19.5.08
Amanhã
Entrava no caldeirão de sonhos. Desenhava imagens no caderno. Ela desejava ele e sabia que só no amanhã de muitas manhãs depois daquele dia. Já tinham cumprido sete meses em regime de reciprocidade. Era amor. Quanto mais deveria ela/ele esperar para colocar as finanças em dia e fazer prospecções de futuro. O quanto mais deveria ela esperar para ter uma casa montada? Uma casa com aquele homem dentro. Uma casa com cheiro de jantar todas as noites. Uma casa simples, arejada e feliz.
Ela pensava e do pensamento saltavam faíscas. Ela desejava aquele homem ao lado para sempre. Ela queria pular as etapas, mas não era possível. As lágrimas escorriam. Era outono. As folhas caiam da árvores. O céu rugia. Ela leoa, ele leão. Era tarde e ele sonhava com ela. O ouvir da voz, alimento. Era emoção.
O coração palpitava. O tempo era etéreo. A crença eterna. A eternidade surpresa.
Os dois, os olhares, desejavam-se.
Os corpos, um só.
Era outono. As folhas cairiam das árvores. Desejos rugiam no céu.
Era hoje. Ela acabara de acordar.
Campanha da Revista TPM: "Fernando Pessoa não é "fofinho".

"Falsos textos atribuídos ao poeta fazem ele ficar com fama de poeta de debutante, que escreve coisas estilo auto-ajuda. Como somos pretensiosas, começamos aqui uma campanha para salvar a memória do mestre “Fernando Pessoa é coisa de adolescente.” Há tempos os fãs do poeta português estão sendo obrigados a ouvir essa bobagem. Como se o mestre fosse uma espécie de escritor de auto-ajuda. Espera lá! Já que o Pessoa está morto, achamos que alguém tem que zelar pelo seu nome. E, neste caso, resolvemos assumir a missão e começar a campanha: “Fernando Pessoa não é fofinho”. Coitado do Fernando! Ele deve estar tendo um ataque epilético lá onde está (não sei onde é, mas é deus) ao perceber que virou um poeta de adolescente. Não, ele não merece isso!
Viemos por meio desta salvar o poeta, que não por acaso começa a ser considerado o maior poeta do século 20 (não em língua portuguesa, mas em todas). Na boa, como um cara que escrevia “parem com isso dentro da minha cabeça” pode ser fofinho? Outro dia mesmo a Ana Maria Braga leu um verso dele no seu programa matutino. Tudo bem. OK. Quanto mais gente conhecer Fernando Pessoa melhor, agora, o nosso amigo muito louco, “fumador de cigarros por profissão adequada”, “o indivíduo que fuma ópio”, virar auto-ajuda...
Falsas atribuições
Por que isso começou a acontecer com o pobre coitado?
1 As pessoas se apegaram a poesias mais bobas, tipo “Todas as cartas de amor são ridículas” e acharam que ele era fofo.
2 Uma praga tomou conta da internet e coisas que Fernando Pessoa nunca, em tempo algum, teria escrito começaram a ser atribuídas a ele. Exemplo encontrado no Orkut: “Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida”.
O Pessoa jamais escreveria uma bobagem dessas. Ele jamais compararia sua vida com uma empresa. E, não, ele não acreditava em Deus! Fernando jamais escreveria que ser feliz é agradecer a cada manhã pelo milagre da vida. Inclusive porque o Fernando Pessoa não era feliz, ele era POETA. Outra frase atribuída a ele: “O dinheiro compra um mausoléu, mas não um lugar no céu”.
Na boa, temos a pretensão de achar que podemos salvar o poeta e por isso pedimos: divulgue nossa campanha.
CONVOCAÇÃO (PRIMEIRO CEP DE 2008)
CIDADÃ CIDADÃOCOLABORE COM A LEI
COLABORE COM A LIGHT
MANTENHA LUZ PRÓPRIA
segunda feira 26 de maio / 20 hs
tEATRO DO JOCKEY(entrada de carro = rua mário ribeiro, 410 - estacionamento gratuito /
entrada a pé = rua bartolomeu mitre, 1110, entre o miguel couto
e a praça do jockey )
visite: http://cep.zip.net
com
madame kaos / bárbara araújo / eliza vianna / igor cotrim
gean queirós / daniel magrão / dudu pererê / marcello magdaleno /
glauce guima / kyvia rodrigues / alice sant'anna / na boa (andré maurois) / márcio januário /
dado amaral / márcio-andré / cecília borges + verônica debom /
tavinho paes / maurício antoum / chacal
O SONHO NÃO ACABOU
O CEP ESTÁ DE VOLTA
Apoio Prefeitura do Rio
7 meses
eu te quero agora, amanhã e depois
há um minuto eu te queria,
agora, te quero mais
o tempo passa e a vontade aumenta
as lembranças chegam com uma velocidade atroz ao pensamento
e o corpo responde aos estímulos
eu te quero hoje como ontem te quis
te desejo nas esquinas e subo pelas paredes como superherói
permito-me lembrar e sentir
corro no meio dos carros para chegar mais rápido a praia e mergulhar
canto, grito e me seco depois do mergulho
desejo mergulhar em você que faz o meu ar mais puro,
minha pele mais limpa
purifica meus poros...
ao seu lado eu quero estar agora, amanhã e depois
quero me deitar e dormir envolvida em você
acordar e sorver seu beijo
me absorver no desejo de estar com você
me alimentar da vontade de te fazer sorvete derretendo na língua
testar a capacidade de cumprir promessas, de sentir o coração pulsando
de fazer o nariz descobrir cheiros no travesseiro.
nossa coberta cheira a nós
eu e você, suores, sentires e fluídos misturados num liquidificador imenso
gangorra vai-e-vem intenso sobe e desce eloqüente como sopa quente
e aquece os vãos.
lembro de você nas nossas fotografias e te sinto perto
desejo meu seu corpo parque de diversões
preciso do seu beijo leve, intenso, forte
preciso do meu norte em você bússola
enquanto sorrio mordidas e sinto seu nome se escrever em minha boca
há um minuto eu te queria, agora, te quero mais
e é uma vontade que cresce, que sobe e nunca desce
é uma vontade prece, enorme e simples que surge e faz do tempo vilão
e da distância maldade
do corpo refém
faz da mente saudade, de mim pensamento e o tempo não passa e o dia não para (ainda bem)
faz do estar perto contagem regressiva
do amor progresso,
do coração brinquedo,
do suor suco
e de nós dois um só copo, corpo, ser.
faz de nós dois pente, serpente, gente, genética, olhar
faz de nós dois um mar
oceano de amor e paz.
13.5.08
Being Around by Lemonheads
If I was the grass would you mow your lawn?
If I was your body would you still wear clothes?
If I was a booger would you blow your nose?
Where would you keep it?
Would you eat it?
I'm just trying to give myself a reason
For being around
If I was a front porch swing would you let me hang?
If I was the dance floor would you shake your thang?
If I was a rubber check would you let me bounce
Up and down inside your bank account?
Would you trust me not to break you?
I'm just trying really hard to make you
Notice me being around
If I was a haircut would you wear a hat?
If I was a maid could I clean your flat?
If I was the carpet would you wipe your feet?
In time save me from mud off the street?
If you like me if you love me
Would you get down on your knees and scrub me?
I'm real grubby
From just being around
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*Eu realmente acho essa música um poema!
Respirar o que você respira
para você; todos os abraços mais apertados e gostosos do mundo!
estamos em cima de nuvens à dividir a sorte, os sonhos, o vôo.
mesmo quando o sol se recusa a nascer
a chuva é uma gargalhada em uníssono, saindo de nós.
e tudo se aquece.
2 anos de RATOS di VERSOS
Mas não passa de tempo!
Nesta quinta-feira, dia 15/05 No Beco dos Carmelitas s/n, Lapa(ao lado do Beco do Rato), a partir das 20 hrs será grande a pajelança, pois os ***RATOS DI VERSOS*** comemoram 2 anos de inebriante existência!
Poesia, música, poesia, papo furado, beijo na boca, poesia, tudo junto numa nota só!
E, para alegria geral da nação teremos grande banquete de queijos(afinal somos ratos), vinhos (afinal somos boêmios) e muita felicidade!
Então...
que eu te jogo na piscina
e te afogo no fogo de mil beijos
vem pro meu banquete
PS:E a revolução será novamente televisionada!
ICEBERG
Aí eu mando o número da minha conta, vc faz o depósito e eu mando por correio para a sua casa.
O preço do livro é R$25,00 e + o correio que deve ser umas 5 pratas dá um total de trintinha.
Bjos,
Juju
12.5.08
Mãe, compra figurinha?
Para Chacal, Beatriz Provasi, Marcela Gianini, Gean Queiroz e Igor Cotrim
páginas numeradas
cromos autocolantes
em cada pacote; uns quatro ou cinco
difícil completar as páginas
muitas sãos as figurinhas repetidas
as não encontradas...
poucas as raridades,
as especiais
t
desenhos animados, carros, futebol...
na vida, cada um procura a sua turma
e quem queira completar o mesmo álbum
quem compre os mesmos pacotinhos no jornaleiro...
completar um album é dificílimo sem recorrer à Editora
(quando faltam quatro ou cinco)
minhas (não sei se últimas ou primeiras) são meus amigos
autocolantes, brilhantes, especiais e únicos
mesmo que falte apenas àquela figurinha para o coleguinha do lado completar a última página
eu não vendo, não troco, não jogo bafo-bafo com minhas figurinhas
elas são a minha turma
a minha identidade
meu brilho
o sorriso que eu quero dar
elas são meus adesivos
e meu sossego
meu album completo e a felicidade de criança
que eu resgato quando os vejo
meus amigos são as minhas figurinhas
eles são meu álbum completo!
eles são as figurinhas que mamãe não pôde comprar
as figurinhas que eu escolhi para colar em mim.
6.5.08
da janela do ônibus; sinto faltas, ausências
[frio]
fecho os olhos
respiro saudade
lágrimas escorrem do meu peito
o gosto do seu beijo esfarela- se como o último biscoito do pacote
o sabor da sua língua faz o aproximar da nossa pele
o ônibus pula
abro os olhos
você não está aqui
a realidade está longe
e o buraco aumenta no meu peito aos sobressaltos.
gritos, sussurros
peles suadas
a noite pertence aos amantes, a noite pertence a nós
a noite é vermelha, louca e interminável com você dentro de mim.
a noite são abraços, roncos, gemidos, sorrisos, suor, perfume, calor, tesão;
a noite é adormecer.
acordar e ser sua embrulhada eternamente nos lençois de seus dedos que me tocam, penetram, invadem, me sujam, limpam, lubrificam e atiram balas de festim nos meus sentidos.
suas histórias, palavras, canção
seus olhos, olhares, respirações
são veneno,
um vício que me cura de todos os males
eu te vejo, te sinto, te enxergo e esqueço de todos os erros, das linhas puladas no caderno, das palavras riscadas, do "liquid-paper".
você é o acerto que me faz alegre
a felicidade que me habita
a cor do meu coração
todas as lágrimas que por ti derramo são emoção que brota à flor da pele.
é poro que explode em flor e a vida que faz de mim menina, mulher.
incrívelmente tua
incomensuravelmente eu embriagada com sua paz
pacificamente princesa
totalmente entregue aos lençois que envolvem a nudez das nossas almas
quando sutil ou violentamente nossos corpos delicadamente se invadem.
seu estar aqui mesmo de longe faz-me saber do seu pensamento peto e das suas mãos acariciando a minha pele que macia está pronta para suas carícias leves, fortes, longe, perto.
seus apertões e beijos meu corpo receptáculo de você.
seu corpo causador de todos os meus prazeres rock n´roll. seus lábios, sua saliva, seus lábios, sua saliva, seus verbos; meus versos.
dezenas de gritos, sussurros. morte, vida, "ais", paredes, travesseiros, línguas, palavras, pulos, uivos, água!
plantas no meu jardim.
você longe...
o pensamento perto.
te amo!
te amar
um lago de lágrimas
um não saber e uma felicidade constantes
uma certeza como um risco de giz num quadro negro
ou uma pintura valiosa na sala de jantar
te amar pode ser uma taça de cristal espatifada
ou um corte talhado no pulso por um cirurgião
uma cicatriz eterna
soluços intermináveis
a sorte de ganhar na loteria
cores, cores e mais cores;
te amar é a certeza mais certa
o cabelo mais liso
o olhar mais brilhante
e o chopp mais gelado.
te amar é um grito
um susto
um abraço
dois beijos
calor e
tudo o que se quer interminável.
Explodir
deixar de...
cansar de....
não pertencer mais a alguma coisa,
um alguém.
explodir como um amor que acaba num fim de tarde
uma despedida de costas para o pôr do sol
aquela lágrima que desce ainda tímida até virar histeria.
um choro histérico que parece que o vulcão dentro de nós acordou.
aquele choro que afoga o travesseiro e produz uma corisa interminável
aquele choro que limpa como um riacho todas as manchas de um interior mal pintado por um pintor ruim.
explodir podia ser o contrário do que é
podia ser deixar de ser
podia ser um prefixo ao contrário
podia não existir.
detesto ser vulcão, gritar, explodir.
Bang Bang
pode ser um desejo
o céu está tão azul por aqui
que eu tenho medo de olhar e ficar cega
no deseto era tudo tão monocromático...
vontade apenas de fugir estrela e mergulhar.



