9.11.06

Beauty queen

Que beleza pode existir no gosto amargo da boca no dia seguinte
Se ela não for a sua?

Que beleza pode existir no engarrafamento dessa manhã
Se o ônibus não me leva até você?

Que beleza pode existir nas coisas nunca ditas
nunca vistas por mim nem por você?

Que beleza pode existir no andar de mãos dadas
Se as mãos que seguram as minhas não são suas?

Que beleza pode existir na interpretação das coisas
se as idéias não forem compartilhadas com as paranóias?

E você aí sozinha procurando entender a loucura...
Que beleza!!!

A loucura tem a cara feia demais pra você descobrir como é
ela é feia
desabafa

você aí sozinha
tentando esquecer
a sua raiva do mundo
deságua...

eu não sou o mundo!

você não precisaria estar comigo
prá esquecer a loucura,
mas você acha
que eu
sou o mundo!

Não posso convencer ninguém do contrário
o mundo não te ama,
e eu?
sou obrigada a te amar?
sou obrigada a ser receptáculo de raivas?
de vida?
de prazeres?
de efemeridades?
de amarguras?
de frustrações?
de medos?
anseios?
respirações entrecortadas?


Palavras feito água
desaguam em mim
Fico quieta na cachoeira
não adianta falar
pingos de água
não entendem argumentos
chove e,
com a chuva observo beleza
no mundo onde
a loucura é maior
do que eu
e você ...

Não existe você
não existo eu
não insista
a loucura do mundo
não precisa
de mim
nem de você
só de nós.

Um comentário:

Saulo Jacques disse...

ai ai, adoro ler você, tudo lindo, tudo fresco, tudo doce de um verso a outro.

beijins fotossintéticos