31.7.09


DAQUI.

*LINDOOOOOOOO!

Elétrons e Prótons



Daqui.

****Adorei!!!

+ + + Leprevost

Especulações sobre o amor simples

eu já tinha aprendido que
não se pode ser sincero com as
mulheres quando você está
completamente de quatro por elas
então resolvi mentir
menti menti menti menti
menti durante umas duas horas
até que passamos para ação
e por causa de tal ação era eu o
inoportuno que dormiria na
casa dela naquela noite
no outro dia pela manhã ela
pensasse o que fazer a meu respeito
por enquanto apenas
daríamos uma boa... você sabe
tão boa que a confundiríamos com amor
não é esse afinal um dos
dilemazinhos seriíssimos
da humanidade, quando o
sexo é muito bom a gente
acabar confundindo com amor?

Luiz Felipe Leprevost

*Sabem que eu concordo?!

sobre fagulhas e pudim de leite (III)



foi muito difícil a inquisição.

me lembro de estar no meio da fogueira, mas não senti dor. ela ficou presa na minha espinha, nos meus ombros e até no dedão do pé direito - só nos ossos e bem dentro deles. tão dentro que nem pude quase sentí-la na pele.

a pele do meu corpo queimava e derretia rapidamente. parecia que eu estava envolvida em plástico. minha pele queimou tão rápido que nem senti dor. eu era um pacote vazio de salgadinho queimando na fogueira e só meus olhos ardiam com a fumaça.

foi muito difícil entrar ali. tive medo de sentir dor. uma dor que ao invés de meus olhos, fizesse me arder a alma, mas não senti dor. nem dor, nem nada.

antes de entrar ali eu tive medo, mas decidi que estava pronta quando uma amiga me segurou pelos braços e disse: levante a cabeça e vamos. parecia que estávamos entrando na igreja para casar, mas na verdade ela estava me levando para a fogueira e eu decidi: estou pronta. deixa queimar!

dizem que o fogo limpa. a mesma coisa que dizem da chuva. que a chuva limpa. sim. a chuva limpa apaga o fogo, acaba com ele. existem várias lendas a cerca desses símbolos - água, chuva, mar, sol, lua, estrelas, etc. para mim, não são apenas símbolos, mas sim, guias de vida.

é uma confiança tão completa que se torna algo assim automático parecido com o movimento de abrir os olhos de manhã ou quando a insônia vem. isso deve fazer parte da espiritualidade. ontem alguém me disse que eu era espiritualizada e se orgulhava de mim e da minha coragem.

eu também tive orgulho de mim por ter enfrentado as coisas e entrado na fogueira com a cabeça para o alto, um sorriso no rosto e minhas sapatilhas prateadas.

foi muito difícil, mas sobrevivi. dormi enrolada no meu edredom e sonhei com carneirinhos cor-de-rosa.

antes de dormir comi pipoca com sal grosso e isso limpou as tristezas, medos, angústias.
o vento carregou tudo para longe - as sextas-feiras cinzentas, os cortes nos pulsos e até os dedinhos quebrados do pé.

acordei bem. abri os olhos naquele movimento automático e minha pele já estava refeita. meus poros respiravam com tranquilidade. o céu continuava nublado e fazia frio. muito frio, mas é para abrandar o frio que existem os casacos de couro e cachecóis. ainda coloquei na mochila um guarda-chuva para caso chovesse, mas na verdade quero me molhar bastante se a chuva cair. entrar embaixo dela como se estivesse entrando no banho. quero sentir minhas roupas molhadas e o rímel escorrendo pelo rosto.

de quentura estou cansada. churrasco só para comer. fogueira apenas para assar aipim, batata doce e cebolas.

que a chuva caia, lave tudo e depois espalhe no ar aquele cheirinho delicado e doce de grama molhada. da minha infância.


...

Fuck you, fuck you
Very, very much
Cause your words
Don't translate
And it's getting
Quite late
So please
Don't stay in touch

*Pq eu amo essa música!!!!

sobre alma e reflexos no espelho (III)

Para Beatriz Provasi,
Marcela Gianini
,
Adriana M.D.B.,
Karla Sabah
e
Tavinho Paes

para tudo que é perfeito

falta um diamante

algo que não pode ser feito,

apenas achado


encontrado na montanha

ali bem longe

do mar


algo que pode se encontrar

em olhos sangrentos de medo

e de bem-dizer


essa noite

tudo está apenas

começando


[e onde você acha que acabou?]

tudo está apenas começando


é como um fio, um retalho

é como um alho e suas infindáveis

cabeças

é como um alho

e tudo está apenas começando


-é sempre o primeiro-


o primeiro temperar da carne

[depois dos tapas]


é a dona de casa inexperiente

querendo impressionar

ao fritar o primeiro bife

pro marido

todo mundo sempre foi sozinho,

todo mundo sempre teve um coração

munido de esperança

todo mundo sempre teve um coração bomba-relógio

um coração

granada

prestes a explodir

ao primeiro grito

ao toque de alvorada

do exército


todo mundo teve; tem um coração

fogo de artifício

e não é sacrifício nenhum

assumir isso


é a verdade

a real realidade dos fatos


eu tive um coração em quem eu confiava

eu tenho um coração que explode

como estalinho

eu tive um coração em quem eu não pude

confiar

eu tenho um coração que explode

feito estalinho

28.7.09

Da Fadinha da poesia...

hipocrisia causa

azia

!

vou tomar um

antiácido

para

suportar a

histeria de

sua

hipocrisia estampada na

fotografia e

ficar de

bem com a

vida

(

o Ministério da Saúde

adverte

:

afetação de virtude causa

danos à

alma

)

!

- Graça Carpes

Daqui.

*100% apoiado, amiga!



The What's your lоve story? quiz

Across the Universe

It was written in the stars: You belong to each other. Your dream love story resembles Lucy and Jude's. You came across each other in the most non sense way. You are the kind of rebel couple that doesn't stick with the same old routine. You take risks and like to life to the fullest, enjoying every single experience. You're more likely to enjoy the 60's and of course, the Beatles. They already said way back behind that you would love to love each other. Throw yourselves into this crazy passionate love story and be happy. But do not use drugs - it is not as cool as it was fourty years ago.


Daqui

27.7.09

"Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair"

(Caio Fernando Abreu)

24.7.09

Instalações - Paulo Sandrini

Tenho quatro asas.
E uma vontade imensa de voar.
Mesmo se me cortarem duas asas, posso voar com as outras duas.
E certamente o farão.
Duas asas já seriam de se estranhar.
Imagine quatro.
Nesta comunidade as pessoas não possuem nem mais as pernas.
Quem dirá asas.
Voar é uma dádiva.
Voar com quatro asas seria pra lá de uma dádiva.
Nesta comunidade as pessoas não podem caminhar.
Por isso cortaram minhas asas.
Duas asas.
Mas me sobraram duas.
Quando eu tinha quatro pernas também me cortaram um par.
E quando cortaram, logo me cresceram as duas primeiras asas.
Depois cortaram as outras duas pernas e me crescerem mais duas asas.
Preocupados com as pernas, esqueceram-se de me cortar as asas.
Levaram um tempo cortando apenas as minhas pernas.
Quando perceberam, eu tinha uma dúzia de par de asas.
Foi nesse período que as pernas pararam de crescer.
De tanto serem cortadas, desistiram.
Aí fiquei igual a todos os membros de nossa comunidade.
A não ser pelas asas.
De quatro pernas, fiquei sem nenhuma.
Mas com uma dúzia de asas.Que passaram a ser cortadas, pois minhas pernas já não eram o problema.
Tiraram onze pares de uma vez.
Me sobrou um par.
Acharam que por inaptidão eu não saberia usá-lo para o voo.
Apenas um par de asas, pensaram que era só um problema estético a resolver.
Ou deixar de resolver.
Com o tempo, acreditavam, as asas cairiam por falta de uso.
Eu pensei o mesmo.
Foquei minha atenção no uso dos dois braços a mais que cresceram em mim.
Fiquei com quatro.
Dois pares.
Duas mãos
Vinte dedos.
Quando me cortaram o primeiro par de braços, mais um par de asas surgiu em mim.
Quando cortaram meus últimos dois braços, mais um par de asas.
Fiquei com seis.
Três pares.
Muitas penas.
Nesta comunidade andamos de braços dados com a inveja.
Mas as pessoas desta comunidade não possuem braços.
Por problemas de ordem estética, disseram, foi que cortaram dois pares de asas.
Novamente fiquei com duas.
E poucas penas.
Suficientes para alçar voo.
Mas por falta de confiança permaneci no solo.
As asas ficando pesadas.
Quando as movimentei pela primeira vez, após muitos dias de esforço intenso,
toda a comunidade parou.
Estavam estupefatos.
Como castigo, arrancaram-me as penas, só as penas.
Depois de terem me arrancado braços e asas e pernas.
Só as penas.
Me tornei um espetáculo estético.
Um homem alado com asas sem penas e que não podia voar.
Eu era como uma instalação artística.
Me puseram na praça central e todos me observavam dia e noite como
sendo a obra artística chamada de “Asas inúteis”.
Gente do mundo todo veio ver a instalação que eu havia me tornado.
Acharam até um artista conceitual da comunidade para assinar a obra.
Mas ele não pôde.
Não possuía braços.
Ficou com raiva de não poder assinar e quis acabar a pontapés com a instalação.
Pena: não possuía pernas.
Então chamaram um artista estrangeiro muito conceituado para assinar a obra de arte em praça pública.
Ele veio.
Tinha pernas e braços.
E também asas.
A comunidade o detestou e cortou suas pernas e braços.
Arrancaram-lhe as penas às asas e o colocaram ao meu lado, na praça pública, como se fosse ele também uma instalação.
“Asas inúteis II”, o nome.
Então decidiram que a própria comunidade assinaria as obras de arte.
Seria uma obra coletiva.
Com uma função social.
Com uma função estética.
Com uma função humorística.
Com uma função, talvez a mais celebrada, sádica.
Mas acho mesmo que com uma função masoquista.
A comunidade toda não possuía mãos para assinar.
Decidiram, então, que não seríamos mais, eu e o artista estrangeiro, obras de arte.
Seríamos só, somente, apenas e tão-somente, duas figuras aladas.
Mas sem penas nas asas.
Serviríamos como exemplos para a comunidade toda.
Ficaríamos ali, na praça central, como seres impotentes.
Alados mas sem poder de voo.
Sem pernas.
Sem braços.
Sem penas nas asas.
Impotentes.
Servindo de exemplo para quem pensasse em criar asas.
Para quem pensasse em voar.
No céu, Pegasus passou sobrevoando a nossa comunidade.
Ele até gostaria de descer e beber água no chafariz aqui da praça central.
Acontece que ele não gostava de arte.
Execrava as instalações.
As obras individuais.
(As dos outros).
E sobretudo as coletivas.
Mas, não, ele não era um crítico de arte.
Ele era um escritor.
Um escritor do nosso tempo.
Sim, do nosso tempo.
E ele permaneceria olhando a nossa comunidade sempre do alto.

texto inédito

daqui.


*LINDO LINDO LINDOOOOOOOOO!!!

23.7.09

especulações sobre o amor simples

você passou meses e meses

anos inteiros com uma pessoa e
o melhor momento que
tiveram juntos foi o
abraço de despedida?
Luiz Felipe Leprevost

*sooo perfect!

Eu Não Existo Sem Você - Maysa


Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste

Por isto, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim e eu não existo sem você
Composição: A. C. Jobim / Vinícius de Moraes

"i have a secret smile and I use it only for U"


acordar de madrugada já sorrindo
é um aviso de que o amanhecer
vai ser bom
...
pena que longe
de quem te despertou o sorriso
e o estampou
na sua cara antes de dormir.

22.7.09


eu me afogo no meu próprio perfume
me embriago de alergia nele
espirro
e isso tira de dentro de mim
tudo que bóia por dentro e não faz bem

perfume faz bem, mas pensamentos ruins
não
por isso eu exagero no perfume e forço a rinite
atacar

como nos filmes de ficção científica, em marte
algum plano maligno ou vontade de dominar o mundo
ateiam fogo na ignição e dão a partida
assim como eu

exagero no perfume,
ele é francês, é leve
e é bom,
mas eu exagero para espirrar
e depois do "atchim!", mesmo preso
me sinto mais leve

é como se tivessem escapado pelo nariz
esses pensamentos de desamor,
essa angústia de beija-flor,
essa vontade de mandar o que me faz mal para a merda

porque essas coisas vão para a merda, ou melhor,
para o ar
no meu espirrar

então a partir de agora faço "atchim"
como quem diz:
"vá à merda!"

é como uma cirurgia plástica
a gente muda o que nos incomoda
e eu estou me sentindo incomodada,
vigiada
e por isso

eu exagero no perfume
e faço - "atchim!"

"atchim prá vocês!"

vocês não vão me vencer
nem pelo cansaço
e eu já estou
cansada
demais

não lembram dos filmes e desenhos animados?
o mal nunca vence

IN THE...



BOX.


para que no futuro ela não tenha ... câncer



e a cada dia que passa ela se apavora mais com as pessoas. apavorar no sentido de se surpreender, ficar surpresa, não entender, ter medo e estar de saco cheio delas.

ela acha idiota quando alguém fica lá posando de bonzinho, de fodão depois de inventar mentiras à seu respeito só porque a porra do (super) ego delas vai ficar alimentado e satisfeito se elas a "destruirem" ou melhor, depois que elas tentam-na difamar.

esse tipo de pessoa não consegue viver bem, em paz consigo mesma então precisa culpar a outra, as outras por sua própria incapacidade de entender o que acontece dentro delas.

pessoas assim a assustam, enojam, deixam triste e desiludida com o mundo. ela sabe que pessoas assim não importam, só que isso a entristece demais, pois ela acredita no ser-humano.

ela quer acreditar no ser-humano, mas isso só a deixa mais desiludida e mais consciente de si. isso a faz crescer e a fortalece internamente e é o que esse tipo de pessoa não entende.

elas fazem que ela evolua enquanto desejam-na destruir e aí elas "fail".

fracassam afogadas em suas mentes cheias de inverdade e de historinhas inventadas por elas mesmas para que elas se sintam fortalecidas, mas isso as enfraquece e sabe por quê?

porque quem a conhece de verdade (e tem muita gente que a conhece de verdade) e percebe nos olhos dela sua verdade, ou seja, quem ela é - sabe quem ela é e gosta dela de graça e não por nada banal como satisfazer seus egos famintos por sangue alheio para justificar suas disfuncionalidades.

todo mundo erra e ela também erra e assume quando erra - e muitas vezes ela erra por se jogar do precipício sem pensar se lá embaixo é pedra, espinho ou água.

acontece que ela voa, né?

e tendo asas ela escolhe se quer cair ou planar e observar a paisagem - é como se suas asas fossem um paraquedas e ela pode até se arranhar ao cruzar com alguma poeira no céu ou um pássaro mal intencionado.

ela está a cada dia que passa querendo se livrar de morcegos e urubus. não é carniça para ser perseguida por urubus. ela está sem saco para esse tipo de mentira vazia que entra num ouvido e sai pelo outro e serve só para gerar desentendimento, intriga.

bobagem... grandes bobagens.

a vida é tão linda, curta e perfumada que ela quer a cada dia mais estar longe desse tipo de pessoa e de mentira que a entristece o coração.

ela sempre se dedicou a algumas atividades e pessoas e acreditou que elas fossem verdadeiras e agora elas inventam mentiras, olham para ela com desdém e a observam de esquinas e marquises.

pro caralho com isso tudo. vocês querem que ela morra? - ah!... coitadas de vocês - pessoas - isso só a deixa viva!!!!

a cada dia mais viva, tranquila (ao colocar a cabeça no travesseiro) e feliz.

pro caralho com isso tudo. porque vocês não vão fazer terapia, hein?