30.6.09

B-day!

Saudade de quando eu era essa menininha...
anyway... PARABÉNS para mim!
Sim!!! Hoje estou "dressed like a cupcake".

Happy 31 for me & my Dad (in sky with diamonds)!

24.6.09

sobre cadernos antigos e constatações (I)


-saltei no ponto errado-

na van, o cheiro fétido de neutrox era tanto que peguei um taxi e resolvi beber mais alguma coisa num bar à beira mar. saí de onde me deixava sóbria - da van - no ponto errado. o cheiro de neutrox era tanto que enjoava.

gosto de ser independente. bebi uma caipvodka de frutas vermelhas e comi um temaki de salmão com uns crocantes. gosto de beber por mim mesma. o que quero.

-é como realizar um desejo-

frutas vermelhas e muito gelo boiando num copo de boca aberta. um canudinho com pá, para não entupir. gelo. muito gelo.

o cheiro de maresia me inebria. o lugar está tranquilo. saltei no ponto certo tal qual a maresia. está cada vez mais longe o cheiro fétido e enjoativo de neutrox - que me enjoava.

-faz frio por aqui. não diga que me ama -

sem você sou nada, menino.
sem você sou nada.

23.6.09

Sobre insônia e lindos sorrisos (VI)

Da série: Punk rock love
ou
mais um músical da Brodway

é difícil pensar que duas latas de tinta
-uma rosa outra azul-
foram jogadas na parede de tal forma
que toda a possibilidade de obra de arte
se transformou
numa pintura estranha

perdida numa parede

caindo aos pedaços

ou melhor

um coração

uma droga de um coração

partido

com o reboco caindo


uma parede

uma parede desabando

uma porra de uma parede

caindo

aos pedaços


como o coração rosa

caindo aos pedaços

com sangue jorrando

jorrando

sem possibilidade de coagular

a tinta azul sente raiva e está vermelha

e não deveria estar tão vermelha

vermelha é a cor do amor

mas também do ódio

da raiva

a tinta azul quis pular mais alto que os pés

e bateu na parede de um jeito tão

que não se fez lilás

e era tão lilás o azul e o rosa

nas latinhas

guardados

se guardando

sorrindo

era tudo tão lilás

e agora

é tudo roxo estranho

tudo roxo

estranho

merda

tudo

estranho


De notasparaumlivrobonito.blogspot.com

especulações sobre o amor simples

para o amor
por enquanto
não a flor propriamente plantada
nem um buquê
comprado na florista
por enquanto ofereço
(nesse poema)
como que a imagem da flor
depois, caso vingue
poderemos partir para a biologia
.
continuo levando jantar fora
abrindo a porta do carro
mandando flores no dia seguinte, etc
no mais
pode que tudo que se parece com o amor
é o amor
.
valem as intimidades que
antes eram segredos
ou não eram intimidades
mas bobagenzinhas do dia-a-dia
banalidades
como contar ao outro o seu dia no trabalho
o que, aliás, pode que seja uma salvação
.
eis a biologia possível:
a manutenção do
corpo é importante
ganhar um boquete
ou um cunilingus (no caso das damas)
por dia, faz a gente
mais saudável e feliz

tudo muito bem
tudo lindo
até que
foi eterno enquanto durou
nosso amor
durou o tempo de um sabonete

Luiz Felipe Leprevost - http://notasparaumlivrobonito.blogspot.com

*ai como "esse cara"; digo, amigo, poeta - consegue me traduzir... aiai!
" putaquepariu meu gato pôs um ovo,
mas gato não põe ovo,
putaquepariu de novo...!"

22.6.09

Sobre cafuné e canções de ninar (VII)


Da série: Esta é uma carta de tristeza profunda
ou
"serão Deuses astronautas"?

suponho que você tenha me ligado ontem. ví a ligação perdida lá pelas tantas - horário em que acordei. passei o dia dormindo, aliás, o fim de semana e só não estou dormindo hoje, pois tive que vir trabalhar, senão... ficaria dormindo - semanas, meses ainda.

hoje meu dia não está sendo do melhores. faz 8 anos que meu pai morreu e não posso chorar. é aniversário da minha mãe e seria injusto com ela.

tenho pensado - muito- como te disse no sábado. não me recuso a falar com você, aliás, acho que temos que conversar ainda. conversar muito, muito mesmo.

meu coração está quebrado em milhares de cacos. a emoção fala mais alto algumas vezes, em outras, a razão grita no meu ouvido. não sei o que fazer. continuo perdida. descalça. no meio da chuva de pensamentos que giram em minha cabeça. tenho andado tonta. as linhas, os caminhos, não são mais retos na minha cabeça. tenho pensado em nós, em mim e em você. fica tudo no mesmo saco, sabe?

os sentimentos muito misturados. confusos. tintas fortes em tudo. sangue escorrendo que não coagula. não sei mesmo o que escolher. estou perdida. em alguns momentos me vejo covarde, como você mesmo disse - e essa palavra - COVARDE não sai dos meus ouvidos. a sua voz falando... - medo de te pressionar ou te deixar triste, entenda, não é cobrança, mas constatação de um estado de espírito ou mesmo percepção de algo que habita em mim. coragem, que tive de assumir o meu amor por você, assim como a sua coragem também, mas agora, tenho deixado o medo, a covardia - me guiarem. medo de voltar atrás e tentar de novo e ser chamada de covarde novamente.

medo, muito medo de não voltar atrás e te fazer sofrer e também por voltar atrás se esse sentimento, essa vontade se mostrar mesmo forte - de voltar. se o medo sair de mim... não sei. preciso ainda pensar assim como conversar com você ainda, muito. e te olhar. preciso muito olhar para você. para os seus olhos e ouvir o que eles me têm a dizer. não sei, pode ser tudo utopia. pode ser verdade. pode ser lúdico ou minha imaginação apenas.

não te verei nunca como ex-namorado e sim como amigo, sempre. e sinceramente, se não conseguir decidir ainda, por voltar a ser sua namorada - lembrando que foi você quem terminou, mas não querendo te pressionar por isso, também, pois sei que esse tipo de coisa acontece. Mais cedo ou mais tarde, acontece e você terá tantas, mas tantas namoradas... infinitamente melhores que eu... - que nem posso fazer previsões sobre isso... - e olha que sempre te disse que eu tinha medo de te machucar... só que o que aconteceu não foi exatamente isso... - mas ando pensativa. demais até.

quero te tranquilizar, pois não me verá acompanhada de nenhuma forma, até porque, não quero ninguém e percebo que sem você, neste momento e por um período longo, é melhor que eu esteja, que eu fique mesmo sozinha. muito sozinha, mas para estar sozinha, preciso de companhia. da companhia dos meus amigos e amigas e inclusive da sua companhia como meu amigo, neste momento.

nada disso é definitivo, até porque estou muito confusa e você sabe disso, mas preciso me organizar, sabe...

enquanto isso, penso. e quero que você fique bem. estou tentando melhorar, mas está difícil. ando catatônica ainda. não sei o que pode ser melhor, nem pior. confusão é meu nome e isso faz parte do "inferno astral" que acaba na terça que vem - assim espero.

aguardo sua resposta. sua ligação. sua mensagem.

te cuida meu lindo. entreguei as decisões à Deus e a à meu pai. eles vão me ajudar a decidir pelo melhor - tanto para mim quanto para você.

a única coisa que posso te adiantar e ter certeza é de que sinto saudades. muitas saudades de ti.


beijo,

18.6.09

sobre eletricidade e luz de velas (I)

Para Molly Bloom


grande novidade! "rá!" - como se eu já não soubesse que isso tudo seria mais um pedaço de nada a ser costurado na minha carne com agulha grossa e fio de nylon. grande novidade!que novidade? conta para mim algo novo para que eu perceba se ainda tenho sangue e vontade de sorrir. conta outra, uma nova, uma novidade. não! não me fale de algo que eu já saiba. não me fale de nada que já foi vivido e nem tente paralisar uma situação que não pode ser prevista - faz de conta que nada mudou ou que nunca existiu, mas me conta uma novidade. estou cansada de marasmo, estagnação. estou cansada de saber das mesmas coisas. das mesmas conversas em torno de filosofias baratas de botequim. estou cansada de não enxergar a lua no céu e de dormir todas as noites esperando por um novo dia. não quero mais amanheceres que sempre são os mesmos. não preciso dessas cores repetidas e nem de palavras - sempre as mesmas – muito menos de fotos com as mesmas poses, quadros com as mesmas cores.estou cansada de ouvir sempre a mesma novidade que não existe e de sentar no mesmo banco, de olhar o mesmo mar. de pensar no risco que corro ao atravessar a rua sem olhar para os lados e de pular sempre o mesmo precipício. estou cansada de pular o mesmo precipício e dos tombos repetidos em cima do mesmo joelho. minhas cicatrizes já estão fundas demais e minha perna já virou fratura exposta. já me expus demais. sempre me expus demais e estou cansada disso. me conta alguma novidade? algo que eu já não saiba. me apresenta um novo sabor. uma nova mistura embriagante. um prato requintado. faça com que eu experimente sensações novas. eu já me expus demais. errei demais, mas dessa vez eu fui induzida ao erro. o amor me induziu ao erro. não só essa, mas várias vezes. tantas e tantas vezes. incontáveis vezes e eu já deveria estar acostumada. é eu já deveria estar acostumada. o amor me induz ao erro e a culpa não é dele; digo - do amor. a culpa é minha. exclusivamente minha. eu que me deixo induzir pelo amor. pelo cheiro do amor. pelas possibilidades do amor. e por isso eu me ferro. eu danço. eu sempre danço e eu não sei dançar. nunca soube dançar. eu piso no pé das pessoas quando danço; tento - dançar. eu piso no pé.eu já te disse que sou estabanada e que não sei fazer contas? me conta uma novidade... vai! ah! conta! - minha matemática sempre foi falha, primária e ultimamente tenho errado além das contas o raciocínio. nunca fui fria e calculista. não sei fazer cálculos e nem subir em árvores. meu pé direito tem um osso a mais e isso faz com que ele se quebre com facilidade. sinto dores intermitentes na lateral do pé e por isso nunca pude praticar corrida e nem concorrer numa maratona - nem que fosse para salvar a vida de alguém que amo, não poderia correr. nem salvar vidas. não sei nadar atleticamente. sempre furei as bóias na aula de natação. entrava na piscina com um palito escondido no biquíni. só nado na modalidade “cachorrinho” e por isso não conseguiria nunca nesta vida fugir dos tubarões; aliás, sempre sou devorada por eles. ei! me conta uma novidade?! estou cansada de pensar nessas bobagens e devorar minhas unhas pensando nessas bobagens. eu já estou careca de saber de todas essas coisas e não uso provérbios e nem frases feitas. nunca recitei um poema debaixo d’água e consigo dominar muito bem a minha vontade de urinar. eu sempre peço desculpas quando percebo que fiz algo não considerado certo; algo que possa ser considerado errado. me diga algo que eu não saiba?! pare de se repetir. mostre para mim um novo livro de um novo autor. um novo modelo de roupa. um tênis colorido; customizado. um perfume mais francês. um novo cheiro. um novo modelo de óculos. estou cansada de bobagens e de saber de coisas que já sei.de clichês. cansada de olhar para a mesma parede branca e imaginar ela cada dia de uma forma - por mais que eu imaigine alguma coisa nova- que eu fantasie com alguma coisa nova, que eu pense em alguma coisa nova – o que vejo a minha frente são sempre figurinhas repetidas - rePETIDAS, R-E-P-E-T-I-D-A-S!!!! me conte alguma coisa que eu não sei. diga que viu um sol verde bandeira e que o céu hoje estava rosado. rosado. tão rosado que até os flamingos da Dona Lili Marinho se assustaram no jardim da casa de Laranjeiras. tão rosa que até as meninas viciadas em cor de rosa perceberam o quão berrante é essa cor e, imediatamente, a cor preferida delas transformou-se em qualquer uma que não aquela; preto talvez. me diga que você já experimentou massagem tailandesa. que já freqüentou bordéis quando era novo e que eu não sou a mulher da sua vida. isso ! me conte uma novidade. diga que tudo foi um engano. que eu não sou a mulher da sua vida que eu nunca fui - a mulher da sua vida - que você nunca me amou. diga que as molas fugiram do fundo do poço e que você nunca me amou. que tudo foi um engano. eu estou triste. muito triste hoje. alguma coisa está apagada dentro de mim. parece que cacos de vidro me consomem nesta tarde fria. sinto-me um copo de requeijão espatifado no chão. não tenho mais emoção. os fósforos apagaram-se nos meus olhos e eles não têm mais brilho. não penteei os cabelos antes de sair de casa e estou até agora descabelada. não passei maquiagem nos olhos e nem batom, nem gloss. eu falei pouco hoje e na minha mente - na minha cabeça parece que da noite para o dia nasceram demônios exterminadores de borboletas. na minha cabeça, uma carneficina de pensamentos. assassinatos. morte. triste. estou triste. muito triste. alguma coisa se apagou em mim como a chama de uma fogueira fraca apaga com uma rajada de vento. é, eu sempre soube que quem ia tomar no ** ia ser eu. eu sempre soube que quem ia se ** era eu. eu sempre soube. eu sou ingênua. sim! sou ingênua; porra! eu acredito em tanta coisa. eu faço tanta coisa sem pensar nas conseqüências que sim! pode me chamar de inconseqüente, mas sabe, medo de me jogar. de pular do precipício, de lutar, de subir a escada mais íngreme, de escalar o Everest... ah! isso eu não tenho. não tenho mesmo. eu sei que quem sempre se esborracha sou eu e por isso já deveria estar até acostumada. na minha próxima vida eu quero vir como pneu de caminhão - borracha pura. muita borracha. eu sempre me esborracho mesmo! posso vir também como borracha de aluno de alfabetização - acaba logo e sem sofrimento. uma semana e "puf!" - foi-se a borracha. diga que você se enganou e que eu fui ingênua demais. não! não me chame de medrosa. de covarde. não me diga o que fazer, o que falar. eu sempre preferi ficar quieta, ouvir a falar. você sabe que eu sempre preferi ser assim porque também, quando eum começo a falar, eu tenho medo de falar demais e estragar tudo, por isso, eu fico queita. eu sempre preferi ficar quieta. sim! sou medrosa, mas me conta uma novidade? uma novidade! em duas semanas eu faço aniversário. me conta uma novidade. conta uma novidade. uma grande novidade.

Always Leprê

" ...

eu já banquei o idiota que
passa horas ensaiando o que
falar e quando chega a hora manda uma
merda do tipo “por acaso a sandália não está um
pouco grande no teu pé?”, ou então
“na minha opinião as músicas do
Chico Buarque com eu lírico feminino só
funcionam para mulheres que
não atingem o orgasmo.”
místico? talvez.
e ainda assim demasiado urbano.
... ".

17.6.09

15.6.09

Sobre insônia e lindos sorrisos (VI)


Da série: "quando a alma não é pequena"

de um sopro
repentinamente a noite surge
transformando conversa e agitação
em uma cama calma quente e escura.

o silêncio total é percebido
quando um vento súbito
quebra algum galho de árvore
e os cachorros latem como caçadores
para alertar
que alguma coisa
alterou-se naquele jardim,
mas não é nada
– apenas um galho –
[mais um de tantos galhos pelo chão].

o vento continua a espantar o silêncio
e o quarto fica um pouco mais fresco
e só isso.

a guerra pelas cobertas continua santa e amorosa
as respirações continuam música
a confortar o coração
e é tudo tão calmo
nos braços e abraços
e pernas em cima de pernas
que mesmo o empurrar da cama
não é violento.

beijinhos tornam-se passaporte para o resgate
do lugar no colchão
e não é preciso que seja balbuciada
palavra
neste momento

necessário apenas
leves toques de lábios
acariciando as costas
e braços...
até que a escalada
se faça total.

algumas cócegas
se fazem também
- às vezes -
necessárias
e é tão bom
ouvir seus resmungos inconscientes
enquanto dormes...

o dia lentamente surge
e o frio contido debaixo das cobertas
se transforma em raios de sol
doces, quentes
invadindo a fresta da janela
e ao longe o canto do galo
-que canta afinada e desesperadamente nas horas erradas –
anuncia que está na hora de acordar.

é preciso que a noite, a madrugada
fiquem para trás
e que as pálpebras sejam abertas
para que o beijo de cara amassada aconteça.

assim o dia se faz tranqüilo

o beijo mais forte depois do café
bem recebido
para que o dia passe
dê as mãos para a tarde
e abra caminho para a noite
a cama, o quarto quente
e a guerra amorosa e santa
debaixo das cobertas.

5.6.09

Poema de Bruna Beber

estudos sobre o primeiro encontro

com treze borboletários
centrifugando na gaiola
da barriga

e uma casca de banana
em cada joelho
chego antes

da flecha, do correio
elegante, do caminhão
baú com muitas flores

uma platéia de solas
antiderrapantes ensaia
piruetas nas moléculas de ar

e ri da pintura borrada
de sorriso permanente
em meu rosto

não é todo dia
que voltamos
a ter 13 anos.

*Amei! Amei! Amei!


Daqui

4.6.09

sobre paraísos e diálogos imaginários (VII)


ai que nervoso!!!

eu quero ver. muito. eu quero muito ver VOCÊÊÊÊÊÊ!!!!
digo ELE!!!
eu quero. quero. quero. preciso. necessito. muito. olhar para ele. beijar ele. dar as mãos para.
ele!
preciso. preciso. preciso. ver.
ele!
sentir.
ele.

que ele me aqueça.
que você, digo, ele
- me aqueça-.

agora que tudo ficou mais fácil.
ou será mais difícil?

os olhares podem ser revelados. a intenção revelada. o amor. revelado.
agora que tudo poderia ser mais fácil
- por um lado -
chegar nele
- digo, em você
fica mais difícil.

parece um interesse estranho. um movimento errado.
e o medo?

de repente alguma coisa faz: puf!
e se vai.

algum vaso se quebra e tilim.tilim.
crash!

certeza única. a única certeza
- digo, vontade -
que tenho é ver ele
ou melhor
ver você hoje.
agora.

[amanhã e depois]

quero ele, digo
- você -
azul
não só no meu coração
e em minhas unhas

quero ele
digo você
[azul]
em mim

-agora-

sei que não posso
mas quero

não é possível
mas eu quero
você

agora
-azul-
aqui

sobre orquídeas e velhas canções (I)

Da série: Encantamento II
ou
Divagações em tom maior


Para Sir. Peter Lake

o que falar de algo
-perfeito-

como um poema perfeito
- o sentimento perfeito -

o abraço
-perfeito-

o que falar
das atitude perfeitas
da temperatura
-perfeita-


do imperfeito?
das (im)perfeições?

do despertar ainda com sono
da mania
de lavar as mãos
sem parar

dos vícios e hábitos?!

-das coisas boas, chatas e ruins-


do extrato bancário
do cheque voador
do "volto logo".

do celular não atendido
das visitas ao museu
do observar a natureza

dos pés na bunda
do enamorar-se.
do namorar
do beijo
- na boca-

dos beijos
- na testa-

que dizer
da nossa missão na Terra
das filosofias
da admiração?!

o que exclamar internamente
quando lemos algo
que nos arrepia
por inteiro

o que gritar do intenso
- quando como música -
nossos ouvidos inflamam
repentinamente

o que falar da dor
da alergia
da alegria

do medo
da falta.

- o que cantar da lua?-

o que é poema?
o que é poesia?

o que pode ser
amizade?

quando temos certezas?

quando vamos saber nosso propósito?
quando fazer algo sem querer?

quando deixar-nos invadir
de ternura?

quando o afeto e a afinidade viram linha tênue
- entre uma coisa e outra ? -

quando ser
lunático?

quando pensar
pensar, pensar...
achar...

-quando?-

concluir

Sobre lugares distantes ou o voo de uma gaivota (I)

Da série: Não gosto muito de explicar os poemas. A poesia que eles causam, não pode ser explicada- apenas sentida- mas esse - é preciso explicar.

INTRODUÇÃO: Uma menina do meu trabalho vai ser formar em Design - a mesma profissão do Pai dela que morreu em 2002. Que como o meu pai morreu daquela doença. Daquele mal. Que começa com C e não se explica como pega - e a cura é difícil.
Ela me disse que falará na colação sobre os pais ausentes e na minha formatura - meu pai estava em coma e também não estava fisiacamente lá.

Escrevi esse poema para ela. Para ele. Mas também para mim e para meu pai- que esse mês faz 8 anos de ausente presença.

Para os ausentes (sempre)presentes

ausência não representa
não estar
presente

mesmo ausente

-presente alguém está-


seja em nossos pensamentos, lembranças

idéias,
coração


naquilo que identificamos
como nosso,

mas não um nosso
simples

-um “eu acho” , “eu concluo”-

e sim – um “concordo com ele”,
“ele me ensinou”

um
- “eu aprendi”-

aprender ...

-apreender-
é a mesma coisa que guardar lá dentro

do peito
algo que faz parte de você

-um pedaço-

tal qual as cicatrizes
dos nossos tombos de bicicleta,
o queixo rachado, o dente lascado
ou mesmo
o esmalte com o qual
nós meninas

pintamos a unha

– mesmo que momentâneo –
que mudemos de cor toda semana

a cor passa a fazer parte de nós.

sabemos disso
porque adquirimos
conhecimento

-com a convivência-

um saber
que a gente percebe
na fotografia

um olhar
emoldurado na memória

-aquele conselho-

um cartão, uma carta,
um presente

-os guardados-

um carinho guardado,
a música preferida,
aquele jantar especial,
a profissão

-as sensações-

o enxergar do orgulho nos olhos

a lembrança das mãos, do movimento,
as preferências,
os passeios

as lágrimas escorridas,
-o silêncio-

os sorrisos ao chegar em casa

e também os abraços de despedida

no meu coração
tem um buraco
que dói

quando venta

e esse buraco

vai sempre

sempre, sempre doer


-doer para sempre-

mas para sempre
terei certeza

que ele está presente

mesmo que eu não possa vê-lo

aqui na platéia


-mesmo que eu não o enxergue-

sinto que ele me olha

e sorri

e eu vejo uma lágrima tímida

a escorrer dos olhos dele

eu sei que ele

e todos os outros
e outras

que eu não posso ver


todos esses amores

que eu e vocês

-que nós-
não enxergamos

estão presentes
aqui na platéia


e que a ausência deles

é presença

em nosso coração que pulsa.


eles
nunca estarão ausentes


eles estão sempre aqui
-presentes-

dentro de nós.

3.6.09

Sobre insônia e lindos sorrisos (V)


abro meus olhos

-aos poucos-

e percebo

em cada raio de sol

-que surge pela janela-

a magia


-a mágica-

de um acordar

lento

que invade os olhos

e provoca

-excita, estimula-

o meu olhar

de foto

grafia


na geografia

de teu corpo


-nos mapas-

que meu corpo

desenha

em teu corpo


palavras ritmadas

-respiradas, cadenciadas-

agitam-se

num movimento

-contínuo e constante-


tal qual o dos

seus dedos

quando

tocam

minha pele

e adormecemos

tranqüilos

e exaustos

de tanto querer


abro meus olhos

e é um despertar macio

que sinto

-tal qual pétala de flor-

que aconchega

os sentidos

e me faz querer

ser sua

a cada dia


a cada dia

mais

-sua-


ao saber-te

-dentro-

da alma

que habita

em mim

e dos sentidos

e sentires

que invadem


que entram

em

meu peito

pelos poros


nossos poros

-cantam-

o nosso suor

derramado

-mas não desperdiçado-


e ao chegar

a noite

escutamos

os acordes

que adormecem

em nós


[sem toque de recolher]

Sobre insônia e lindos sorrisos (IV)


quando pensar

no que me resta

deste pedaço

de hora

no frio que sinto

e me afasta de você


as semanas arrastam correntes

e ressecam a minha pele

longe do macio das suas mãos

a percorrer minhas costas


meu rosto

-apagado-

de lâmpada queimada

pede uma maquiagem

que não desejo fazer


[não te vejo]


estamos longe

não nos vemos


mesmo assim,

eu sinto a sua presença


mesmo assim,

algo me falta

como se alguém tivesse

me mordido

e arrancado um pedaço


me sinto como um alimento

exposto numa vitrine

-cheia de abelhas-


o que me resta de tempo

nesse pedaço de vida

que ainda me sobra


-qual coisa?-


[alguma qualquer coisa]

esquecida no prato


faz frio

e não te vejo


relembro nossos momentos

-e isso me acalma um pouco-

só um pouco


é difícil dormir

-mais ainda-

acordar


longe

de seus braços longos

que me envolvem como um colar

de pérolas de duas,

três voltas


nas noites

e dias

[momentos que passamos]

juntos


[sua suavidade me aquece]


estamos longe

e sinto frio

-minhas mãos estão geladas-

minhas unhas

sem esmalte

-fracas-


preciso fazer as unhas

-fazer as unhas-

é como te ver


vou pintá-las

da sua cor

-azul-

[isso te fará mais perto]


preciso

e sei que você

também precisa

-me ver-

e que pensa em mim

neste momento


eu falo de você a todo tempo

eu penso em você

a todo instante


qual o pedaço que sobra

desta hora lenta

e dos dias que ainda faltam

para que a gente se veja?


os dias passam arrastados

as noites arrastam correntes

como lesmas atravessando

uma estrada longa

em busca de algum alimento

-qualquer-


sinto frio

-muito frio-

longe de você

Sobre agulhas e tempo (VIII)


esta chuva
me aquece
-a alma-
e me faz alegre

[radiante nesta tarde cinzenta]

oportunidade ímpar
de usar meu guarda-chuva
com imagem de Renoir
e pensar que estou na França

a degustar queijos
com croissant
e uma taça de vinho
Bordeaux

as lembranças
me inquietam
e me fazem
saltitar
feito menina
que ganhou
nova boneca

distância
que começou longa
e agora estreita-se
por um caminho florido
e silencioso
rumo ao desconhecido
mais alinhado

-em linha reta- em suas setas
e obstáculos
permeados
por unhas médias
pintadas
de azul marinho
que arranham
e repelem
toda a dor
que outrora
alguém pudesse
sentir
mesmo como o estômago
cheio de água,
vícios
e vontades

um gritar à plenos pulmões:
-estou viva!
e uma voz que sorri
quando o telefone toca
e escutamos:
-Alô. Algo como vender um pedaço de hora infeliz para comprar lá na frente um segundo de hora feliz quando chove?
-chove-
chovem cântaros
e canções celestiais
desse céu Londrino
que
nos encobre
a testa
e ofusca os olhos
nesta tarde cinzenta
e feliz

2.6.09

Pág. 127

“Oh, você”, dizia Bessie. “Você é apenas um sátiro gasto. Não sabe o significado da paixão. Quando tem uma ereção, pensa que está apaixonado.”

“Muito bem, talvez isso não seja paixão… mas não se pode ficar apaixonado sem ter uma ereção, não é verdade?”

-Trópico de Câncer, Henry Miller

sobre paraísos e diálogos imaginários (VI)

um nome gritado dentro de você – secretamente. acordar antigas ansiedades. você achou estar escondido dos melhores medos que percorriam a sua espinha e gira gira numa roda gigante de sonhos diurnos. um nome que diz: possibilidades...

ninguém prende o futuro numa jaula feita de planos. você percebe que você não é nada mais que um castelo de cartas de metal e resiste desprotegido aos ventos.

sobre paraísos e diálogos imaginários (V)


eu não falo de política,
nem do tempo, do mundo, do vento.
eu só falo de você e do que eu sinto
– por você –
e eu não tô nem aí
se vão me criticar
e me achar obsessiva,
intensa
ou qualquer coisa
- demais-

eu só falo de você
só escrevo de você
porque eu só sinto vontade
- de estar perto de você –
e de pensar em você

e nada me inspira mais
nesse mundo
do que o céu azul,
o sol tímido,
um certo frio
entrando
pela mangas do casaco

– e ele (o frio) -
parece as suas mãos
acariciando a minha espinha
– e dá um arrepio, sabe?!

nada mais inspirador
do que imaginar nós dois
de mãos dadas
passeando pelo parque

e no meio daquele verde todo
e dos insetos,
rodeados pelo vento
– sem querer saber do tempo –
a gente aperta forte
a mão do outro
e fotografa tudo
– para lembrar mais velhos –
da nossa juventude

do retorno
da minha juventude
com a sua juventude
e desse casamento perfeito
de todos nossos pretos,
brancos,
azuis e rosas
- de todas essas cores -

e de tudo
o que me faz sentir
plena e feliz

de tudo que me faz
em paz
ao seu lado

-ao redor -

eu não falo de política,
acidentes aéreos
e nem
questiono
o sistema universitário

pode parecer futilidade,
mas não quero meus poemas
datados
e nem estudados
em sala de aula
como poemas de protesto

eu quero
que estudem a fundo
a essência do amor,
a experiência do sentir
e todas as cores
que podem nascer
da mistura
de um homem
e uma mulher
que se amam
e se permitem vivenciar
tudo de bom e ruim
que disso
puderem colher

tudo o que pode surgir,
o que se constrói
do junto,
o que continua firme
no eu e você

o nós
que surge
dos dedos entrelaçados
e dos passos rápidos
- apressados de chegar em algum lugar-

[vontade de fugir da chuva e nada mais]

eu não falo de política
e nem de coisa chata

que se danem
as coisas chatas
e as agulhas descartáveis
num saco de lixo hospitalar
furado

eu só penso
em você
e só escrevo sobre
o que está na minha cabeça
- o que sinto sobre, com, perto e por -
você

1.6.09

Sobre insônia e lindos sorrisos (III)


nosso respirar fundo

de quando nos falta

o ar

é uma música lenta

que entra nos pulmões

como os beijos

demorados

que nos damos

antes de amanhecer


é uma fala

calma

uma tranqüilidade

de céu azul

de sombra de palmeira


como o desenho

que todas as noites

a árvore

imprime em seu

quarto

através da fresta

aberta na janela


uma claridade

luz

que transborda


do meu piscar de olhos

para o seu

quando

abraçados adormecemos

brincando

de roubar travesseiros

e cobertas

quando

entregues nos movemos

sem perceber


e você acorda

vê que estou

descoberta

e me cobre,

abraça

protege

e faz

com que

eu adormeça

em seus braços


e sonhe

com a nossa

eternidade

Sobre cafuné e canções de ninar (IV)


ninguém se apaixona
por escolha,
só por destino.

ninguém
continua junto
por acaso
e ninguém
escapa
do amor
porque quer,
só por escolha

por acaso
o destino
colocou
nossos corações
frente à frente
e escolhemos
ficar juntos

não desejamos
escapar dele

[que vivenciamos profundamente a cada minuto]

nos dias
e horas
que passam
arrastadas
quando estamos
longe

sobre paraísos e diálogos imaginários (IV)

eu te amo tanto, mas tanto
tanto

... que tenho medo de esquecer o seu rosto e enlouquecer. medo de cair. bater a cabeça e me esquecer do frescor que a sua pele traz para a minha pele - e da nova decoração - que você imprime em meu corpo.

... medo de perder o seu toque suave para outra - que pode não perceber essa suavidade tão suave do - seu toque, dos seus dedos na pele, no corpo, nos poros e até por dentro. Seus dedos suaves e seu sorriso honesto. Seu querer de verdade. Seu sentir que respira e canta as mais lindas músicas no meu ouvido.

eu te amo tanto, mas tanto
tanto

... que tenho medo de ficar sem você e enlouquecer. Eu queria tanto te ver todas as horas e através de todos os passarinhos que cruzam minha janela e de todos os carros brancos que atravessam as ruas por onde passo. Eu queria tanto te ver em todas as luas cheias, novas, minguantes e dormir com seu braço embaixo do meu pescoço.

meu corpo nu junto com o seu a girar como hélice do liquidificador a triturar demônios a pingar suor e lavar tudo - livrando nos de toda sujeira que por ventura tenha nos dominado, entrado em nós, penetrado – como a arma com a qual você me invade a alma e me faz a mulher mais feliz dentro da menina mais risonha. O menino mais peralta com o homem mais experiente.

somos nada mais do que uma bela mistura. A química perfeita. O encontro marcado no dia, hora, minuto, segundo e local – certos.

eu te amo tanto, mas tanto
tanto

... que mesmo que me faltasse alguma coisa eu estaria completa.

eu te amo tanto tanto tanto, mas tanto...