14.8.08

Parabéns Chacal. Alô CEP 20.000 - ninguém já te segurou e nem vai te segurar.

Emoção à flor da pele


Três em uma


Infância, adolescência e Saudade


Simplicidade pode ser um album de figurinhas

ou

Amigas com unhas e abraços de amigos, por favor.

Os 18 anos do CEP foi um desbunde! Um descalábrio! Uma delícia! - Tenho uma confissão à fazer: têm dias em que você se sente iluminada e sai por aí seguindo reto e pisando em pedras preciosas no jardim. Você faz dos braços asas e desvia de borboletas. Caminha leve como um cachorrinho recém-nascido. E sorri como a menina que ganhou o maior ursinho de pelúcia da loja de brinquedos.

Não sei o que me deu, mas minha voz tava suave e enquanto eu falava o primeiro poema parecia que uma música fraquinha ressonava em meus ouvidos. Senti também que algumas pessoas, que não mais carne hoje, estavam lá (que ele tava lá me vendo) e que gente que ainda existe hoje também tava lá comigo e eu tava sentindo tanta coisa junta...

Eu tava sentindo tanta coisa junto.

Eu falava leve e queria flutuar. Parecia que eu estava andando por sobre um riacho muito raso e que esquilinhos em pé olhavam para mim esperando que eu acabasse de falar para eles vestirem em mim meu vestido lilás, minhas luvas e meu sapatinho de cristal.

{Eu sempre que falo no CEP fico nervosa, tensa, trêmula. Não por ter medo de nada, mas por repeitar o evento, o meu grupo MADAME KAOS, os Deuses da Poesia, o Sérgio Porto, o Jockey, os Deuses do Teatro, o Chacal, a perfomance, os poemas e a própria palavra. }

Na terça eu tava agitada, mas plena, calma... uma energia boa... e pareceu por alguns momentos enquanto eu falava o poema das figurinhas que eu tava lá no Leblon aos 5 anos de idade entrando na banca de jornal comprando figurinha dos ursinhos carinhosos, da Barbie, do querido Pônei.

Senti a mão da minha mãe envolver a minha com firmeza para que eu não saísse correndo da banca para o carro, pois assim atravessaria a rua sem olhar e poderia ser atropelada.

Senti a mão da minha mãe apertando a minha como se dissesse: - Filha, hoje você pode se jogar. Atravesse a rua sem olhar para os lados. Você não vai ser atropelada. Confia em mim. Corre, filha! – e eu deixei que o vento me carregasse enquanto colava “post-it’s” no meu vestido, sentia o calor dos flashes da Maysa, estava na expectativa da Bia colar a figurinha em mim. E o vento me ventava pois sabia das lágrimas que o "poema dos amigos" da Bia me causa e eu voava e falava pensando encontrar no “masks” da Marcela o reflexo da minha saudade. Eu queria sentir na emoção da "Adriana e seus pianos invisíveis" o arrepio que de verdade senti. O calor que a voz grave da Adriana, suas palavras e o dedilhar da Marcela no piano me causou. O calor esse que de verdade senti.

Queria enxergar no olhar de todos os conhecidos, amigos e desconhecidos que estavam por lá - o que meus olhos de menina realmente viram naquela platéia. E gargalhando, abraçar minhas amigas e sentir outros abraços apertados de amigos, depois. Receber parabéns e brincar de catarse amigos. Cantar funk, bossa nova, pop rock, pagode, bolero. Inventar músicas; completá-las. Delicadamente roubar um golinho gelado da latinha do amigo. Tirar fotos; muitas fotos e sorrir.

Me segurei, mas me deixei ser levada pela emoção e naqueles minutos eu voltei a ser a menina loirinha de shortinho e galocha que colava figurinhas no álbum desejando ficar grande e quando adulta ser princesa, ter um pônei no quintal e amigos perfumados e coloridos (que tenho- [isso consegui!]) - enquanto "maleducadamente" jogava os pacotes vazios pela janela do carro.

Ali, senti que todo o vazio, os buracos e tristezas estavam sendo eliminados do coração e que alegria pode ser fazer parte de uma festa e acabar sendo a própria festa.

O aniversário do CEP para mim acabou como começou: com gosto de brigadeiro, jujuba, marshmellow, sorvete e bala de morango na boca.

Acabou como começou naquele despertar da criança que habita em mim e no sentir da mão do meu pai no meu ombro naquele palco iluminado.

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Ele sussurrou no meu ouvido palavras como: Orgulho. Filha. Pés descalços. Surpresas e lágrimas, mas isso já é outra história.

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*Depois fomos para o Corujão da Poesia – Eu, Bia, Marcela e Adriana e refizemos o “set”. Diferente, mas ficou bom também. E eu falei duas vezes (pq foi pedido) o poema das figurinhas, mas ali, já estava plena e convicta de que cresci - afinal o CEP fez 18 anos enquanto eu incorporava meus 5 e ali na livraria me convenci de que - já estava com meus 30 novamente.

Um comentário:

João Luíz disse...

Juliana, você como sempre, absolutamente poética e avançada em suas percepções. Lembro dos primeiros dias em que você chegou no Café da Letras&Expressões. Logo vi que na penumbra dos seus olhos havia uma poeta. Acertei. Fico emocionado e feliz para... com as suas performances e seus texto cada vez mais preciosos.
João Luiz de Souza - Corujão da Poesia-Universo da Leitura.