20.9.07

A carta (parte 2)

o que eu tenho a dizer é simples:
eu já tava preparada pro fracasso, já sabia que a resposta era não e que você tinha preferido ela. isso, "quase não dói".

como eu te disse: ficasossegado, tá tudo bem, mas por outro lado; você levar ela pra lá e esfregar ela na minha cara na frente dos meus amigos?
não foi legal
e isso
doeu prá C#$%*!¨*!!!!!

sabe, você foi lá prá resolver as coisas que não precisavam ser resolvidas e se protegeu.
tudo bem em você se proteger.
você estava certo em se proteger.
todo mundo se protege, menos eu.
eu sempre me jogo da ponte mais alta e não tô nem aí prá isso.
eu já me machuquei tanto que acho ótimo mais uma cicatriz.
eu tô cansada de me apaixonar e não dar em nada e pedir carinho... "quase não dói".

o que doeu foi minha cara de palhaça!

se você quiser, nós podemos ser amigos sim, aliás, já somos amigos e isso ninguém pode tirar de nós por mais que tentem.

ainda bem que ninguém levou máquina pra fotografar e filmar a minha cara de babaca! e ninguém filmou a coisa mais humilhante que uma pessoa pode dizer sobre o amor
sobre o amor ser uma coisa humilhante, a coisa mais humilhante do mundo.
se tivessem filmado, fotografado, aí sim eu ia querer sumir do mapa
se alguém tivesse filmado a minha cara de idiota!
ainda bem que ninguém registrou a minha cara de idiota, coisa mais ridícula!

eu sabia que ontem não era o meu dia, o nosso dia. eu sabia, eu tava sentindo, tudo muito esquisito e já sabia da sua decisão,
mas pqp(!!!!)...

a cena não pára de piscar na minha frente
tá foda porque até minhas lágrimas secaram
as maõs dadas "pró forma"...
eu via nos seus olhos que você não estava feliz e queria estar do meu lado, talvez
e me dizer um monte de coisas
eu lá segurando a onda...

beber além do necessário era preciso na imprecisão do seu beijo,
no afastar das nossas almas,
minha cara de idiota no meu papel de idiota
bêbada, louca
pano de chão

eu estava lá
e enfrentei até certo ponto

depois...

fugi,sumi,
lembrei, voltei
enlouqieci
me anestesiei
senti...

pensei: morri por uma noite e alguns dias.

estou bem. amigos espero. doendo demais. não precisava a cena que pisca na minha cabeça. eu entendi e senti tudo errado no fim do começo.

ninguém tem culpa. eu, você, ela, a cerveja, as mãos dadas... ninguém tem culpa!!!

aliás, existem sim culpados.

*meus pés que caminham a passos errados no coração dos outros
e
*o trem que nos deixou na estação
meia hora antes
do combinado.


Um comentário:

Cris Ebecken disse...

A poesia transporta para a vivência dos sentidos... pulsou em mim cada palavra. Bjs!