23.3.09

sobre margaridas e canções de amor (I)



um floco de neve

com medo de cair

na superfície quente

e derreter.


derreter como extermínio; fim de existência.

impossibilidade de chegar à idade adulta; envelhecer.


permitir o surgimento de cabelos brancos

a não cor

como parte integrante

do que se faz moldura para o quadro rosto

mutação do utilizado para seduzir


síndrome das madeixas longas

no que se deixa solto pelo vento;

exposto aos fenômenos naturais.


preso o coque

antes "rabo de cavalo"

deveria ser livre

como uma penugem de folhas

no alto de qualquer árvore.


o cansar dos olhos na leitura de um texto longo

falta de foco e vontades

permitem que o abstrato evolua

em qualquer canção,

estrofe, parágrafo

ou verso livre

medo de que a rima estrague tudo.


procurei por você nos meus sonhos

e você não veio


fechei a porta da gaiola

para que permanecesse

presa em meu ninho


os travesseiros

estão moles demais

e faz frio


o que não se completa;

são reticências

espera infinita

de um oito horizontal


subir escadas até o último degrau

e sentir cheiro de especiarias no ar

mãos tecem colchas de jasmim

ou qualquer flor


páprica doce na pasta de atum

para alegrar a língua


festa em qualquer lugar que não aqui.


[agora pode ser nunca]


esperei você

em meus sonhos

e você não veio.

2 comentários:

Betina Kopp disse...

lindo, Juju!!!
vamos colher margaridas rosas e doces?
beijos

Valeria disse...

...se a festa não é aí convide seu eleito para se deleitar com a páprica e que tais sobre o tecido de flores e lembre do Champagne = )