4.5.10

das escrituras escondidas no monte mais alto (VI)

último gole
fecha a conta
vou para casa dormir
dormir
até não amanhecer

me mostrar até esconder
desafiar até ser desafiada
esquecer até ser esquecida
correr até perder a vontade
de respirar


-resgatar o fôlego e seguir em frente-

correr com os tornozelos cansados
correr, correr, correr
correr até voltar a andar
seguir em frente
na linha reta do asfalto

seguir na estrada
passos, passos
mais um passo,
parar.

seguri para frente,
mais um passo, sem descanso
com os tornozelos doídos
andar

-andar sem rumo-

seguir em frente
para a frente
mais um passo
os pés cansados
doendo

seguir em frente,
mais um passo, dois
sem rumo
-seguir-
parar um pouco
sem descansar;
andar.

almofadas descalças (II)

numa tarde ele disse: - eu te amo!
eu também; respondi.

os olhos cheios de lágrima com a descoberta
e assim a vida; seguiu.
digo; anos se passaram
sem para sequer nenhum lado eu olhei
até que  adeus chegou.

são assim os inícios até que o fim
se concretize.

das escrituras escondidas no monte mais alto (V)

escrever poema é difícil à beça!

não é fazer cena,
não é discursar sobre o abstrato

não é correr contra o tempo, falar de beleza e muito menos
de amor.

escrever um poema é gritar toda a dor que se esconde na porta dos fundos de um coração sem esperança
e que não se cansa de tomar porrada de vida.

escrever um poema é morrer um pouco a cada frase
e sem disfarce,
se descabelar diante de uma página em branco.

aos trancos e barrancos,
escrever um poema
não é exaltar a liberdade e nem viver a bohêmia
que salta dos poros a cada gole.

escrever um poema
é desgastante, difícil,
mas possível
em todas as impossibilidades!

escrever um poema é pesado como um elefante
é uma arte que consome a melanina dos cabelos castanhos.

escrever um poema
transforma qualquer cabelo saudável em branco.

escrever poema não é brando como sorrir

escrever poema é um eterno engasgar-se com espinhas de peixe
deixá-las atravessadas na garganta

escrever poema é como arrancar uma espada do peito sem tirar sangue
e sangrar ao mesmo tempo.

é sangrar e sangrar muito até não fazer, mas ter sentido.

escrever um poema não é a morte
e nem a vida
não é a ilusão e nem o concreto

não é um trabalho "stressante"
e nem a falta do emprego

não é o marido relapso
e nem a namorada vadia que dá para qualquer um

não é o cachorro abandonado
e nem o gato maluco que mija em qualquer dos cantos
para marcar território.

escrever um poema é uma casa que desmorona quando chove demais.

é o choro sofrido do trabalhado braçal que perdeu tudo.

escrever um poema
é passar para o papel todo absurdo do mundo em que vivemos
e nunca
se conformar!

das escrituras escondidas no monte mais alto (IV)

abriu a porta com a chave errada
-à ponta pés-
chegou em casa morta, torta,
bêbeda de dar dó.

passou a noite de bar em bar
procurando algum sentido em viver
enquanto carne,
indivíduo;
mulher.

encontrou olhares tortos,
desassossego,
pessoas boas e nem tanto assim.

encontrou homens impotentes,
mas com tesão.
oportunistas com tatuagem de líderes de guerrilha na barriga;
aproveitadores.

mulheres mal amadas,
homens infiéis,
olhos vermelhos de viagem e de medo.

patricinhas do funk,
cachorras da valsa
e estagiárias bem vestidas
de direito.

conseguiu quebrar a unha, tropeçar na rua,
voltar a fumar;
navegar

-navegar no asfalto-

à deriva, consegui pensar
pensar na vida
e sem nenhuma conclusão formada
abriu a porta torta
bêbeda e faminta de dar dó
e ensaiou
morrer.

das escrituras escondidas no monte mais alto (III)

era uma borboleta preta
feia, feiosa
diferente das outras.

feia, diferente das outras,
mas esperta
não era feliz e nem procurava a felicidade.

não estava em busca
-de nada-
apenas vivia,
voava; vagava.

passava por lugares,
sorria, conversava, brincava;
vivia!

estava no mundo apenas.

era diferente e não se importava com isso:
com a falta de abrigo,
com o desamor.

ela estava certa.
era diferente de mim.

das escrituras escondidas no monte mais alto (II)

flores secas
[mortas]

fantasmas fazem búúú de madrugada

acordo assustada
e choro como um recém nascido
sem mãe

-lágrimas escorrem à cada bocejo-

estou com sono,
mas é tanto choro
preso
dentro

não sei andar e à minha frente
só escadas

não sei engatinhar e à minha frente
apenas água

água de choro, de amar. de lago,
de amar.

de amar tanto que não sei se amo verdadeiramente
se amo algo, alguma coisa ou nada

flores de plástico nos vasos de flores mortas
flores secas, mortas, sem água
flores falsas como sorrisos
e àquelas cantigas breves de
amor.

das escrituras escondidas no monte mais alto (I)

extra large é a confusão que pulsa e deve ser expurgada de mim.
o que não sei e está dentro.
dentro, aqui dentro, martelando em mim.

o que conversa; espalha-se em pedaços, os retalhos
a intensidade
o que se distingue e o que não consigo distinguir
 - saber -
do que não sei o que é, mas existe;
insiste em mim.

nada está bom nem ruim
o que não fala, não diz, mas grita!
o que não sussurra, desafia, berra!

o que não diz a que veio
não versa, nem sussurra,
mistura mais a confusão.

empurra  para dentro a caipirinha açucarada e quente
que não bebi  e nem provei.
não provei porque não pedi
não pedi porque não sabia o que queria beber e ainda não sei.

não sei o que existe,
insiste, grita em mim,
mas é um grito alto
um urro de desespero
um berro que faz doer os ouvidos e de tão alto,
dá enjôo.

é como um pulo, um salto de desespero

é desesperador saltar assim do precipício
é desesperador saltar assim; parada
me faltam asas.

confesso que morri.

Para desabafar

Fiquei estupefata quando semana passada uma pessoa que anda no meio poético no Rio de Janeiro me encontrou em um evento e veio com o livro novo para mostrar para mim. Mostrar seria bondade já que ela não deu o livro na minha mão para que eu visse se gostava e sim mostrou ( segurando o livro) e disse: -Juliana você vai comprar meu livro? - eu disse educadamente que no momento não iria, mas quando tivesse recebido sim. Só dei essa resposta porque não tive tempo para pensar na hora e na verdade só pensei mesmo depois do fato acontecido. Ela não satisfeita com a minha negativa continuou: Tá, mas um dia você vai comprar. Eu comprei seu livro. Fui ao seu lançamento! - achei essa atitude de como que querendo me obrigar, me ordenar a comprar o livro. Como se porque ela comprou eu tivesse obrigação...
Fiquei confusa na hora, mas depois, fiquei puta comigo por não ter respondido na hora: você foi ao meu lançamento; bem o Prosecco italiano estáva ótimo não? Você comprou meu livro porque quis eu não te obriguei como você está tentando fazer neste momento, né? Sua postura está errada diante da coisas... não achas?
E pior ou melhor é que pelo que me consta esta pessoa é Psicanalista, Psiquiatra, sei lá! Me dá pena de seus pacientes. Antes desta pessoa tratar os outros, ela deveria se tratar!
Este fato aconteceu já tem um tempinho, mas só agora consegui organizar as ideias para desabafar e sabem, acho que este mundo da poesia está errado. Tem muita merda no meio dele e isso me deixa triste. Profundamente triste. No meio da poesia, de poetas, a única coisa que deveria ter é a exaltação da beleza da vida, da poesia nas coisas simples, do desejar o amor acima de qualquer sentimento. Não dveeria existir neste meio o que existe: fofiquinhas, picuinhas, egos exacerbados e acima de tudo, as pessoas deveriam entender que nem todo mundo é poeta e nem todo mundo escreve poesia. Tem gente que escreve. Escreve e ponto. Escreve para fazer catarse. Escreve para desabafar como estou escrevendo neste momento e este meu desabafo, desculpem, não é poesia. Não é porque eu desabafo que eu estou escrevendo poesia e sim, eu sou poeta. Eu nasci poeta e não porque me dizem e nem porque eu digo e sim porque me sentem poeta e assim me sinto na poesia. Os que me leem me sentem poeta, me ditam poeta e todos os dias que acordo eu acordo poesia, mesmo quando estou triste, chateada, amargurada e de saco cheio da vida.
Tenho tentado há muito custo me afastar de eventos de poesia e até de amigos mesmo, pois a mim faz muito mal dar de encontro com pessoas como a citada acima que está neste meio por oportunismo. Para tentar caçar um certo status neste meio e o pior e mais feio, para invejar os outros, para tentar fazer amigos, para urubuzar.
A minha vida não é nada fácil para que ela seja urubuzada por quem não vive poesia 24h por dia e ir para evento de poesia para ver um bando de gente que não diz nada com nada e se diz poeta e que faz poesia... é duro demais para mim.
Seletividade sim! Meus ouvidos são massacrados demais por isso e  eu me irrito e fico com fama de stressadinha. Sim! Saio para me divertir. Saio para ver amigos para respirar poesia e sinceramente não é qualquer "batatinha quando nasce" que me alimenta. Não é mesmo!!!
Fiz durante alguns anos parte de um grupo de poesia e fiz juntamente com este grupo um evento e lá sim, podia tudo. Tudo era permitido e a gente sabia que sempre ia ter um hippie, um bêbado, um louco que ia pegar o microfone e cantar e dançar e fazer comício. Eu muitas vezes fui esse bêbado, esse louco, esse hippie. E com isso, que hoje digo que foi exercício poético, aprendi a selecionar o bom do ruim. O que é do que não é.
Por favor não vejam isso como não estímular os outros a escrever. Sim. Todos devem escrever, mas entendam, nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta como Tavinho Paes. Nem todo mundo é poeta como Mano Melo. Nem todo mundo é poeta como Pedro Lago, Pedro Lage, João José de Melo Franco, Adriana Monteiro de Barros, Beatriz Provasi, Marcela Gianini, Chacal, Augusto Guimarães Cavalcanti, Sheyla de Castilho, Thereza C. Rocque da Motta, Alice Sant'anna, Luiz Felipe Leprevost e "blá, blá, blá". Nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta. Nem todo mundo é poeta.Nem todo mundo é poeta.Nem todo mundo é poeta.Nem todo mundo é poeta, PORRA!!!!!

*Tem gente que não está nessa lista simplesmente porque eu esqueci de citar, mas isso não quer dizer que eu não as considere ou melhor que elas não sejam poetas. rsrsrs

31.3.10

Feeling the blanks

a primeira vez que ví Felipe ele estava lá, com outra dentro do carro. Não nos conhecíamos, então, não havia motivo para sentir ciúmes apenas vontade (vontade de estar lá no lugar dela com ele).

não sabia se eram namorados antigos, marido e mulher ou se tinham acabado de se conhecer então encostei na vitrine da loja e fiquei lá olhando ele se contorcendo enquanto ela fazia vocês sabem o que.

ele se contorcia e eu imaginava o som dos gemidos. qual seria o tom de voz dele?

a cena era excitante. às vezes dava para perceber o movimento das mãos dele empurrando a cabeça dela para cima e para baixo. eu não via as mãos, mas percebia o movimento dos ombros e me imaginava ali. imaginava também como seria o pau melhor amigo dele? grande, pequeno, grosso, lindo? apetitoso era, com certeza.

cruzamos olhares. eu de fora do carro encostada na vitrine da loja de sapatos e, ele lá, sentado no banco do motorista. percebi que depois disso ele não tirou mais os olhos de mim e eu comecei a fazer imagens de nós dois juntos naquela situação e em outras também, lógico.

àquela altura eu comecei a perceber que já estava completamente umedecida. minha calcinha estava molhada e meus mamilos se endureciam. um tesão enfurecido tomava conta de mim e se eu não estivesse na rua certamente enfiaria dois dedos em minha vagina amiguinha que acabara de ser depilada sair do cabelereiro.

queria sentir o mesmo que aquela mulher sentia ao mesmo tempo em que queria fazer o que a mulher fazia, ser o que a mulher era e sentir o gosto que logo logo ela ia sentir. queria ser puxada pelos cabelos por ele e realizar todos os desejos daquele homem que se deixava masturbar brincava de pique-pega no carro.

fiquei ali olhando e esperando pelo momento em que ele fosse penetrá-la com força colocá-la sentanda no colo ou até mesmo pelo momento em que ele gozasse não aguentasse mais. ela levantaria a cabeça lambendo os lábios e sorriria de canto de boca. fiquei ali esperando pela cara de safada santinha dela.

desejava também saber o que aconteceria depois que ele explodisse. se ele masturbaria abraçaria ela, lamberia seus seios beijaria seus ombros ou se colocaria ela montada em seu mastro em seu colo encostada no volante. se engataria a primeira e sairia cantando pneus até o Motel albergue mais próximo ou se ela saltaria do carro logo depois.

percebendo que o momento crucial estava próximo, soltei e sacodi os cabelos, lambi os lábios e olhei atentamente para ele que piscou imeditamente para mim como se quisesse falar: - estou pensando em você, gatinha!

ela levantou a cabeça, me viu, deu um sorriso sem graça, tascou lhe um selinho nos lábios, pronunciou algumas palavras e saiu do carro. passou por mim toda encolhida como se estivesse com medo ou vergonha e entrou no bar próximo.

ele, abriu a porta do carona e eu percebendo entrei no carro e ele disse: Muito prazer, sou Felipe. Eu sem graça respondi: - Layla.
...
ele: eu disse para ela que você era minha namorada e que nós gostávamos desses joguinhos. que tinha sido bom e que bem, era hora dela ir.
eu: e você, gozou com vontade explodiu como dinamite?
ele: sim. ela gostava muito de sorvete.
...
ele: o tempo todo eu pensei em você.

23.3.10

Feel in the blanks


Na primeira vez que viu Layla estava sendo chupado acariciado dentro de um carro por uma vadiazinha menina de boa família qualquer. Só não perdi totalmente a concentração, pois confesso que ela lambia meu pau melhor amigo com tanta vontade com se ele fosse uma casquinha de creme. Confesso também que entre "ai's e ui's" não consegui tirar os olhos do rostinho amendoado e quase angelical da menina que me observava gemer por através do vidro. Ela usava um vestido florido que de tão fluido dava para perceber que estava sem soutien. As setinhas dos seus seios apontavam para mim.
Imaginei de pronto meus lábios e língua sorvendo a juventude daquelas tetas daqueles mamilos eretos rosados enquanto meu cacete rijo irmão camarada sorridente se espreguiçaria no meio àquelas torneadas pernas compridas, brancas e magras.
Comecei então a imaginar o quanto de prazer dividiria com a menina assustada que me olhava enquanto recebia um enxarcado boquete um carinho no amigo de fé de uma putinha bêbada cheirosa transeunte que desde a festa havia se encantado com a grossura do gargalo do meu "long-neck".
Eu procrastinei gozar morrer de prazer - tanto por estar bom, quanto para não perder um minuto que fosse dos risinhos tímidos, quase nervosos que Layla cheia de tesão amor para compartilhar - direcionava para mim.
Naquele momento, era possível perceber que ela rangia os dentes. Naquela mesma altura, já tinha soltado os cabelos e apertava os olhos enquanto passava a língua em volta dos lábios para me provocar ainda mais. Ela me olhava ...
até que eu, em ponto de bala,
encharquei de porra "milk-shake"
a garganta da deliciosa vadia
quechupava meu pau com vontade
menina que gostava de sorvete.

Esqueci de me apresentar, sou Felipe

17.3.10

almofadas descalças (I)

a cabeça dói e os pensamentos se misturam com o balanço da última poltrona do ônibus enquanto a letra insistente de uma música desconhecida toma conta dos meus sinais vitais.

"there's a place I like to meet. there's a place I'd like to be".

a bateria faz as vezes dos pingos de chuva e o frio do ar-condicionado o queimado no meu dedo latejar. tudo no mesmo ritmo.

"there's a place where I be happy".

parece uma viagem de ácido. vozes sussurram ao fundo. instrumentos gritam. a chuva desaba com força e a avenida fica alagada. já transbordei há tanto tempo...

meus olhos esfumaçados não enxergam os seus. meus bueiros entupidos do lixo produzido nas ruas das minhas veias. pensamentos desencontrados, imundos na enchente, de mim.

não sei ser o que basta. nada me sobra. tudo se acaba tão rapidamente que não dá para fugir.

nunca fui corajosa o suficiente para ser covade.

16.3.10

E daí que acaba? (Marcelo Rubens Paiva)

Saiu no Estadão:

"Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.

São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, as estrelas estavam próximas, em que nasceram um para o outro e morreriam grudados, na alegria e na doença.

Aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e mergulharam no tombo da separação, em que a decepção troca de lugar com o amor, e o futuro vira pó.

Eu não aguento mais replicar: "Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele."

Para aquelas que dizem não acreditar mais no amor, proponho então experimentarem outros e apostarem nesse bilhete só de ida.

Uma noite de prazer acaba. Um banquete acaba. Uma viagem inesquecível acaba. O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira acabam. Não por isso, evitamos outros.

Ah, foi o dia internacional delas, que amamos tanto, que nos deram à luz, intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passavam despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, abafar a vergonha e nos inspiraram música, poesia, até guerras.

Mas sua descrença com os novos tempos e o velho homem nos deixa desesperados, órfãos. Nostradamus previu isso? Está escrito nos céus?

Se vocês não acreditam mais, quem acreditará? Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo: "Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais."

Trégua. Que venham os clichês. Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada. Quer que eu apague a luz na enxaqueca? Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras, COR, vencem por 2 X 1 as três letras PAL.

Fique na cama na TPM. Trarei uma bolsa de água quente e o jantar. Sim, vamos comprar sapatos. Eu espero. Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.

Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo. Batom vermelho te deixa mais bonita. Não, a calcinha não está marcando. Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido. Não, o sutiã não está aparecendo.

Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.

Cuido de você na velhice, não te trocarei por uma adolescente que cheira a tutti frutti, nem pela secretária vulgar da firma, amarei a sua pele um pouco mais flácida, seus seios naturalmente instáveis, seu corpo maduro, seus joelhos frágeis. E tomaremos vinho tinto todas as noites. Prefere branco? Que celulite?

Porém, a maioria de vocês conhece agora as teclas atalhos, a pressão nos pneus, sabem chamar o seguro, para uma pane elétrica, e que carrinho por trás dá cartão vermelho. Tornam-se independentes.

Pesquisa da Serasa Experian até mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do País - segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo dos mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres "ricas" somam cerca de 1 milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.

Foi uma semana cheia de dados e números sobre elas, vocês. E nós. Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou, enquanto o de casamentos formais, de papel passado, caiu 12%.

O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman? "Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?", pergunta.

Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo, a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.

Desistimos da sede pelo amor? Não, mulher não é o apêndice do homem, mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser. Não nos deixem desamparados. E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.

Amar ainda é a única maneira de convivermos com a sua delicadeza e alimentar nossa vocação de proteger e cuidar. Não façam do homem uma noite sem vento, um mundo sem gravidade. Parecemos tolos e infantis, controladores e insensíveis. Mas as amamos tanto...

Acaba mesmo? Comece outro. Antes que a amargura substitua o brilho dos seus olhos. E a pieguice, a rima e as metáforas sejam extintas."

15.3.10

Chá para dois

coração preenchido. não há espaço esvaziado na alma.
o vazio é outro tão outro que nem dá para saber. uma porta de vai e vem.
o não saber é um puxe/empurre. "puxempurre". "puxempurre". "puxempurreeeeeeee"...

sinto-me um palahaço na chuva com a maquigem a derreter. fragmentos de tudo o que não amor espalhado na calçada. para onde ir se vou e volto? as lágrimas não me dão a resposta.

sou uma porta de vai e vem como nos antigos cabarés.

-push/pull- 
 
uma porta fechada para balanço. o balanço do amor. do amor que me balança e me impede de cair.
amor que me guia. me respitra. me caminha. me canta.
eu danço essa música. a música desconcertante do amor. música boa num ritmo lento. eu danço essa dança a passos lentos. dois para lá; dois para cá. não piso em nenhum pé.

o amor me passeia. me viaja. me sangra. me imagina. me sopra. ao amor me vive. me mata. me transpira. respira. abre meus poros.

o amor me voa. me compra. me vende. o amor me sente e massageia meus pés quando eles se vêem cansados.

ele, o amor, me dia para onde ir e o que quer fazer. a amor coulou um cadeado na porta do meu coração e então, sem ir nem vir, fico trancada.

o amor me segura. prende meus pensamentos e sem chave paralizada no movimento do amor uma porta "puxempurra". "puxempurra". "puxempurraaaaaaaaaaaa" a alma e assim, sorrio dentes brancos em sete tonalidades. do vermelho ao rosa chá.

25.2.10

 
 
Just Breathe

Yes I understand that every life must end, aw huh
As we sit alone, I know someday we must go, aw huh
I’m a lucky man to count on both hands
The ones I love
Some folks just have one,
Others they got none, aw huh
Stay with me
Let’s just breathe.
Practiced are my sins,
Never gonna let me win, aw huh
Under everything, just another human being, aw huh
Yeh, I don’t wanna hurt, there’s so much in this world
To make me bleed.
Stay with me
You’re all I see.
Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn’t now I’m a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean
I wonder everyday
as I look upon your face, aw huh
Everything you gave
And nothing you would take, aw huh
Nothing you would take
Everything you gave
Did I say that I need you?
Oh, Did I say that I want you?
Oh, if I didn’t now I’m a fool you see

No one know this more than me.
As I come clean
Nothing you would take everything you gave.
Hold me till I die
Meet you on the other side

1.2.10











Somethin’ filled up
my heart with nothin’,
someone told me not to cry.

But now that I’m older,
my heart’s colder,
and I can see that it’s a lie.

Children wake up,
hold your mistake up,
before they turn the summer into dust.

If the children don’t grow up,
our bodies get bigger but our hearts get torn up.
We’re just a million little god’s causin rain storms turnin’ every good thing to rust.

I guess we’ll just have to adjust.

With my lighnin’ bolts a glowin’
I can see where I am goin’ to be
when the reaper he reaches and touches my hand.

With my lighnin’ bolts a glowin’
I can see where I am goin’
With my lighnin’ bolts a glowin’
I can see where I am go-goin’

19.1.10

5.1.10

... que tudo se realize, no ano que já nasceu ...





2000 & Jazz
'n Rock
'n Roll
with Blues

o entardecer no litoral
o pôr-do-sol
o suor
e o champanhe antes da meia-noite

já é outro dia
e serão os mesmos beijos
numa roupagem nova
mas com você
sempre com você
tudo treme

tudo é
2000 & Jazz
'n Rock
'n Roll
'n Blues
with you