27.5.07

wrong

kilômetros, ruas, itinerário
[distâncias]

ânsia na cidade grande
ansiedade de encontrar alguém que seria
já que existem
tantos bairros, tanta coisa, tantos eus, heins e você.

tantas bocas, olhos, lábios, cores, tamanhos, alturas, larguras, velocidades...
tantos nens, tantos nuncas, nãos...

erros, nojos, repulsas
sinais de trânsito, calçadas, esquinas, encruzilhadas
tantas chances de encontrar alguém...

planos sempre adiados.

não adianta!
querer é não poder
distrair-se é encontrar
às vezes é só uma frase,
um olhar...
o corpo descobre a hora certa de tremer
mesmo que esteja errado.

um dia vc me disse:

sou teu sol
você minha lua

clichê de ser

surto

o amor nasce em pontos finais
paixões mornas morrem
o sofrimento ao contrário que pensam
é menor quando o amor se apaga no outro
ao invés de em você
o amor que morreu em outro
vira o presente de amar aqui

[em si]

íntimo sou eu
paixão enlouquecedora
não percebe a chama

de repente bate o vento
apaga no susto
chama paixão

dor dilacerante que corta, suga, divide, mata
no atravessar da rua
dor se transforma num cruzar de almas
em um manicômio novo,
de repente.

running

ser corpo sem alma
me calo,
separo
jogo pétalas de margarida
pelo chão para saber
como voltar para o jardim

eu te fujo
e me corro
com medo da paixão
encontrar com a gente
no meio do caminho.

não

deve ser devaneio
não quero
não posso
não devo
é um retrato de mim ser intransigente,
indecisa
fantasiosa em todos os mistérios.

tenderness

é ternura esse amor descontente que passa por mim de repente
sem sorrisos com dentes amarelos escondidos atrás da boca
e uma língua claustrofóbica querendo vencer a barreira dos lábios
encontrar a sua é tão somente sua boca simples olá e saliva
ou um delírio que eu ache de súbito
um beijo nosso guardado entre memórias de bar
para que a conexão se revele como um negativo de sensações
perdido entre os lamentos daquele querto de fundos
e sua luz vermelha sempre acesa.

as if...

se soubesse usar saias honraria o movimento libélula das minhas pernas desfilando pelas calçadas e esquinas da sorte

se soubesse guiar meus passos pelos caminhos certos não cruzaria seus olhos com minhas calças erradas
nem passaria momentos de descanso pensando em horas vagas com você

vagabundeando sem rumo pelas horas que faltam para o nosso próximo encontro
quando sou aquilo que não poderia aparecer

outono

me elevo
no meio
relevo de não ser mais
como folha viva
cheia de ranhuras,
veias rasuras,
por onde o líquido
sangue
transborda agora
desmaio pela falta
quando o medo dentro sobra
e a alegria esmaece
como a folha seca
sem sentir.

null

na paisagem era o verso
na passagem o verbo
na boca do interlocutor
pensamento que invade o pensamento abstrato
tocando paredes do vento
palavras amorfas batem nas árvores pelo caminho
espalham desejos pelos encantos do mundo que fica assim...

não penso
pensar é sentir
palavras falar

volver, voltar
bater na porta
regresso da alma ao estado bruto
estudo diamante sem lapidar
estado ilusão

coração esquisito
estranha sensação arrebata hiatos,
virgulas do tempo

cinzento é o céu sem estrelas
fosco, sem brilho
contorno
o que contar de a esmo
palavras...

contexto do amor
desenhar círculos imaginários
atravessar a ponte vazia
sem direção
cair no rio
velocidade suprema de morrer

abrir os olhos,
renascer sabendo do infinito
ir além

amar de mentira...
platônico espaço de tempo
vida vazia de emoções.

21.5.07

vá ao show, identifique-se com as músicas e misture tudo...

Exagerada.

Sim, muito pra mim é pouco. Pouco é um pouco demais. Sim, viver tá me deixando louca e nem sei mais... do que sou capaz. Para não ficar rouca eu grito.eu sou toda errada e sim pouco eu não quero mais.
Muito eu sei que não terei, pois muito é exagero demais!Devo ser mais contida, mas viver menos é impossível. Eu não sei. Sem você nem sei mais chorar. Chega! Não me condene pelo seu penar. Pesos e medidas não servem pra ninguém nos comparar. Eu não pertenço ao mesmo lugarEm que você se afunda tão raso não dá nem pra tentar te salvar.Muito pra mim é tão pouco e pouco é um pouco demais. Não é a quantidade que faz a estrutura de um grande amor. Ficou difícil. Tudo aquilo, nada dissoSobrou meu velho vício de sonhar, pular de precipício em precipício. Pagar pra ver o invisível e depois enxergar. É difícil assumir que é uma pena, mas você não vale a pena. Não vale uma fisgada dessa dor. Não cabe como rima de um poema. De tão pequeno vai e vem e envenena e me condena ao rancor. De repente, cai o nível e eu me sinto uma imbecil repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado o velho texto batido dos amantes mal-amados, dos amores mal-vividos... E pra não ter recaída não me deixo esquecer que é uma pena, mas você não vale a pena.

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Show da Maria Rita (sábado- Fundição Progresso) - músicas Muito pouco e Não vale a pena.

São a minha cara?
Será???

Claro que sim, né Mari.

*rsrsrsrsrsrsrs

Ganhei e publico

(I CAN'T STOP

Quando escrocrevo réquiens
Credos,
Recorro à cartilha do vazio
Um zero Kostelanetz
ô ô ô ô, tímpano
Bula de claraviol
a conter multi-centi-grados
- Xavier de Almeida -
mister de boticário maior
Com duas descargas
Fulmina a récita
Sujeito/rejeito de Octávio
Categoria final
Inferno do cotidiano
Curso de franmarketing
Ao encontro do razor blade de Kant
LOVING YOU).

2 - Sem título

Na republiqueta
do circunflexo
Inter calo
chopp esquético
x
inutilidade pública
com os sói dizante
ferro de engomar
tendo como pano de fundo
música para taxímetro
Na placa: Aluga(m)-se vagas
para dar a luz às pressas
transportes de liteira
inteiratura do vaso
jogo de palavras
urdidura de mosquito
jorro
raquete de baseball
na linha da Parker, 1951

3 - Ideal standard
I
Os dementes estão perdidos
em via de estarem desempregados
Hai-cai
Com tamancos de português
O trivial variado
A marca do isqueiro: Ronson
Rrrrroar da pan critic
II
O título do ano
instituído nau
Deste Anno Bento
Célere coração 200 decibéis
Da bancada do livre-pensador
Incluíndo o seco whiskey do saber?
Foi o da porta-voz do soviet supremo
Sra Akmatova, a tzarina do vento
Através das torres de transmissão
Vales, vácuos de análise
- enquanto os doutos pândegos daqui -
Se elegem em uniformes de gari
Háá, um yellow cake
Princípio do fim: blooom.


a.h:)

18.5.07

Desire

Desejo escorre lentamente como se soubesse o caminho para uma história feliz.
Burro!
Não sabe de nada o desejo.
Não entende. Não mede esforços!!!

Tudo cá; displicente
Tudo lá; lentamente
E eu a sair por aí
numa estrada que
não me pertence

[INTRANSIGENTE]

Transe existir
neste sim
neste não
talvez.

as if...

Se você gosta de mim; entenda
Se não gosta; interna!

Inferno viver não saberes de sim
Talvez ser bem-me –quer
Páteala não-me-quer
Pedaço de escrever
Chão.

Blood

Sangrar abstrato
Ferida pele
Densidade degradê vermelho
Pálido forte
Pálido forte
Pálido sorte
Pálido fraco
Pálido seco
Pálido zum
Pálido sentir
Pálido sabe
Pálido vida
Morte!

Dos pulsos a dor sumiu
É tudo vazio!

Do outro lado do espelho

Tento esconder-me de ser estabanada.
Tento levantar-me dos tombos em que me encanto chão.
Cicatrizes abrem e fecham como zíper numa velocidade que beira o absurdo.
Sentir-me impotente diante das coisas impossíveis.
Como mudar?
Saber é esse sentimento que gostaria de não conhecer.

Quem além de mim faria planos de rasgar pedaços de fantasia para no chão de novo pisar?

To be ...or...

SER não se vestiu hoje para sair
Quem me despiu hoje foi o MIM
Por onde anda o EU?

Something

Alguma coisa que sua
Alguma coisa que siga
Alguma coisa que seja
Cega, surda, muda, linda,
morena, loira, japonesa, magra,
bem torneada, artista...

Alguma coisa que além
do meu abstrato sentir

Alguma coisa que surja do infinito belo feio
buraco oco do meu tempo em linha reta
no zig-zag dos dias.

Shhhhhhhh!

Silêncios desconfortáveis
motivo oculto
açoita a mente
escrava confessa das palavras

Palavras boas de ouvir
mudas surdas
dão colo e abraços
molham e fervem
ferem

Silêncios são insuportáveis quando preciso ouvir.

King Kong

Detesto pagar mico
Ficar vendida
As pessoas geralmente não se lembram do dia anterior
Eu?
Queria esquecer.