16.12.09

14.12.09

ENTRE SEM BATER - de Juliana Hollanda


Queridos e Queridas,

É com imenso prazer e corujice que apresento para vocês meu mais novo trabalho. É um livrinho que faz parte da coleção Art Action - organizada por Tavinho Paes. O meu livro é o terceiro da coleção que contata já com o belo (Corpinturada de Betina Kopp - vol 00) e pelo dinâmico e emocionante (FACE BOOK de Tavinho Paes - vol 01). O meu é o vol. 02 e se chama ENTRE SEM BATER - cada livro custa R$ 15,00 - comprando os 3 juntos - tem uma promoção temporaria de R$ 30,00. ( A edição é experimental e independente, ou seja, foi bancada pelos participantes da coleção, por isso é necessária a venda dos livros para que possamos fazer os próximos, assim, a poesia NUNCA PARA!).

O livro é uma mistura de prosa e poesia. Pensamentos, diálogos interiores, reflexões de vida, por isso, ENTRE SEM BATER, pois a nossa existência é feita de portas, não necessariamente no formato de portas - ao viver estamos abrindo a porta sem chave e entrando sem bater nela, mergulhando de cabeça no desconhecido, na aventura, na novidade, no novo, no de novo...

"Ao abrir esta porta saiba que ela pode fechar depois que você passar por ela. Daí em diante vai depender do seu desejo em sair do lugar a que esta porta vai te levar ... nunca se sabe quando uma porta serve de entrada ou de saída!" - Tavinho Paes

Caso VOCÊS desejem abir esta porta, podem fazer a encomenda para mim por e-mail : jupyhollanda@gmail.com que eu mando o número da minha conta para que vocês façam o depósito e eu mande o livro pelo correio.

É um bom presente de NATAL eu garanto que a leitura será proveitosa, agradável e esclarecedora.

Aguardo as encomendas.


8.12.09




aí vai uma coisa que
gosto em mim:
a capacidade de
ser cruel.


e uma coisa que
não gosto em mim:
é que quando
sou cruel com os outros
acabo sendo
cruel comigo.

Luiz Felipe Leprevost em notas para um livro bonito



 

DO LADO DE CÁ DA CIDADE

( POEMA DE MARIO BORTOLOTTO)



Do lado de cá da cidade faz muito frio.
Talvez por isso os amigos bebam demais.
Talvez por isso eu sempre cruzo as figuras no cinema.
Do lado de cá da cidade existem acordos fraternos, talvez por
isso as pessoas estão sempre magoadas umas com as outras,
e choram tanto, e escrevem os nomes das outras em folhas
amarelas de cadernos, e bebem tanto.
Do lado de cá da cidade nunca faz sol.
Talvez por isso, tantos blues, tantos blues, e a garrafa de café
sempre vazia, os dedos calejados da máquina de escrever, e o
copo de gin pela metade.
Do lado de cá da cidade chove todas as noites, talvez por isso as pessoas tenham tantas idéias mirabolantes e irrealizáveis, talvez por isso as mesas no bar estão sempre reservadas, talvez por isso
eles bebem tanto.
Do lado de cá da cidade faz frio, existem acordos fraternos, nunca faz sol, chove todas as noites, as pessoas bebem demais,
e são todas muito sensíveis.
Eu já estive uma vez do outro lado da cidade, só uma vez.



Você está do outro lado da cidade, mas vai sair daí já já, Mario. Seus amigos bebem demais e vão beber menos ou mais, tanto faz, o importante é beber junto com você e é isso que todos querem.


Sai logo daí, Marião!


Estamos todos na torcida.


E quinta dia 10/12 no Sérgio Porto tem POEMÁRIO BORTOLOTTO - no último CEP 20.000 de 2009 - Chacal falou. Chacal avisou.



7.12.09

sobre escaladas e maremotos (V)



ferrugem nas escadarias
-observei ao me esconder da chuva-

inspiração não resiste

aos pingos gelados
que sobrepõe o calor dos raios do sol
que ainda grita

raios de sol fritam os miolos

-não resisto a gritos nem a suor-

ferrugem estraga os degraus da escada
aos poucos
-reflexo do patrimônio público sem manutenção-

eu me estrago aos poucos também

do calor escaldante
da Sibéria dos ar-condicionados

-assim é a vida no Rio de Janeiro-

os pingos da chuva rebelde de verão
molham o mau-humor que desintegrou
o bom dia

o bom; o melhor do dia

-me falta paz-

escondo-me da chuva
da irritação, da TPM

é um berro que me tira a paz
assim, escondo-me de um eu que não precisa
ser visto

escondo-me do cansaço
que não me pemite dormir
nem quando exausta

desejo um eterno e sem volta
fechar de olhos
um entardecer anoitecer breve
para que esse dia acabe
e assim a chuva, o sol, o mau-humor

tenho medo de levar a vida com amargura

medo de perder a juventude
e de morrer sem nunca mais sorrir

o que me salva é o amor que tenho
e me carrega com braços fortes
e saudade

amor que me faz amante
que me faz
mulher

e me faz completa

nas tempestades

e nos desertos
sem oásis
nem miragens

4.12.09

Beautiful Black Men by Nikki Giovanni





(With compliments and apologies to all not mentioned by name)
 
i wanta say just gotta say something
bout those beautiful beautiful beautiful outasight
black men
with they afros
walking down the street
is the same ol danger
but a brand new pleasure

sitting on stoops, in bars, going to offices
running numbers, watching for their whores
preaching in churches, driving their hogs
walking their dogs, winking at me
in their fire red, lime green, burnt orange
royal blue tight tight pants that hug
what i like to hug

jerry butler, wilson pickett, the impressions
temptations, mighty mighty sly
don't have to do anything but walk
on stage
and i scream and stamp and shout
see new breed men in breed alls
dashiki suits with shirts that match
the lining that compliments the ties
that smile at the sandals
where dirty toes peek at me
and i scream and stamp and shout
for more beautiful beautiful beautiful
black men with outasight afros


Nikki Giovanni, “Beautiful Black Men” from The Selected Poems of Nikki Giovanni.

Copyright © 1996 by Nikki Giovanni.

Reprinted with the permission of HarperCollins Publishers, Inc.

1.12.09

sobre o balanço das horas (I)

"Todo mundo tem 15 minutos, só a pressa é que não tem"
Luiz Felipe Leprevost

Tic-tac.

uma frente fria se aproxima do litoral.
a última frase do livro que ela leu era em francês. -“il faut que le coeur se brise ou se bronze” .

Tilim.Tilim. Tilim. Crash!

vaso de cristal é sensível e racha com qualquer vento mais forte.
para quebrar-se basta um sopro, música alta, grito agudo ou grave.
cacos finos de um vaso espatifado espatifam-se pelo chão de madeira e camuflados nas frestas do sinteko causam cortes minúsculos no pé

e esse pé vai sangrar até que as portas das feridas fechem com uma cicatriz .
o coração também é feito dessa matéria prima
-transparente e frágil-

a diferença é que os ventos que passam por ele só conseguem rachá-lo momentaneamente.
ele se fortalece com o passar dos anos

-ao longo do tempo-ele se racha tanto...

que quanto mais anos são somados à nossa vida quanto mais dores
e tristezas nós vivemos mais aprendemos com as desilusões.

a cada uma, uma nova lição.
quanto mais aprendemos mais rápido as cicatrizes fecham, menos sangue espalhado e cacos de cristal vermelho pelo chão.

o coração se fortalece. os anos fogem dos olhos e o cristal do coração vira busto de bronze ou lápide.
.
Tic-tac. Tic –tac.

24.11.09

Todo mundo lá hoje.


sobre elas e eles (III), por Juliana Hollanda


isolamento

estar isolada num
a par
ta
mento

cercada de paredes e móveis

- imóveis -

poeira que se acumula em meio às frestas
-se move-

partículas entram no nariz
espirro, cosquinha, risadas, irritação

-rinite!-

eu não disse que tudo seria assim?
não cantei a canção do minutos e segundos de inutilidade?

é, eu antecipei a explosão do microondas e te disse exatamente quantos minutos faltavam para o macarrão ficar "al dente" e você
nem escutou e foi jogar
videogame

agora estamos aqui diante desse mingau com molho de tomate e manjericão
e eu não te culpo por não ter me escutado
só porque estamos aqui
isolados do mundo nesse apartamento
e eu te amo

a gente nem precisa comer, sabia?

19.11.09

sobre cansaço e pó de pirlim pim pim (I)



Da série: Poemas inesperados
ou
do grito guardado
ou

o acaso bate à sua porta

lábios e labirintos
-emaranhados, teia, prisão-
saida

saída que se pensa
que se sonha
que se encontra

no sobre
na superfície
[na fronha]


loucura
- alistamento-
entregar-se ao momento
ao tempo,
ao vento,
ao movimento

consenso não é
exercício de gramática
equação matemática
e nem
asa-delta
voo livre
fio de alta tensão

não é o perigo
nem o abrigo

não é o se
nem o senão

pode ser música, esporte
ou falta de sorte

azar de amar a pessoa errada
-desilusão-

esconder as vergonhas
a insônia

-ultrapassar os limites-

saber-se forte
enquanto fraco
-linha reta, avesso, tchau -

saber-se mal
na bondade

correto na virtude
e na vontade

a amizade que abre portas
que bate palmas
e que faz samba para maluco
dançar

viver é isso: amar
ou estar perdido
num labirinto emaranhado
de lágrimas e lábios
naufrago
-no mar-

16.11.09

Sobre paraísos e diálogos imaginários (IX) .



Da série: what do we have?
what do we have?
what do we have?
if we don't have each other…
.
- Defina verão?
- Amanhecer …
- Amanhecer?
- Sim. Quase sempre, somos transportados para um mundo de nicotina e estrelas e essas estrelas conversam comigo e você é a primeira pessoa para quem eu falo sobre isso.
- ...
- Eu todas as noites sou obrigado a mergulhar no céu.
- ...
- Isso começou a acontecer no ano passado e eu fiquei confuso. Eu sonhava, me sentia pequeno, crescia de novo e me espantava. Amanhecia e eu absorvia a quietude da manhã.
- ...
- O som do silêncio dos amanheceres você conhece bem, mas eu quase nunca percebi. E é maravilhoso o barulho de um carro há 1 km de distância...
- O vento soprando nas árvores soa como estradas engarrafadas na sala do meu apartamento.
- Eu vejo cometas noite após noite após noite após noite após noite ...
- Todas as noites.
-É, e eu tento manter meus pedidos, meus desejos e me fixar, focar neles. Eu vivo nervosa por antecipação e sabe o que eu percebi depois desse tempo todo?
- O que?
- Que nós quase não nos conhecemos e agora estamos dividindo sacos de dormir.
- Sabia que todas as vezes que eu penso nisso eu sinto cócegas internas.
- Desculpa, mas é porque eu ainda não toquei em você neste local; digo, na parte interna do seu corpo, mas eu acho que esse sentir precisa de mais tempo do que nós temos disponível agora.
- É, nós viemos aqui para o meio desse nada para descobrir lugares escondidos e para estacionar em uma garagem aberta na base das montanhas.
- Estamos no limite da cidade e encontramos o nosso refúgio.
- É ! Conseguimos fugir das lavanderias e das banheiras de hidromassagem dos motéis e da minha casa e do seu apartamento e da gritaria dos bares ...
- Essa experiência está sendo divertida, não?
-Sim, divertida e estranha e silenciosa e até agora eu estava tímido, mas isso está sendo tão bonito que se alguma coisa nessa vida é certa... essa coisa é que eu acredito no amanhecer.
- Eu também.
- Então isso se chama ...
- Recomeçar?
- Defina Inverno.

6.11.09

sobre cócegas na nuca e saudade (I)





Da série: “recordar é viver”
ou
“um GPS para a gente”
cartas, cartões, bilhetes
-encaixotados-

no meio da poeira, uma história engessada
movimento paralisado num passado
não muito distante, mas distante

uma mistura de juras de amor,
euforia
e palavras de conforto

ontem dormi com saudade de nós
hoje, continuo com essa saudade
e me pergunto:  onde foi mesmo que a gente se perdeu?

você prometeu me amar para sempre
e nunca me esquecer
-esse letreiro passou diante dos meus olhos umas dez vezes ontem a noite -

Agora/

{ agora não; há muito você tem família, uma nova vida – e entenda, eu não estou lamentando este fato... }

[e eu...]
-você sabe que eu também tentei ter a minha, aliás, ela começou antes da sua, mas... –

será que você ainda lembra de mim?
ou será que nunca me esqueceu?
  
[é diferente o lembrar do não esquecer, não é?]

eu me lembro do nosso encontro casual e do meu medo de apanhar da sua namorada que não era sua namorada
-naquela festa-

lembro de ter fugido da pista de dança quando me vi dançando a sua frente e lembro também da sua “suposta” namorada conversando com a dona da festa e me apontando e do meu : – ai! socorro! vou apanhar.

[Eu estava de “maria- chiquinha”, você lembra?]

e em uma das cartas você escreveu que queria me fazer “maria-chiquinhas”, seja lá o que isso representasse naquele momento...

-cartas. milhares de cartas...-

e na sua primeira, você pede desculpas por já estar enchendo meu saco, pois escreveu ela no mesmo dia em que eu fui embora de São Luis e voltei para o Rio.
nela, na carta, e você acha que vai me irritar por já estar escrevendo, tão cedo... eu mal fui embora, né? – e lembro também da sensação, da alegria de abrir e de ler aquela carta – foi uma realização tão grande, uma alegria tão plena que eu to voltando aos 16 e lembrando de como foi quando abri aquela carta e do que eu senti no nosso primeiro beijo, do cachorrinho de pelúcia que ganhei de natal ( e guardo até hoje)
 tão inesperado o nosso namoro,
nosso encontro ...

[inesperada nossa troca de cartas] 




nas cartas você parece estar conversando comigo. me dá tanta satisfação... que agora é a minha vez: você sabe que eu nunca esqueci que a gente só se conheceu de verdade depois que eu tomei  um porre e me enchi de coragem para enfrentar um dos meus maiores medos na época e na carta seguinte do meu porre,  você diz que não conhece mais a “menina” em mim e me agradece pelo “mulher” que eu despertei em você e eu acho que foi ao contrário, sabe... foi você quem despertou “a mulher” em mim e eu não sei porquê, mas estou com vontade de te agradecer por isso.

lembro que a gente expulsou seu amigo do quarto e tenho vontade de dar risada não sei porquê, mas talvez eu esteja feliz em despertar essas lembranças... e você lembra que quando tudo isso aconteceu a gente nem estava mais namorando?

naquela época era tão fácil encarar sofrimentos, medos, dores ... será que foi a época ou será que foi o fato de estar ao seu lado que me deu forças para encarar aquele turbilhão todo; digo, tornado, furacão?

 (...)

e eu me pergunto: onde foi mesmo que a gente se perdeu?

sabia que eu não me esqueço daquela vez que a gente foi numa lanchonete e a gente estava discutindo e você estava com um pouco de raiva, ou só triste, não sei – e você comeu tanto, mas tanto, mas tanto que me assustou? – sabia que toda vez que eu passo por aquele lugar eu visualizo a cena, nós dois na calçada e às vezes eu até sinto o seu cheiro...

eu tenho uma lembrança remota, porquê não falar; confusa de que eu cozinhei para você ... eu fiz macarrão? ou fiz uma torta de aniversário? Ou os dois? – eu lembro que tinha um lance de leite condensado, doce de leite, não sei... e eu lembro que você teve um trabalho para fazer e que me deixou em casa vendo VHS com um amigo seu... e quando você chegou... ah! lembro de você ter feito meus olhos brilharem!

e ontem, eu relembrei seus elogios. o quanto você elogiava minhas cartas, meu capricho em escrevê-las e do quanto xingava a sua letra feia e garranchada e a sua escrita monocromática, com apenas uma cor de caneta. naquela época, isso não me importava, aliás, hoje também não importa – sabe o que fica disso tudo?

as suas cartas empoeiradas, amarelando-se numa caixa, mas eu posso relê-las quando quiser, mesmo que espirre até o meu nariz explodir depois... eu guardo todas as suas cartas, cartões, bilhetes. você ainda tem algumas das minhas? não, não deve ter e eu entendo que não as tenha guardado. entendo mesmo!

ah! você me dava tanta satisfação que chega a ser engraçado! -“agora são 3 da manhã”, “tenho dormido pouco”, “vou te ligar amanhã ou domingo”, “não te liguei ontem porque fui para a casa do meu tio”...

morri de rir – não para debochar dos seus sentimentos, mas porque você era tão preocupado que numa das cartas leva um tempão querendo explicar a diferença entre “preocupação” e “sentir pena”.
você já podia imaginar que eu ia achar que você estava me escrevendo “por pena” e não queria ser mal interpretado. você era tão preocupado... que chega a ser engraçado isso hoje.

na época, beirava o dramático, mas não estou reclamando... estou feliz. tão leve em reler suas cartas, cartões, bilhetes...

[naquela época, não existia e-mail, nem celular]

existir? bem... existia, mas estava tudo tão engatinhando... assim como nós, dois jovens, em descoberta... engatinhado...

nós não tínhamos a menor idéia de como seria nossa vida em 2009 e na verdade eu não lembro de como eu queria que ela fosse eu 2009 e muito menos consigo me imaginar no mundo de hoje com o pensamento de ontem e se... eu ia estar feliz hoje com o meu pensamento e idealização de ontem, mas sei que hoje estou aqui em 2009 e estou feliz porque releio as suas cartas, cartões, bilhetes...

estou com o seu convite de formatura nas mãos e me pergunto: como teria sido eu ir nesse baile. teria mudado alguma coisa hoje esse acontecimento? – mas a pergunta não é essa e sim:  onde foi mesmo que a gente  se perdeu?




estou aqui sonolenta com você ao meu lado...

sabia que eu vou dormir com você essa noite e  a gente vai tomar café amanhã de manhã e depois... cada um vai seguir seu rumo, sua vida e eu vou deixar (à contragosto) essas lembranças todas adormecerem e virarem saudade novamente, porque vai ser mais fácil assim, para mim e para você...

e agora... o meu último suspiro antes de te dar um beijo de boa noite e da gente virar para o lado e de conchinha adormecer nesse colchonete no chão do mesmo jeito que aqueles jovens adormeceram em 1996...  mas hein, me fala uma coisa... sussurra no meu ouvido...

ei! antes de dormirmos, eu te pergunto: onde foi mesmo que a gente se perdeu?

3.11.09



Ganhei de presente da amiga e poeta, Sheyla de Castilho  e preciso dizer que ADOREI!!!!!

sobre crime e castigo (V)



o barulho de um coração se quebrando
-não é poético -

é oco
é trágico

-não é musical-

ele chama, pede, clama para que se sigam rituais
- a negação, o choque, a raiva, o desapontamento -
culminando em desespero.

assim como uma estrela branca
que encolhe lentamente

é um desmoronar
por dentro

derreter memórias
-lembranças-
em cada respiração
um sopro!

tal qual a morte sem a parte de dormir



Publicado inicialmente em: Versos de Falópio

29.10.09

sobre cantadas baratas e amores verdadeiros (II)



adoro o silêncio

o breve
e lindo silêncio
entre cada beijo

tagarelam apenas as línguas,
os lábios,
as sensações

adoro o silêncio breve
dos beijos em curso
dos olhos fechados
-e as conversas de nariz-

os beijos de casais apaixonados
no banco das praças,
na praias, no shopping
adoro!

e os sorrisos abobalhados,
as piadas "non sense"
e apelidos bobocas

os olhos cheios de estrelas
desses casais de namorado
na saída dos cinemas,
dos restaurantes,
das festas

-são cenas lindas de ver-

esses casais cruzando as calçadas
as mãos entrelaçadas,
os pés flutuando,
-corpos em ebulição-

a pressa de deitar na cama,
no sofá,
no chão

a correria para chegar em casa
ou no motel

-na cozinha, na sala-

o em pé embaixo do chuveiro
ou na banheira,
na sauna,
na imaginação ...

adoro beijos apaixonados
e o silêncio

que eles gritam
dentro do elevador


27.10.09

CEP 20 MIL - DIA 29 de Outubro - Quinta-Feira

Com a presença e performance de Mme. Kaos (eu, Bia e Marcela) entre muita, mas MUITA COISA BOA!

Partiu?!




Clique no Flyer para ele crescer! rsrsrs

22.10.09

20.10.09

sobre eletricidade e luz de velas (II)



você me ignora e eu não ligo, pois sei que às vezes, e são muitas estas vezes, falo demais e também me canso de mim e da minha voz estridente a estalar nos ouvidos feito bola de chiclete.

você me ignora e eu não ligo, pois sei que às vezes, e são muitas estas vezes, bebo demais e começo a fazer confissões desnecessárias. e sei também, que é preciso ficar calada, mas não consigo ficar calada porque o excesso de cerveja faz o pensamento acelerar e ele foge pelas janelas dos meus lábios muito antes que eu pense que era melhor ter deixado as coisas guardadas, dobradinhas e com cheiro de amaciante dentro das gavetas do armário da alma.

você me ignora e eu não ligo, pois sei que às vezes, e são muitas estas vezes, que seus afazeres e leituras são mais importante que meus "olás", que meus "ois"...

você me ignora e eu não ligo, pois sei que às vezes, e são muitas estas vezes, que você está absorvido pelos seus próprios pensamentos e é mais interessante estar mergulhado no seu mar do que no meu oceano gelado e cheio de tubarões.

você me ignora e eu não ligo, pois sei que às vezes, e são muitas estas vezes, que eu assusto você com meu impulso suicida de pular no abismo e pagar para ver se lá embaixo tem um colchão macio, é terra batida mesmo ou pedra.

você me ignora e eu não ligo, pois sei que às vezes, e são muitas estas vezes, a gente sorri junto e se entende e sabe do que o outro está falando.

e eu não ligo. não ligo mesmo de você me ignorar, porque eu sei que a vida é assim mesmo e eu tenho que aprender a viver com a minha incoerência, com a minha liberdade, com a minha falta de modos e com a minha mania de falar "eu te amo" a toda hora e eu sei não vai ser fácil, mas sinto que a gente poderia muito bem viver junto e feliz, para sempre, numa casinha com cercas brancas e flores no jardim e sei também que é é esse o nosso desejo mais sincero e secreto. eu sei que é tudo isso que a gente deseja, por isso, eu não ligo.

não ligo mesmo para nenhuma poça que nos tire dessa estrada escura e cheia de curvas só porque chove torrencialmente na cidade.

Sobre doçura e desatino ( poema 1) - Versão 2


gosto de sair
- rodopiando pelas ruas -
nos finais de tarde

continuo a girar
e não ligo se alguma ordem
vem ao meu encontro,
nem percebo se os sinais estão nas cores
de "pare", "atenção" e "siga"

rodopio como guarda-chuvas
que desejam virar peão
naquelas dancinhas antigas
que fazia quando criança

sobre doçura e desatino (I)


Da série: 3 momentos 
ou
"absolut cuckoo"


gosto de sair nos finais de tarde
rodopiando pelas ruas
sem prestar atenção
se os sinais estão nas cores
de pare, atenção e siga


continuo a girar
e não ligo se alguma ordem
vem ao meu encontro


rodopio como guarda-chuvas
que desejam virar peão
naquelas dancinhas antigas
que fazia quando criança
 

meus dentes amarelados por anos de nicotina
são escorrega de micróbios e placa bacteriana


minha boca é um playground de micro partículas
de saliva e qualquer outras coisas


minha língua se diverte com sabores,
chicletes, tosses e
beijos
 
minhas unhas quadradas
e um esmalte sempre vivo


elas descascam, eu passo a lixa!

e quando não dá mais para disfarçar 

fujo para a manicure


colorir as mãos,
disfarça imperfeições

Spinning Around - pensamentos recorrentes, a nova série (I)


hoje de manhã sai de casa sem pentear os cabelos. fiz uma trança com a franja em crescimento e prendi o restante para trás num rabo de cavalo. percebi agora que o rabo de cavalo estava um tanto emaranhado e procurei por um grampo na bolsa. fiz então um coque desalinhado e ficou bonito.

não me entendam mal: não estava desgostosa da vida e nem com preguiça de procurar pela escova ( la estava na minha frente), mas eu queria mudar um pouco essa rotina de certezas que me cerca – algo assim como levantar da cama, colocar os chinelos e ir para o banheiro para o primeiro xixi do dia e depois banho e depois café da manhã e escovar os dentes e pentear os cabelos e dar tchau para a minha mãe e sair de casa.

eu não estava com nenhum pouco de vontade de pentear os cabelos e verificar os nós e as pontas duplas e os quatro dedos que preciso cortar dele. eu não estava querendo passar silicone nas pontas, creme para pentear no comprimento e nem fazer nada disso hoje, porque eu faço isso tudo todo dia e nada muda em dia nenhum e fica tudo sempre igual e a mesma coisa e igual a qualquer outro dia.  é só rotina, ritual, vontade de me enganar, acreditar em campanha de marketing de que se eu usar isso meu cabelo vai ficar assim, assado, cozido... não!


escolho meus produtos de cabelo pelo cheiro, pela embalagem, pelo preço, porque é tudo sempre igual e só isso muda: cheiro, embalagem, preço e nada mais. não consigo ser meticulosa para não dizer "fresca" assim como a maioria das mulheres. eu não consigo achar diferença nenhuma nessas coisas, a não ser, lógico, quando a gente vai a um bom salão, porque nesse caso, aí... muda tudo! a textura do cabelo muda. a nossa cara muda. o jeito que as pessoas nos olham, muda. e aí... repito; muda tudo! – mas hoje, nada ia mudar e eu resolvi sair de casa assim, com as cabelos livres de escovar e essa foi a minha escolha e isso mudou tanta coisa hoje.

e mesmo sem sabe o porquê deste texto  e o porquê de eu não estar conseguindo escrever nada que preste mesmo estando bem (deve ser por isso mesmo, porque eu estou bem) e sem saber quando vou voltar a ter ânimo de escrever e de falar em público e de sair de novo e de celebrar a vida eu estou bem, mesmo não sabendo do amanhã, se vou estar ótima ou pior que hoje, ou talvez um pouquinho melhor... eu estou bem. tirando a dor enlouquecedora no dedão do pé esquerdo.

não se preocupem com a minha dor, eu estou medicada, colocando gelo e  não vou sair para dançar como de costume. eu vou deitar na minha cama e sonhar com o meu lindo namorado e vou descansar e ficar calma, tranqüila e feliz e amanhã, vou pentear os cabelos como de costume e esquecer que hoje foi um dia comum como todos os outros mesmo que eu não tenha penteado os cabelos e vou dar tchau para minha mãe e sair.

19.10.09

Além do ponto - Caio F. Abreu

"...não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era."




"... decidi na minha cabeça que depois de abrir a porta ele diria qualquer coisa tipo mas como você está molhado, sem nenhum espanto, porque ele me esperava, ele me chamava, eu só ia indo porque ele me chamava, eu me atrevia, eu ia além daquele ponto de estar parado, agora pelo caminho de árvores sem folhas e a rua interrompida que eu revia daquele jeito estranho de já ter estado lá sem nunca ter, hesitava mas ia indo, no meio da cidade como um invisível fio saindo da cabeça dele até a minha, quem me via assim molhado não via nosso segredo, via apenas um sujeito molhado sem capa nem guarda-chuva, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito. "

"... pensei na lama que ele limparia terno, porque era a mim que ele chamava, porque era a mim que ele escolhia, porque era para mim e só para mim que ele abriria a sua porta."

"...Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora."




"... eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca."


*pq este texto é lindo!!!

2 anos de ...

amor.

2 anos de brigas e abraços.
2 anos aprendendo a estar ao seu lado.
2 anos daquela nossa primeira vez. digo daquela nossa porque todas as nossas vezes são nossa primeira vez.

ah... como é bom ter aprendido a te amar e saber que o mesmo aconteceu com você.




parabéns, amor. por hoje e por todos os outros nossos próximos anos juntos, mesmo com altos e baixos e lapsos e interrupções.

16.10.09

sobre alma e reflexos no espelho (V)



translúcidos olhos
refletem o sentir sem máscaras
- da mentira -

sem máscaras,
a verdade aparece
no castanho dos meus olhos

sempre achei que os sentimentos estampados nas bochechas
desbotassem com o passar dos anos,
- mas não -
eles ficam mais marcados

são desenhados meticulosamente com a caneta de rugas
ficam mais evidentes com o passar do tempo

à cada dia menos sutís; as marcas
[sentimentos desenhados na minha cara]
sem disfarce

eu; exposta

14.10.09

Já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma

Paulo Leminski

13.10.09

resgatando frases de um velho caderno


 
o amor começa como sonho e depois vira monstro. um monstro que consome o pensamento. um monstro voraz que sai destruindo tudo o que vê pela frente. o amor mastiga todos os pedacinhos de mim. o amor devora! o amor chega na hora inesperada.

o amor é um degenerado, um pervertido que faz eu ver a vida em cor-de-rosa. o amor é um mendigo bêbado dormindo em páginas de jornal na calçada. o amor é friorento, calorento, sem sentido.

o amor é um pedinte, um transeunte, um passageiro. o amor é um cantor de churrascaria tentando emplacar um hit na novela da Record.

o amor é um escritor que não sabe gramática, uma equação matemática, uma coca-cola quente.

o amor é químico! a biologia explica o que ele é... bem melhor que a filosofia.

o amor é uma repetição.

o amor são os ciclos, as idades da vida.

o amor é o inferno astral vestido de anjo.

o amor acha ser simples, mas é complicado a beça. precisa de terapia!

o amor não deve ser explicado. amar, não é pecado!

o amor acha que é gente... e pode até ser no começo, mas quando o amor acaba... quando o amor acaba... é a gente que sente a dor.


If I read a book and it makes my whole body so cold no fire can even warm me, I know that is poetry

Emily Dickinson

9.10.09

"Se minha poesia tem algum objetivo é de retirar  as pessoas das formas limitadas com que  vêem e sentem"




"A única obscenidade que conheço é a violência."
 

James Douglas Morrison (Jim Morrisson)

Ser poeta, por Rimbaud

"um poeta torna-se um sonhador através de um longo, ilimitado e sistemático desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; investiga-se a si próprio, consome dentro de si todos os venenos e preserva as suas quintessências. Um tormento indescritível, onde irá encontrar a maior fé, uma força sobrehumana, com que se torna, de entre todos os homens, o grande inválido, o grande maldito – e o Supremo Cientista! Pois alcança o desconhecido! E que interessa se for destruído no seu vôo extático por coisas inauditas e inomináveis..."

sobre pipoca e formigas na cadeira (IV)

o que falar de Tarantino? tirando o óbvio que ele é genial, genial, genial?! "Inglorious Basterds" é uma obra-prima e até agora o filme pulsa em minha veias e as imagens saltam da minha retina.

sabe quando vc acha que a pessoa nunca vai se superar, mas ela se supera? pois é, fechei o "meu" Festival em grande estilo e saí do cinema, feliz.

isso tudo sem falar da atuação de Brad Pitt que... está impagável!

7.10.09

sobre pipoca e formigas na cadeira (III)



sensibilidade nada mais é que habilidade de olhar diferente para a vida e sentir as paisagens. de escutar o que gritam, o que choram; o que já sofreram.

      [é perceber,
num relance

um raio de sol perdido 

e encantar-se com ele.]

Gabrielle (Coco) Chanel foi uma mulher moderna; à frente do tempo. uma mulher sofisticada  que via as coisas "nuas".

com olhar de simplicidade, ela modificou costumes, transcendeu "fru-fru's", abriu caminho para outras revoluções. sempre soube aonde ia e chegou lá no degrau máximo da sofisticação sem rebuscamento e continua aqui, na inspiração mais iluminada. ela foi a responsável pela desconstrução de costumes na alma feminina.

... delicada e forte como as pérolas que carregava no pescoço, ela sabia que o amor ,como Cazuza cantou anos depois, "a gente inventa". ela sabia que seria rica, famosa, célebre e seguida por hordas de mulheres felizes sem espartilho por baixo dos vestidos. ela foi a libertação, pois sempre teve consciência do que era
liberdade.

6.10.09

Evento novo TAVINHO PAES - Divulgando.


... a estréia experimental será nesta quarta (07 de outubro), mas o evento se desenvolve durante todas as quartas do mes de outubro (14 - 21 e 28) ... a localização é no começo da Barra, na praça do Ó ...  SE DER, mandem o anexo aos amigos em seus orkuts, twitters e facebooks, please

tavinho paes

sobre pipoca e formigas na cadeira (II)





pessoas riem, pois a velha com Alzheimer está longe. lá na tela do cinema e não em suas vidas. as pessoas gargalham, pois a velha com Alzheimer faz xixi no meio da sala e manda a filha embora sem qualquer explicação. as pessoas acham engraçado a velha com Alzheimer fugir de casa e se assustar com o barulho do elevador.

é, deve ser realmente engraçado para essas pessoas ver um adulto voltar a ser criança e ter que ser ensinado a usar o vaso sanitário. esse deve ser mesmo um filme de comédia para essas pessoas que não têm uma velha com Alzheimer em suas vidas. esse drama que para elas é comédia, alegra suas vidas, mas para mim é drama e eu acho triste e eu me identifico e choro.
choro muito! copiosamente. não por ser chorona, mas porque eu tive uma velha com Alzheimer por perto e eu amo essa velha. a minha velha com Alzheimer não sabia qual era meu nome e nem o da minha mãe. a minha velha com Alzheimer era a minha vó e eu sinto muita falta dela.

* escrito depois de assitir " A caixa de Pandora"

5.10.09

sobre pipoca e formigas na cadeira (I)




o dia passa e não me reconheço
nas gotas da chuva que cai lá fora

estou trancada numa sala escura
com os pés esticados sob a poltrona da frente
enclausurada num filme profundo
-no purgatório-

as idiotas da poltrona ao lado
-riem de nervoso-
não percebem que a vida é densa
como um filme em preto e branco
acham esquisitos os contos de Juan Rulfo
e fazem comentários bobocas que me irritam profundamente

a vontade de mudar de lugar em contraponto
com outra vontade
a vontade de continuar no lugar que escolhi,
no qual estou confortável demais

espero o fim do filme mesmo desejando que ele nunca acabe
e recomece imediatamente depois do "THE END", 
mas ele termina mesmo assim
antes que eu me dê conta
do que ele mudou dentro de mim

é assim como ver um bebê voador
com asas de pássaro e imaginar que um anjo
ganhou vida terrena numa película leve
e inspiradora de François Ozon
por um segundo então, perceber que anjos voam pela minha vida
mesmo que sua existência não seja percebida
no Zoológico Humano  em que me sinto
presa

na jaula em que me sinto presa
dia após dia
sejam estes  domingos chuvosos
ou não

Poema novo hoje lá no

Festival do RIO 2009 - HUMAN ZOO

Este filme de quase 2 horas tem de tudo. É atual, cheio de ação, poético. Uma visão feminina do "Poderoso Chefão" e é É um pouco difícil de descrever, pois ele "navega" em muitos lugares e é uma compilação de várias idéias. Uma miscelânea, como a sociedade atual. É o Zoológico em que vivemos. Provavelmente inspirado em Quentin Tarantino, Luc Besson e muitos outros grandes diretores.
Vá assistir este filme com a mente aberta e você irá experimentar a visão artística da bela e talentosa Rie Rasmussen, seu entusiasmko, sua poesia, sua noção de tempo e seu estilo.

Definitivamente espero ansiosa pelo novo projeto dela.







Estou até agora encantada com o filme, a Diretora, o ator... aiai!

29.9.09

Festival do Rio - + 1 filme

(500) dias com ela

sobre alma e reflexos no espelho (IV)




rituais são gatos de sete vidas
que vivem dezessete anos
e morrem dormindo

são o tipo de coisa para se fazer uma vez na vida
em um momento muito, mas muito especial
e guardar a sensação
-para sempre-
assim como quem não quer nada
porque já tem tudo

aquele sentir pontinho luminoso
que brilha no peito

aquele instante a girar sozinho, quieto
no trilho do metrô
no vagão elétrico que trafega
no mesmo circuito
-todo dia, tarde, noite-

no eterno, a crina do cavalo
esvoaça com o vento

lembranças se movem nos orgãos internos
e sempre se renovam
com a brisa

se deixam lavar com as lágrimas que escorrem
descobertas pelo rosto
e deixamos guardadas no gosto
de 35 goles de Rum

uma música se divide na dança
num beijo roubado,
no lavar das janelas

momentos não evaporam feito a àgua do arroz
nem se dissolvem em sopa quente

afeto se guarda
e se sente
nas pequenas coisas

no regar das flores do túmulo,
no abraço mudo
no falar calado

na fotografia,
num filme francês,
nas sombras, nos azuis,
nas nuances ...

nos olhares, nos sonhos

guardar momentos nas gavetas quietas
do coração que impulsiona
a vida que pulsa
pelo que vivemos
até que finde o ar das narinas

até o último suspiro
dos pulmões

*escrito depois de assistir no Festival do Rio 2009 ( 35 goles de Rum)


Sinopse:

O viúvo Lionel vive num complexo habitacional com sua filha, Josephine, com quem tem fortes laços por tê-la criado sozinho. Enquanto Lionel atrai a atenção de uma mulher de meia-idade, um taxista que começa a rodar pelo bairro flerta com Josephine e eles passam a sair. Quando o namorado de Josephine aceita um trabalho no exterior e se muda, deixando a moça balançada, Lionel percebe que a filha está ficando independente e que talvez seja hora deles confrontarem seus passados.

25.9.09

Alfonsina Storni





RAZONES Y PAISAJES DE AMOR



I

AMOR:


Baja del cielo la endiablada punta
con que carne mortal hieres y engañas.
Untada viene de divinas mañas
y cielo y tierra su veneno junta.

La sangre de hombre que en la herida apunta
florece en selvas: sus crecidas cañas
de sombras de oro, hienden las entrañas
del cielo prieto, y su ascender pregunta.

En un vano aguardar de la respuesta
las cañas doblan la empinada testa.
Flamea el cielo sus azules gasas.

Vientos negros, detrás de los cristales
de las estrellas, mueven grandes asas
de mundos muertos, por sus arrabales.


II

OBRA DE AMOR:


Rosas y lirios ves en el espino;
juegas a ser: te cabe en una mano,
esmeralda pequeña, el océano;
hablas sin lengua, enredas el destino.

Plantas la testa en el azul divino
y antípodas, tus pies, en el lejano
revés del mundo; y te haces soberano,
y desatas al sol de tu camino.

Miras el horizonte y tu mirada
hace nacer en noche la alborada;
sueñas, y crean hueso tus ficciones.

Muda la mano que te alzaba en vuelo,
y a tus pies cae, cristal roto, el cielo,
y polvo y sombra levan sus talones.


III

PAISAJE DE AMOR MUERTO:


Ya te hundes, sol; mis aguas se coloran
de llamaradas por morir; ya cae
mi corazón desenhebrado, y trae,
la noche, filos que en el viento lloran.

Ya en opacas orillas se avizoran
manadas negras; ya mi lengua atrae
betún de muerte; y ya no se distrae
de mí, la espina; y sombras me devoran.

Pellejo muerto, el sol, se tumba al cabo.
Como un perro girando sobre el rabo,
la tierra se echa a descansar, cansada.

Mano huesosa apaga los luceros:
Chirrían, pedregosos sus senderos,
con la pupila negra y descarnada.

Alfonsina Storni





Soy un alma desnuda en estos versos,
Alma desnuda que angustiada y sola
Va dejando sus pétalos dispersos.

Alma que puede ser una amapola,
Que puede ser un lirio, una violeta,
Un peñasco, una selva y una ola.

Alma que como el viento vaga inquieta
Y ruge cuando está sobre los mares,
Y duerme dulcemente en una grieta.

Alma que adora sobre sus altares,
Dioses que no se bajan a cegarla;
Alma que no conoce valladares.

Alma que fuera fácil dominarla
Con sólo un corazón que se partiera
Para en su sangre cálida regarla.

Alma que cuando está en la primavera
Dice al invierno que demora: vuelve,
Caiga tu nieve sobre la pradera.

Alma que cuando nieva se disuelve
En tristezas, clamando por las rosas
con que la primavera nos envuelve.

Alma que a ratos suelta mariposas
A campo abierto, sin fijar distancia,
Y les dice: libad sobre las cosas.

Alma que ha de morir de una fragancia
De un suspiro, de un verso en que se ruega,
Sin perder, a poderlo, su elegancia.

Alma que nada sabe y todo niega
Y negando lo bueno el bien propicia
Porque es negando como más se entrega.

Alma que suele haber como delicia
Palpar las almas, despreciar la huella,
Y sentir en la mano una caricia.

Alma que siempre disconforme de ella,
Como los vientos vaga, corre y gira;
Alma que sangra y sin cesar delira
Por ser el buque en marcha de la estrella.