18.6.08

Poemática- UFF

O evento “Poemática – A indisciplina da poesia” encerra as atividades do primeiro semestre em clima de festa, dia 25/6, quarta-feira, a partir das 19h, na Galeria de Artes do ICHF. Com o tema “Viva São João! – Festa da Poesia Popular Brasileira”, terá como foco a literatura de cordel e outras manifestações poéticas populares, poesia das ruas, das praças, da vida, do dia-a-dia... Além de ritmos regionais, forró, decoração, traje típico e tudo que compõe o clima das tradicionais festas de São João.
Iniciado em março deste ano, o Poemática acontece toda última quarta-feira de cada mês, sempre com um tema diferente, convidados especiais, palco aberto para manifestações do público e entrada franca. Este mês terá como convidados os integrantes do grupo de poesia Ratos di Versos (Carluxo, Dalberto Gomes, Daniel Soares, Dudu Pererê, Juliana Hollanda e Marcelo Nietzsche), a atriz Ivny Matos, o cordelista Ovídeo Pereira, os poetas Felipe Cataldo, Flavio Nascimento, Marcelo Girard, os músicos Elma Alegria, Gustavo Saba, Paulo Roberto Chumbinho e o grupo Mãos Calejadas. Os coordenadores Bárbara Araújo, Beatriz Provasi, Betina Kopp, Fernão Monteiro, Marcela Giannini, Maysa Brito e Pierre Crapez puxarão a quadrilha poética, tirando a poesia para dançar... O correio do amor especial receberá mensagens em versos, e quem for à caráter ganhará crédito na barraca do beijo!
A Galeria de Artes do ICHF fica no Campus do Gragoatá da UFF, Bloco O, térreo.
Mais informações pelo e-mail
galeriadeartes@vm.uff.br ou na página www.galeriadeartesdoichf.blogspot.com .

17.6.08

Paladar

os chocolates não têm mais gosto.
minha língua sente apenas sua pele. único alimento. gosto. fonte exclusiva de prazer salgado.
suor com partículas; nós.
fragmentos, cheiros, perplexidades.

sua companhia é tudo o que importa. seu braço travesseiro é só o que não me afasta da vida.
aliás- sim! me afasta dos outros e de todos os perigos.
de tudo o que não desejo enfrentar.
me aproxima de tudo que válido pode ser vivido ao seu lado; sentir.

dormir com você e não querer acordar, levantar, afastar-me de ti. o seu cheiro que embriaga e faz com que todos os outros cheiros não me dêem prazer.
até o seu "mau-humor" é música.
as broncas que fazem chorar me aquecem no entardecer mesmo quando o meu ciúme é a única coisa que atrapalha.

estamos conectados, apaixonados, enlouquecidos e livres, mesmo que algemados; presos.

eu tenho medo de você solto nessa cidade e eu queria "ter uma bomba (...) paralisante qualquer" para matar todas que você já possuiu e deu prazer. todas que nunca foram tuas porquê você não as quis com seriedade. eu queria matar todas elas que olham torto para nós e desejam amarrar meu nome na boca do sapo para que eu te perca ou me perca de você. todas as que desejam pular a janela da sua casa, entrar no nosso quarto e roubar fotos e cuecas suas para fazer mandinga. todas que beijaram o pé do Santo Antônio pedindo um você para casar... eu tenho um verdadeiro desejo terrorista de exterminar com elas que passam por nós rebolando e soltando gritinhos histéricos e risinhos infantis.

eu sei que tudo isso não deveria importar, mas eu sou ciumenta demais. eu te amo demais. eu quero dormir com você para nunca mais acordar. os chocolates não tem mais gosto. só a sua pele me alimenta.

eu eu você. lençois. um travesseiro. um colchão. uma janela e estamos preparados para a guerra. vamos hibernar. não precisamos de nada. só de alimento. alimentarmo-nos um do outro. sorver o suco um do outro. lambidas e pedaços de respiração "me interessam" e sim... somos um clichê de nós mesmos, mas o amor é isso e nós não temos como fugir do aquilo.

isso é destino e tudo começou naquele beijo roubado na porta do banheiro. eu estava com gosto de cerveja e chocolate na boca. na mesma hora, tudo perdeu o sentido para sentir você. seu gosto. seu beijo. sua língua. seu braço. seu sopro.

tudo passou a fazer sentido e tudo passou a existir em mim.
você e eu; nosso jardim de maravilhas num quarto fechado, com sorrisos e brigas e línguas e barulhos e vento.
nada tem mais gosto para mim.
os chocolates perderam o sabor.

derretendo na língua - só o seu corpo.

13.6.08

Love is in the air

11.6.08

Descobrimento

a beleza nos carros de passeio
e a falta de inspiração
me atormentam nesta tarde fria

minha bochecha esquerda dói
eu tenho torradas para comer
e amanhã verei quem desejo

as buzinas e sirenes de bombeiro gritam do asfalto
minha barriga ronca
minhas costa doem
e eu preciso dormir para acordar amanhã,
mas não posso, pois estou presa entre paredes cercadas de ar condicionados e janelas

faz frio. muito frio por aqui e o meu casaco não é suficiente.

meu telefone não se mexe
meus lábios querem beijos
meus braços; você.

eu aqui - nada de mim mesma- a me movimentar e inventar loucuras. espero que o tempo passe e que isso seja logo. os ponteiros do relógio devem executar sua dança logo.
logo.
rápido, mais rápido!
tão rápido até que as molas se soltem e se percam da engrenagem.


eu aqui presa a sentir dor nas bochechas
a pressa lá
eu apressada querendo. querendo. pedindo. desejando.

eu parada a movimentar loucuras no cérebro e o dia a passar lento
a noite não mostra a beleza nos carros de passeio e o barulho das sirenes de polícia é mais alto

ao acordar o dia se faz mais bonito.

jorro


era tarde
debruçada na janela
lágrimas a vazar nos passantes

torradas espatifavam-se nas mandíbulas
o farelo a dissolver na língua falava verdades

ela não tinha fome; porque então comia

ela tinha medo; de que?
ah! De tanta coisa que era até difícil separar as pedras do dominó.

ela sentia-se amada e amava. uma dádiva pensariam uns. um tormento outros.

a desilusão estava perto ou era incerta? inevitável talvez. impossível, ela diria.

ela não desejava, mas tinha medo e queria ter todas as certezas em todas as horas. ela queria perguntar se ele estava ocupado e ouvir um: não! tenho todo tempo do mundo para você. ela tinha medo de telefonemas sem eu te amo. ela pensava que talvez estivesse ligando demais para ele, mas ela não conseguia respirar sem escutar aquela voz ao menos 2 vezes por dia e ela queria dormir junto todas as noites e não podia, pois ele estava longe.

a noite longa.
fazia-se tarde.
contemplando a paisagem; ela.
farelo de torrada a cair na calçada.
lágrimas atiravam-se nos transeuntes.

10.6.08

Achei muito engraçado e resolvi testar.

Ví o post no blog: http://bjomeliga.wordpress.com e achei bem legal...

Entonces:

Alguém inventou um meme onde qualquer um pode ter uma banda em apenas três cliques. Acompanhe como se lança um sucesso sem ajuda de gravadoras ou qualquer coisa do gênero:

1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.

E assim que nasceu a Burning Benches, uma banda experimental com seu primeiro trabalho o magnífico “Multiplies when it is given".



Valentines Day - I wish

acabei de ler na Bia Provasi- amiga e parceira (numa noite qualquer) o que ela acha do dia dos namorados e todas as vezes que ela já viveu esse dia, e como queria viver e passar esse dia, e como vai passar. eu acabei me lembrando dos meus, de alguns meus a tô achando a maior graça até agora.

quando eu era adolescente eu tinha uma amiga e ela vivia solteira. eu às vezes tava acompanhada, mas quando as duas estavam solteiras e gente combinava e mandava buquê de flores no dia dos namorados uma para a outra, com um cartão escrito: blábláblá do seu admirador secreto... – e a gente ficava muito feliz nos enganando.

a gente sabia que aquele “admirador” era alguém que não existia; um amigo imaginário que estava no imaginário da amiga e não no nosso, mas a gente não ligava. a gente, se divertia e se sentia amada, querida... sei lá o que devia se passar na nossa cabeça de adolescente naquela época. *rsrsrs*

depois, a gente cresceu e esqueceu dessa bobagem. eu namorei e me casei e passei a comemorar dia dos namorados com ele. foram 8 anos e era como se a gente escapasse da vida de casado, dos compromissos... era dia de sermos namorados, de agirmos como namorados.

trocar presentes, comer fondue, tomar vinho e acabar a noite de preferência em alguma cama impessoal longe de casa. longe do nosso quarto que tinha um filtro dos sonhos pendurado atrás da cama. longe das nossas máscaras árabes de couro.

aqueles dias 12 eram o tomar banho num banheiro de granito e o enxugar com toalhas finas e já usadas por muitas pessoas. eram dias de não estar cansados com dor de cabeça. eram o não colocar os pés no sofá e grudar na televisão. eles demonstravam que mesmo que por inúmeras vezes tivéssemos brigado por motivos fúteis e reclamado um do outro sem parar, existia ali, naquela relação uma esperança, existia amor e fantasia. era bacana.

o último dia dos namorados que passei com ele – lembro que a gente tava meio brigado, a gente trocou presentes, mas ficou em casa e pediu uma pizza. sim, o casamento tinha acabado assim como o amor, o mistério, as fantasias.

não falamos sobre isso naquele dia e nem nos meses que se passaram. veio 2005 e dia 25 de janeiro nos vimos pela última vez e falamos tchau. um tchau sem beijo no rosto, sem aperto de mão. apenas um tchau. sem palavras doces, sem desejos de felicidade.

um tchau seco seguido de lágrimas e desesperança. esse tchau depois ficou cheio de raiva, depois cheio de orgulho e depois desapareceu. esse tchau virou uma parede branca de onde não consigo retirar nenhum sentimento. esse tchau simplesmente morreu, assim como todos os o “ois”, e os “sins” e os “eu te amo”.

em 2005 eu tava no dia 12 de junho numa relação fadada ao insucesso, [mas sabendo disso], com um cara mais velho que não me assumia. na verdade, nem era uma relação, segundo minhas amigas, e minha terapeuta na época. na verdade, eu só reparei isso depois que passou, mas reconheço que o estar com esse cara me fez descobrir o “ser mulher”, me ajudou a liberar a mulher em mim, e isso foi bom. eu dei para ele de presente de dia dos namorados um bolo nega maluca que eu fiz e isso foi divertido! a gente ficou junto 7 meses e acabou.

em 2006, um mês antes dessa data, comecei a namorar um megalomainíaco que era metido a cantor e pianista. ele era engraçado, me fazia rir, agradava todas as minhas amigas, mas não me fazia feliz. dei para ele um poema e uma almofada da Audrey Hepburn. ele me deu uma caneta Cartier (da sua coleção particular), um cartão e uma música de Chopin (no piano tocada por ele). foi tudo muito bonito, mas era tudo fantasia. não tinha verdade e nem sentimento naquilo. era um total "forçar a barra". eu desiludida, ele desiludido. um tentando ver nos olhos do outro aquele outro e nada. ficamos juntos 2 meses. foi ruim, mas foi bom.

em 2007 eu tava mesmo sozinha e não tinha mais a amiga que me mandaria flores e um cartão de mentirinha. então eu comprei uma garrafa de vinho, um maço de Marlboros, me tranquei no quarto e comecei a ler Bukowski bem alto. minha mãe e meu irmão estavam viajando e eu fiquei sozinha ouvindo punk rock e recitando Bukowski. dançando, fumando e tomando vinho. eu dormi feliz aquela noite e o ato todo em si, mesmo sem planejamento, foi libertador. tão libertador que virou um poema e está no meu livro. uma noite que tinha tudo para ser triste e solitária foi cheia de poesia e revelçaões. foi uma noite diferente e feliz.

esse ano passarei acompanhada. estou há 7 meses já acompanhada e feliz, muito feliz. já dei o presente dele antecipado e dele não espero e nem quero ganhar nada, pois só o estar do lado, o ouvir a voz, o sentir as mãos, o cafuné já são presentes valiosos demais. o "eu te amo". o "a água do chuveiro ainda não tá quente o suficiente para você tomar banho". o "eu te quero". o "você me fez descobrir a minha capacidade de amar"; já são o suficiente. até mais que isso.

eu de verdade quero ficar com ele para sempre, mas não quero fazer dos dias dos namorados uma válvula de escape das insatisfações no casamento e nem despejar nele as infelicidades e frustrações do dia a dia. eu com ele vivo num eterno dia dos namorados e que esse e todos os outros sejam para nós (eu e ele) no nosso “seja infinito enquanto dure” dias normais, comuns, divertidos, sensuais e felizes.

Feliz dia dos namorados para todos!!!

9.6.08

Organismo - Poema de Alexandre França

Um organismo entulhado de gordura
E coca-cola em suas veias e artérias
Seu bafo de pasta de dente
Borrifa o bom ar do dia a dia
Seus braços são marretas de amaciar
Carne
Seus dentes, um triturador truculento de triturar
Carne
Seus olhos apontam para mim
Como numa descarga fatal
De analgésicos e sedativos
Estou com uma pizza no estômago
Esperando o próximo gole de refrigerante
Estou entre paredes adoçadas com Zero Cal
E cimento
Estou pronto para beber um muro de concreto
Estou na encruzilhada
Entre o caminho do inferno
Ou de um número um
Um organismo inteiro
Se alimenta do meu fluxo de consciência
Ele me domina
Um organismo
Ordenando que eu enfim
Pare.

YSLaurent

"A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, aqui estou eu."

- eu tenho essa roupa e dormi com ela o fim-de-semana inteiro.

f**k

adiccted to love
barely breathing

it would be just like heaven
if you follow tha track of my tears

6.6.08

speak low


fale devagar. sussure suas belas palavras no meu ouvido.
faça do meu corpo girassol.
sou escrava do amor. do seu amor.
nada nem ninguém tira essas vontades, esse prazer de estar com você - de mim.
nada nem ninguém seca o lago que você fez nascer em mim; nem o pior desatre ecológico e nem os fenômenos climáticos.
el ninõ; sou sua ninã.
você - meu menino, meu dono, meu desejo e meu desespero.

a cabeça que não pára de girar, de pensar, de querer estar com você.
eu só faço planos para você e eu.
eu só tenho planos para mim e você.
eu só quero saber do que pode acontecer em nós.
do que posso sentir de nós.
do que podemos constriur, fazer, sentir, sorrir.
eu só quero saber de você em mim.
eu só quero você.

5.6.08

...

tava hoje conversando com um amigo e chegamos à conclusão de que valem mais pequenos gestos do que grandes presentes como jóias, carros, manolo´s, gucci´s, prada´s, vuittons...

eu sempre ganhei jóias do meu ex-marido. eu tive um ex que me deu uma caneta cartir de ouro com safiras. nenhuma dessas relações deu certo. de nenhuma delas resgatei o prazer de me encontrar e me sentir fazendo parte. em nenhuma delas eu tive o que eu tenho hoje e nunca nenhum deles se preocupou se o meu banho tava quente o suficiente, se tinha papel higiênico no banheiro, se eu ia acordar cedo no dia seguinte, se eu tava com fome... nenhum deles me dizia dormindo: me abraça?! - regularmente.

nenhum deles me deu parabéns no dia das mães dizendo que eu merecia parabésn, pois ia ser futuramente mãe de um filho seu. nenhum deles ficou feliz por ter falado com a minha tia no telefone. nenhum deles nunca se preocupou se a obra do banheiro lá de casa tinha acabado. nenhum deles se preocupou quando eu bebia demais e nem porque eu fumava demais.

por isso, por esse, pelo meu hoje: eu parei de fumar e só quero pequenos singelos grades gestos na minha vida, no meu dia-a-dia, porque aprendi que o mundo é construído de pequenas delicadezas e só assim ele vai para a frente.

2.6.08

Peguei a idéia da Sun e fui lá buscar os "meus" *rsrsrsrs

















www.despair.com "para aqueles que acreditam que o copo nunca estará a metade cheio."

Teletransporte

(olhares.com)
às vezes eu queria morar num balão de gás, ter asas ou turbinas. queria ter o poder de me "teletransportar" para algum lugar que fosse perto de você; porque eu longe, sou preenchida por faltas. falta-me você.
e eu não posso voar, fico sozinha, fatalmente cheia de saudade e com vontade de chorar.
sem querer estar em mais lugar nenhum, longe de você; sem que seu calor e seus abraços sejam meus.
eu queria ter asas, para voar até você e hibernar todas as noites na sua caverna (como fizemos no fim-de –semana passado).
eu queria ter asas e uma varinha de condão para tirar você da mente daquelas que não te tiveram e invejam o meu ter você. elas me incomodam profundamente, por mais que eu saiba que eu sou tua e você meu e que o que gente tem é forte, é de verdade, é duradouro e será para sempre, eu queria que essas (p...) se esquecessem de você e tirassem os olhos de nós, porque eu nunca gostei de ser observada e isso me incomoda.
só que na realidade, eu queria mesmo ter asas, turbinas, morar num balão de gás para sempre estar perto de você.
eu só enxergo quando te vejo. só me acalmo quando te beijo. só me aqueço quando te abraço. só fico feliz quando durmo em teus braços, ouço seu respirar e me teletransporto para algum outro lugar num mundo só nosso.