24.4.09

sobre aritmética e selvageria (II)


queria encontrar
você
para te morder
como cachorro bravo
guardião de patrimônio alheio

morder para demonstrar
defesa

para me defender do sentimento
que invade
os dentes até a alma
e faz minha boca
espumar de raiva

[não a doença; o sentimento]

Entenda: a raiva não seria de você
mas a fome que sinto
é tão grande...

não seria um morder para machucar
dilacerar, arrancar pedaço
desfigurar
e nem um comer para saciar a fome

seria uma mordida
[arranhão leve]

alerta de que algo está errado
com a gente
[com você e comigo]
uma mordida para acordar

cansei de restos de comida
ração e água com mosquitos
no potinho

e também não me apetece
caviar Beluga, escargot
e nem salmão

[não preciso de muito]

o que preciso é muito pouco
[apenas que você acorde]

um arranhão
um piscar de olhos
um aceno
meia dúzia de palavras
e um sentido para o meu sentir

uma direção
para o sentimento
desgovernado
que me faz rosnar
como cão raivoso
e passar tardes
cavando buracos
à procura de um osso
costela

[vestígio seu]
no quintal

Um comentário:

Mariá Ortolan disse...

cara, descreveu da melhor forma possivel o meu desejo. hahahaha
acho que o tempo esta amansando esse cão raivoso dentro de mim =/


adoro seu blog.
beijos ;*