31.10.07

é domingo
folhas secas
caem no chão

estrelas adormecem
à teus pés

todos são dias de folga

a noite mansa
e um sorriso doce
iluminando a minha boca

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tudo é fim-de-semana ao teu lado...
obrigada por entrar assim na minha vida de repente como um pôr de sol.

28.10.07

Meme 161

"Pela estrada à fora" recebi o convite da Cris - http://caneladeversoeprosapelaestrada.zip.net/

1- procurar um livro próximo (o primeiro que aparecer, não vale procurar um livro);
2 - abri-lo na página 161;
3 - procurar a quinta frase completa;
4 - postá-la no seu blog;
5- não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6- repassar a outros cinco blogs.

O primeiro que está ao meu lado e tem mais de 161 páginas é:

CAIO 3D (Esssencial da década de 1990) - Caio Fernando Abreu

" Isso é o que se conta, o que se diz, o que se vê e não se vê, mas se imagina do Passo."
De tudo, o mais real, salpicadas entre as quatro patas da aranha-no meio dos girassóis do leste, à beira dos lajeados ao sul, pelos descampados do norte e até mesmo entre os vãos mais sombrios das areias a oeste-, o que mais tem em qualquer tempo de seca ou aguaceiro, calorão ou friagem, são touceiras espessas de guanxuma. Por mais que o tempo passe e o asfalto recubra a polvadeira vermelha das estradas, transformando tudo em lenda e passado, por mais sujas e secretas as histórias sussurradas pelos bolichos, entre rolos de fumo preto e sacos de feijão, por mais que por vezes o tempo pareça não andar, ou andar depressa demais, quando as antenas de tevê e as parabólicas começam a interferir entre o arco e a torre, exatamente por causa da planta, de dois males jamais sofreu, sofre ou sofrerá o Passo. (...)


E envio a continuidade da brincadeira para:

Beatriz Tavares, Karla Jacobina, Samantha Abreu, Alexandre França e Gean Queiroz

25.10.07

saudosismo

hj fui tomar café na Leiteria Mineira

Torradas petrópolis com Coca-light.

Saudades do tempo em que tomava um Milk-shake de manhã sem culpa e da companhia do papai.

me ví da mesa oposta observando àquela cena antiga e tão boa.

é incrível ter uma manhã assim. faz qq dia melhor!

23.10.07

na real

Depois de tantos anos
Eu ali,
Vendida
Vencida pelo cansaço de não te amar
Me vi novamente envolvida por você.

Diabinhos e anjinhos sopravam estrelas nos ouvidos
E eu ali
No cabo de guerra da razão e do coração
Lutando para não cair em seus braços de novo
Lembrava dos beijos, risadas
Da sua cama
E de quando eu fazia do seu braço travesseiro

Tinha esquecido outras coisas como suas reclamações
Exclamações, dúvidas, interrogações
???

eu ali,
vendida
ocilando entre o cair e o levantar
parada
esperando algum sinal divino que me fizesse enxergar
a tênue linha que por tanto tempo nos deixou um do outro
longe
e o quanto você me irritava às vezes.

must I

Devo anotar tudo que escuto
Fotografar tudo que vejo
E tatuar na pele sentimentos coloridos.

jealous

Tenho ciúme de você
É sinal de que eu gosto,
Mas é só emoção
Porque racionalmente
Por mais que tudo seja ótimo
Não tenho mais idade
Nem estômago para imaginar minha vida ao seu lado por muito tempo

Você perdeu tantas oportunidades
E eu te amei tão mais que uma atração...

Começava a te amar de novo
E sabia que ia cair de novo
De dentro veio a escolha
E eu prefiro que sejamos apenas amigos
Por mais que eu deseje te beijar e me entregar para você
Falta-me coragem.

fade away

amor esfacela-se em papéis guardados nas gavetas cheias de mofo e ácaro
rostos que se apagam em fotografias velhas
restos de lembrança esquecidos

minutos passam
abreviam o tempo
restam sobras de existência asfixiadas
num cubículo em luz elétrica

é como esquecer pedaços de vida num saco de reciclagem que pára em mãos erradas
mãos de ninguém que chegam em lugar nenhum
longe de quem quer esquecer.

Hello! I love U!

Olá, eu te amo
Porquê você não diz seu nome?
Não fala seu nome nesse jardim de margaridas
Para que elas sorriam
Enquanto a chuva não vem?

Chega perto
E me diz seu nome
No banco da praça
Para enquanto fumamos um cigarro gargalharmos?

As lágrimas do passar de alguns anos
No cotovelo são absolutamente normais
No azul amarelo do céu tranqüilo
Cores moles eletrificadas do céu

Sorrir até que a boca salive
Beijos de açúcar queimado
Escorrem pela garganta até matar a sede.

Abraços sóbrios envolvidos por sangue bêbado de euforia

[bom te ver assim]

me canta o seu nome
para aos pés do altar
agradecer as nuvens
que desgastam sentires de sereno

retina mergulhada
na piscina castanha
dos seus olhos

te ver
prender
e saber seu nome desde o início de todo fingimento

eu já devia conhecer o seu nome
e devia ser “pra sempre”
Framboesas multicoloridas no frasco perfumado dos teus olhos
Frágil passatempo
Nos teus pêlos pernas brinco
Pelo jeito,
Sonho

[Desejo-te]

dormindo sem medo da cuca
da vida
do amor que chega

paixão com saudade
gosto que invade pedaços
de favo de mel

creme de leite, bolo de crocante, medo, ilusão

tens medo do amor
eu já tive,
agora
só de te encontrar em outra esquina

respiração forte
não mais te beijar agora
morte.

Clara Averbuck ( Como vc é PERFEITA!!!!)

love minus zero

tinha que ser daquele jeito pra ser assim.
falling hard through the lines.
acreditando sem acreditar que acredito,
porque digo sempre:
foda-se o que eu digo sempre.
nada mais sei sobre porra nenhuma.

as certezas sempre foram suicidas.
só sei que preciso,
e que meu deus,
como preciso.


... ela diz sempre o que eu preciso dizer. sempre o que eu quero sentir. sempre o que eu não sei expressar sem ser prolixa e/ou catártica demais...

...simplesmente perfeita como Tom Waits.

18.10.07

+ Alice Ruiz

lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?

Então é você (Estrela Ruiz Leminski e Alice Ruiz)

Então é você
que bem antes de mim
diz o que eu queria dizer
tão bem quanto eu diria.

E quem diria?
ainda melhor
Acho que teu nome é poesia
e por isso todos te chamam

Então é você
tua simples presença
preenche a minha existência
me faz ver o que eu não via.

E quem diria?
ainda melhor
Acho que teu nome é vida
e por isso todos te querem
Então é você
que quando fala
instala a compreensão
de tudo que eu seria.

E quem diria?
Ainda melhor

Acho que teu nome é amor
e por isso todos te amam

E quando todos te chamam
quem sou eu pra não chamar?

E quando todos te querem
quem sou eu pra não querer?

E porque todos te amam
“eu sei que vou te amar"

Aquela noite

Aquela noite tive sonhos com dor de estômago.Líquidos gástricos, bílis, nacos de carne eferveciam na xícara de café da manhã seguinte.As pálpebras recusavam-se a fechar e os sonhos guardados insistemente espatifavam-se na falta de sono.
Eu era um ovo louco para sair da panela-cama-colchão, mas de um lado para o outro eu fritava.A vontade de não olhar para nada. De não ver. Fechar os olhos. Não olhar. Queria o meu não olhar em ação. Queria relaxar em coloridos bobos, sonhos de princesa e ursinhos de pelúcia.O resto era muito cruel. O frio branco das paredes. O desconforto do rolar na cama... Tudo maldade demais...Queria que a dor da alma parasse. Qu e saísse do nível físico de um desgaste sobrevivente no esgoto do espírito. A elite dos sistemas do corpo incomodava.Os olhos, à espreita.Eu? Acordada.Nada se chama mais sonho.Eu? Desiludida.Agora já é manhã.Passei a madrugada na plena e seca falta de anoitecer

aquela tarde

Não sei se por causa do sol que insistia em brincar de esconde-esconde ou se por culpa da insônia que madrugou durante a noite...
A sensação que ela tinha era de andar esbarrando em fantasmas pelas calçadas. Poderia ser incerta também a miopia.
A verdade é que enxergava vultos e eles insistiam em empurra-la. Ela tinha ombros doloridos por embalar-se torta no sofá. Tinha perdido o direito à majestade cama por causa das visitas e o sono intranqüilo amargurava os já encarquilhados ossos.
Culpa talvez da saudade.
Ela não era nova, nem velha. Alta nem baixa. Feia nem bonita. Magra nem gorda. Não afetava a ditadura da beleza vigente. Era na média. Era normal. Comum.
Há alguns dias por não aguentar mais brigar com o rosto cansado no espelho tinha cortado bem curtos cabelos.
O homem que invadira subitamente seu coração no fim de semana anterior estava de férias e naquele momento em algum lugar desconhecido acima da linha do equador.
A vontade de comer chocolates, a carência, a saudade deixavam-na a cada pensar mais histérica e com gritos mais abafados.
A ansiedade despertava a fome da "pequena suja". O medo do retorno dele sem ele no coração era mais metafísico do que a vontade de reabastecer a serotonina naquele cérebro feminino, sensível, tolo, idiota.
O coração em sobressalto, os fantasmas...
Ela esbarrava em vultos naquela tarde com suas sandálias quadriculadas vermelho sangue.
Talvez ele não a reconhecesse sem cabelos na nuca.

aquela manhã

não provocava dor aquele ponto vermelho no coração. era azul a cor do órgão vital que batia no ritmo da nona (de Beethoven) quando se via triste. esmaecido, desbotado. um certo tom sem sintonia. só desilusão.

tudo começou num certo dia de céu lilás. ela abriu os olhos, fitou a janela... quis abrir as cortinas para que o sol secasse os lençóis frios por causa do ar condicionado que ela esquecera ligado durante a noite. sozinho. ela tinha levado a alma para passear na madrugada.

ela não estava lá naquela manhã que teria sido uma manhã comum. teria sido comum se a rotina permanecesse. os olhos ainda fechados, o caminha para a banehiro, o banho, o escovar de dentes... todo aquele mundo de coisas que fazia todos os dias. se ela tivesse mantido a rotina.

há tempos havia esquecido quem era e no escuro perambulava sem pensar. pelo quarto nos gestos, na cor da maquiagem... não pensava. na textura macia das roupas... não. não pensava. todo dia era uma falta de inspiração. tudo mecânico. dia após dia o cuidado inconsciente de ser invisível.só que naquela manhã... o diferente aconteceu. ela abriu as cortinas, trocou de sabonete, pintou os olhos, passou blush e colocou um vestido florido. fez limpeza na bolsa. trocou de bolsa.... hipnotisada pelos raios do sol olhou-se no espelho antes de sair. tudo se fez novidade.

naquela manhã de abril caminhou até o trabalho. observou as árvores, os buracos na calçada, o layout dos prédios. sentiu o perfume de seus próprios cabelos e se disse flor. sentiu as chicotadas dos cabelos com o vento em suas bochechas. ela reaprendeu a respirar naquela manhã que teria sido, comum.... seu coração pulsava em ritmos variados e recém descobertos. ela estava em sintonia com ela mesma e com o coração dos transeuntes que atravessavam os mesmos sinais.ela sentiu fome. há muito seu estômago não bradava tão fortemente por comida. ela lembrou-se que desde os cinco anos não sentia aquela incontrolável vontade por uma comida simples feita com cuidado.há anos seu paladar resumia-seem comida congelada mal requentada. o que resumindo, resultava em almoços e jantares meio quentes, meio gelo. ela não se importava....

há muito não sabia. não sentia. não se via. tinha esquecido suas vontades, seus gostos...
ela não tinha costume de tomar café de manhã e ela estava com fome naquela hora. ainda nem era de tarde.ela se pôs a lembrar de Paris. Pain ou chocolat, tarte tatin, croissants, fromages...
ela nem lembrava dos nomes das comidas, mas ela não sabia falar francês. nunca tinha ido à França; ou será que tinha?

... diante de tantas descobertas ela lembrou-se que tinha levado a alma para passear de madrugada. ela lembrou-se que durante o passeio tinha cruzado com várias amigas. ela assustou-se. será que a alma dela tinha ido parar em outro corpo e a que estava com ela não era a dela? não era ela; ou teria sido um dia?

... ela então parou.

... desistiu daquele dia de trabalho. ligou e inventou uma desculpa para o chefe

.... chegou em casa. a sensação de liberdade continuava, mas... tudo era ainda muito estranho.o coração tocava uma música diferente. não era mais a nona, nem a décima, nem axé, nem punk, nem rock n´roll. não era emo. não era mpb. não era nada do que ela se lembrava de conhecer. nunca. ela nunca tinha ouvido aquele ritmo.aquelas palavras desencontradas numa voz grave de mulher. Believe. after. life. love.o que seria aquilo?

... resolveu pesquisar.
...ligou a tv.
o controle sem pilhas.

12.10.07

completely cyborg...

8.10.07

andaimes, mosaicos
mecanismos de obra
poesia solta na cidade
ferramentas pelas janelas

ouvidos atentos
gargantas guardam ilusões
textos e trechos de vida

arquitetos projetam a fachada dos prédios
e o interior dos consultórios médicos
tudo impossibilidade

medo colorido na cidade
cheiro de tinta
absorve o calor soprado nas calçadas
tijolos vermelhos de enjôo

faz frio, muito frio
nesses lábios e esquinas.

Pedro Lage

"o fim do sim
que jaz em mim"

boredom

era tarde e eu dormia num suspiro
a festa estava chata
e eu sem querer encontrar pessoas
faz-se difícil
o ofício
de acordar antes
de você
adormecer

entre lágrimas
e folhas de papel
desenho castelos de areia
em pensamento

vejo seus olhos abertos
e os meus não fecham mais

dividem entre nuvens
e soluços secos
idéias

fácil ócio
a te enxergar tão longe, amor.

garrafas vazias

vazio como garrafas
jaz um coração
anseia por descobertas
o que vê
são máquinas e pessoas

[robôs]

cyborgs não aprenderam
a dizer oi
pessoas manufaturadas
não sabem que para dizer oi
é preciso antes ter dito
adeus

por um pouquinho de amor
caminho descalça e
sem chapéu
até o fim do mundo, se preciso

não entendo de computadores,
máquinas
nem pessoas

é difícil viver neste mundo de engrenagens,
parafusos
e relógios

morrerei antes de você.