tinha moradia certa nesse lugar comum
tudo era complicado desse jeito

uma hora a janela abria
o horizonte aparecia
o vento vinha,
ela batia
meu nariz era quebrado
e até cicatrizar e voltar em outro formato
tudo era dolorido assim

até àquele dia em que você me fez abrir a porta e sair...
eu não entendi nada
nada mesmo
agora
eu sei.

e daí...

que vc também me ama
que você me quer
e que a gente sonhou com um mar cor de rosa e um céu de arco-íris?
e daí que a gente pensou que a felicidade era a guerrinha de travesseiro e as gargalhadas ao acordar?
e daí que a chuva tá forte e a gente pode pegar uma pneumonia?
e daí que a minha coluna dói e eu tô cansada?
você não sabe o que quer
ou sabe demais...
e daí?
quem não sabe nada
quem nada sabe ir devagar sou eu
ser homeopática
tranquila
ir com pouca sede ao pote...
sou eu.

sempre comprei muita briga e corri atrás dos meus objetivos
mesmo sabendo das impossibilidades.

todo esse eu te amo
eu não posso
só eu quero
nunca mais...
vai ser o que vai me fazer rir futuramente
rir de mim e da incapacidade e do resto todo
porque eu quero esquecer
dos cafunés e das guerras de travesseiro ao amanhecer.